| "Publicada na revista
Psychopharmacology***, o estudo mostra como o exercício altera
o modo que o cérebro processa a informação entre
fumantes, reduzindo a necessidade da nicotina. Os pesquisadores usaram
a técnica de ressonância magnética funcional para
investigar como o cérebro processa as imagens de cigarros após
o exercício físico" |
Estudos têm mostrado que o exercício
físico pode ser um método efetivo de tratamento não
farmacológico para reduzir o desejo de fumar assim como durante
a abstinência temporária do cigarro. Algumas revisões
interessantes a esse respeito abrangem melhor o assunto (Taylor et
al. 2007*; Ussher et al. 2008**). |
Curtas sessões de exercícios de intensidade moderada reduzem
o impulso de fumar. Entretanto, pouco é conhecido sobre os mecanismos
neurobiológicos envolvidos nesse processo. O conhecimento desses
mecanismos poderia levar a outros estudos para estabelecer a adequada
quantidade de exercício (intensidade e duração) no
tratamento da diminuição da vontade de fumar, assim como
para novas perspectivas no tratamento de outros vícios.
Estudo da Universidade de Exeter (UK)
Recentemente, uma pesquisa da Universidade de Exeter (UK) revela pela
primeira vez que alterações na atividade cerebral provocada
pelo exercício físico podem ajudar a reduzir o desejo de
fumar. Esse estudo confirma os achados de estudos anteriores que demonstram
que poucas sessões de exercício físico moderado pode
significantemente reduzir a vontade de fumar. Publicada na revista Psychopharmacology***,
o estudo mostra como o exercício altera o modo que o cérebro
processa a informação entre fumantes, reduzindo a necessidade
da nicotina. Os pesquisadores usaram a técnica de ressonância
magnética funcional para investigar como o cérebro processa
as imagens de cigarros após o exercício físico.
Dez fumantes realizaram exercício em bicicleta estacionária
por dez minutos depois de 15 horas de abstinência ao cigarro. Durante
a aquisição das imagens cerebrais por ressonância
magnética funcional, os indivíduos foram submetidos à
visualização de 30 imagens relacionadas ao fumo (imagens
de mãos segurando o cigarro, figuras de cigarro, pessoas fumando,
etc.) e 30 imagens neutras (imagens de mãos segurando uma caneta,
pessoas sem cigarro, etc.). Antes do exercício foi observado um
aumento da atividade cerebral em áreas associadas ao processo de
recompensa. Depois do exercício, as mesmas áreas do cérebro
estavam menos ativadas. Os fumantes também relataram uma diminuição
da vontade de fumar depois do exercício em relação
ao período que estavam inativos.
Possível hipótese
Não se sabe exatamente o que causa essa diferença na atividade
cerebral depois do exercício físico. Uma hipótese
levantada seria que o exercício físico aumenta o estado
de humor (possivelmente pelo aumento de alguns neurotransmissores como
a dopamina), os quais reduzem a necessidade de fumar.
| Apesar de não ser o primeiro estudo
que mostra que fumantes perdem a vontade de fumar depois do exercício,
é o primeiro que avalia as áreas cerebrais ativadas
em fumantes após o exercício físico. Esses achados
fortalecem a hipótese de que o exercício físico
moderado pode ser uma alternativa viável de muitos produtos
farmacológicos como o path de nicotina. |
Levando em consideração os vários efeitos fisiológicos
e psicológicos conhecidos do exercício físico como:
perda de peso, aumento da autoestima, melhora do humor e ansiedade, etc.;
o exercício físico regular pode influenciar significantemente
nas mudanças comportamentais, como por exemplo, os vícios
procurados pelos indivíduos.
*Taylor AH et al. The acute effects of exercise on smoking behaviour,
cravings, withdrawal symptoms and affect: a systematic review. Addiction
(2007) 4:534–543.
**Ussher M et al. Exercise interventions for smoking cessation. Cochrane
Rev (2008) (4):CD002295.
***Van Rensburg KJ, et al. Acute exercise modulates cigarette cravings
and brain activation in response to smoking-related images: an fMRI study.
Psychopharmacology (2009) 203:589–598.
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