Cyber Carreira
Seção dedicada a responder e-mails relacionados à vida profissional

Qual é a melhor maneira de dar feedback ao chefe?

por Roberto Santos

O chefe do setor em que trabalho sempre reclama que seus colaboradores não lhe dão retorno sobre suas ações/comportamentos. Ele diz que precisa desse feedback para seu aperfeiçoamento profissional e, por extensão, desenvolvimento da própria equipe de trabalho. Acontece que em diversas ocasiões, ele mesmo admitiu que tem dificuldades em aceitar críticas. Após esse tipo de declaração e devido ao próprio modo desse chefe se comportar, sendo muito crítico com todos da equipe, ninguém se sente encorajado a lhe dar qualquer indício de feedback negativo. Uma pessoa de outro setor certa vez disse a ele que esse feedback nunca virá, pois ele ocupa o cargo de chefe e seus subordinados temem as consequências. Daí, percebi que é realmente por isso que a equipe (inclusive eu) nunca dá feedback a esse chefe, nem mesmo de maneira sutil.

Resposta: Acredito que existem chefes que têm características de personalidade que até o ajudaram a sua ascensão ao posto que ocupam, como senso crítico e assertividade, mas quando passam da conta, se transformam em arrogância – ninguém sabe das coisas como eu, logo ninguém tem condições de me dar feedback (exceto meus superiores, claro...) e não posso confiar em todo mundo, logo, vou filtrar muito dos feedbacks que recebo porque existem segundas intenções neles. Se você percebe que esse seu chefe se enquadra nestas características, CUIDADO com os feedbacks que lhe dá, mesmo quando pedidos, ele pode estar esperando apenas os feedbacks positivos, mas não as críticas. Mas se quiser arriscar, use a Técnica do Sanduíche: Positivo – Negativo – Positivo. Isto é, comece ressaltando todas as qualidades inigualáveis desse 'Ser Superior' que lhe dá a honra de servir, depois faça suas críticas, desde que tenha condições de sustentá-las com exemplos de situações concretas e depois encerre com um gran finale com uma elegia a sua imensa sabedoria e inteligência, frente a sua pequenez de subordinada. Contudo, se puder escolher, procure um chefe que não requeira esse exercício teatral e que esteja aberto a feedbacks positivos e negativos, como um ser mortal, idêntico a seus pares e subordinados.

Sugiro que você leia meus seguintes artigos: O Arrogante - clique aqui; O Cético -clique aqui e o sobre Feedback - clique aqui

Tenho um chefe que faz as coisas erradas e coloca a culpa na sua secretária ou em outras pessoas. Afinal, ele nunca está errado. Devo ficar na minha e continuar levando bronca ou devo desmascará-lo?

Resposta:
O tipo de seu chefe é bem conhecido – sua arrogância faz com que não reconheça seus erros e procure culpados para assumi-los. Essa atitude pode, em algum momento, derrubá-lo de seu pedestal, pois como você sabe, a mentira tem perna curta. O problema é que não podemos afirmar quanto tempo pode demorar. Isso depende de sua habilidade em fazer o jogo de Eu ganhei, Nós empatamos e Minha equipe é que perdeu.

Então, a resposta para você é: Até quando você está disposta a assumir os erros do chefe? Duas alternativas: tentar “desmascará-lo” como você falou ou partir para outro caminho profissional que não a prejudique ou afete sua motivação e auto-estima profissional. A tentativa de desmascará-lo, sendo mais arriscada, a coloca no mesmo “jogo” dele, logo você precisa avaliar qual seu “cacife” psicológico e/ou quanto vale a pena jogar este jogo. Boa sorte!


Esta coluna trata exclusivamente de ASSUNTOS PROFISSIONAIS, pedimos a gentileza de enviar somente perguntas pertinentes a este tema

Artigos relacionados - clique no título

>>> Como receber uma crítica no trabalho?

>>> Sou arrogante no trabalho. Como posso mudar?

>>> Relação entre personalidade, trabalho em equipe e feedback

>>> Chefe também precisa de feedback positivo?

Colunas relacionadas:
Gestão PessoalRoberto Shinyashiki Atitudes Dinheiro
para ler as respostas
este artigo para um amigo
Roberto Santos
é profissional de Recursos Humanos, com 30 anos de experiência, inclusive como executivo em grandes organizações multinacionais
>> Mais informações >>
Clique aqui para falar com Roberto Santos
para a página principal