Você sabe utilizar as redes sociais de forma saudável?
"Para
lidar de forma saudável com esse mundo virtual das redes
sociais é necessário que, tal como deveria acontecer
por volta dos sete anos de idade, saibamos diferenciar realidade
de fantasia" |
Hoje, cada vez mais, vivemos expostos,
queiramos ou não. Quando optamos por nos integrar a uma rede
social, a exposição aumenta ainda mais. |
Nossa vida repousa indefesa nessa vitrine virtual que se expande cada
vez mais e a assustadora verdade é que não estamos sabendo
como lidar com isso. No nosso anseio por obter a aceitação
das outras pessoas, como em um baile de carnaval, criamos máscaras
e são essas máscaras o que apresentamos ao público.
Se somos tímidos, criamos um personagem extrovertido e nos mostramos
extremamente abertos e sociáveis. Se nos sentimos feios, tiramos
3000 fotos e postamos a melhor delas em nosso perfil, ostentando um sorriso
digno dos galãs de cinema. Pouco importa se mal nos reconhecem
naquela foto, afinal a maior parte de nossos amigos nas redes sociais
não são mesmo pessoas com as quais convivemos na vida real!
Sem nos dar conta, criamos falsas imagens de nós mesmos e as apresentamos
aos outros como se fossem verdadeiras.
Perceba, não existe objetividade no mundo das redes sociais. O
mundo virtual é um terreno fértil para projeções
e idealizações. Vemos aquela pequena foto pulsando na tela,
lemos algumas poucas frases publicadas por alguém e ficamos livres
para imaginar e criar o outro de acordo com nosso desejo.
A verdade é que as redes sociais, quando utilizadas sem consciência,
podem se tornar perigosas máquinas de inventar pessoas. Cada pessoa
com a qual nos relacionamos na superficialidade de informações
das redes sociais, é como uma tela em branco onde projetamos a
nós mesmos. Se não prestarmos atenção, acabamos
hipnotizados por nossa própria criação, aprisionados,
tal como acontece nos estados regidos pela paixão.
Como a paixão, o mundo virtual é fortemente atraente, dotado
de uma intensidade arrebatadora. Nos vende a ilusão de uma vida
leve, descontraída, feita só de momentos bons. Um mundo
perfeito onde não existem problemas.
Como acontece com o uso do fotoshop, as redes sociais editam nossas vidas
de forma a excluir delas tudo o que poderia parecer incômodo ou
imperfeito.
Imaginem agora o que acontece quando comparamos as pessoas com as quais
convivemos no dia a dia aos personagens mágicos de contos de fadas
que passeiam pela tela de nosso computador naquelas pequenas fotos sempre
sorridentes.
- Como a realidade (feita de luz e sombra, belo e feio, alegrias e tristezas)
poderia competir com a pureza magnânima e irretocável das
imagens projetadas nas redes sociais?
- Como as pessoas verdadeiras e imperfeitas, feitas de carne e osso, poderiam
competir com aquela gente que nunca tem problemas, espinhas na cara ou
ataques de mau humor?
Claro que a realidade sairá perdendo.
A não ser que tenhamos consciência para avaliar todas essas
questões, sabedoria para nos lembrar de que imagens nem sempre
refletem a realidade e a coragem de escolher a realidade à fantasia;
a realidade não terá chance alguma.
Pessoas reais estão longe de atingir a perfeição
exibida nos perfis de nossos amigos virtuais. Pessoas reais sentem dores,
sentem medo, são inseguras às vezes, ficam bravas, cometem
erros, acordam tristes de vez em quando, com a cara inchada, com aquelas
bolsas roxas horrendas sob os olhos e os cabelos parecendo palha seca
de vassoura, coisas que nunca encontraremos nas fotos encantadoras e joviais
de nossos amigos virtuais sempre impecáveis.
Pessoas reais exigem de nós o aprofundamento das relações,
nos desafiam, nos decepcionam às vezes, mesmo quando nos amam.
Pessoas reais nos dão trabalho, e mais, fazem com que a gente dê
de cara com a nossa própria sombra. Pessoas reais revelam nossos
defeitos e exigem muto mais de nós. Quando nos cansamos de um amigo
vitual, basta desligar o computador. Na vida real não é
assim.
No entanto, pessoas reais também são capazes de gestos grandiosos,
de atitudes lindas e surpreendentes, nos pegam no colo quando mais precisamos,
nos embalam, nos abraçam, ficam ao nosso lado mesmo quando o desespero
salta na forma de lágrimas de nossos olhos inchados. Pessoas reais
são capazes de ir além, de aceitar não só
nossa beleza e nossas virtudes... Isso é fácil. Pessoas
reais são capazes de nos aceitar mesmo quando nos sabem cheios
de defeitos. Isso definitivamente não é nada fácil!
Pessoas reais são aquelas que têm a coragem de olhar na parte
mais funda de nossos olhos sem medo do que possam vir a encontrar. Pessoas
reais nos tocam a alma e nos fazem crescer, coisas que a superficialidade
virtual nunca será capaz de oferecer.
Ouça... Só pessoas reais podem amar.
Assim, sejamos conscientes em nossas escolhas. Não me entendam
mal. Não há mal algum em brincar nesse mundo virtual, trocar
com nossos amigos, reencontrar pessoas, fazer novas amizades (também
é possível!); enfim, utilizar o que as redes sociais têm
de bom a nos oferecer. Existe até mesmo a possibilidade de uma
amizade virtual escapar das prisões da fantasia e se tornar uma
amizade real, daquelas amizades especiais que guardamos em nossa sala
de tesouros...
... No entanto, para lidar de forma saudável com esse mundo virtual
das redes sociais é necessário que, tal como deveria acontecer
por volta dos sete anos de idade, saibamos diferenciar realidade de fantasia.
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