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Como proceder para recuperar a saúde mental e emocional para voltar ao trabalho após as férias?
por Joel Rennó Jr.

"Temos que ficar atentos para compreender o quanto gostamos ou não do que fazemos, e que o retorno pode ser bom e recompensador caso tenhamos metas a serem atingidas"

Resposta: Voltar ao trabalho após férias para algumas pessoas pode ser muito mais que difícil, principalmente para aquelas que levam um certo tempo para relaxar e entrar no clima das férias, e primordialmente para aquelas que estão insatisfeitas com o seu trabalho.

Algumas pessoas sentem-se limitadas aos procedimentos de seu trabalho, sentem-se condenadas e podadas ao retomar. O retorno vira algo muito complicado. A maioria das pessoas deseja que a volta seja gradativa, e podem demorar até a se reacostumar (mente e organismo) com o retorno.

Pessoas desestimuladas, irritadas, sem horizontes profissionais, estressadas e cansadas, mesmo após umês de descanso, se deparam com os mesmos problemas, e entram em contato com suas próprias faltas de metas e direcionamento profissional. Muitas percebem que embora exista o estresse mental e físico, tiram suas férias, recuperam o fôlego, na hora de voltar ao trabalho percebem que o fato de "estarem descansadas", não as deixa mais felizes e dispostas como imaginavam.

Nesse momento, muitas vezes, bate a chamada saudade das férias para algumas pessoas, como se isso significasse: "Foi bom e agora não é mais porque acabou".

Não necessariamente, temos que ficar atentos para compreender o quanto gostamos ou não do que fazemos, e que o retorno pode ser bom e recompensador caso tenhamos metas a serem atingidas.

Férias é muito bom quando conseguimos manter a mente leve, olhar para trás e ver que cumprimos a missão. Considero naturais as ansiedades e expectativas geradas pelo retorno, alémé claro, daquela preguiça para retomar os horários da rotina. Mas, quando a angústia e a tristeza parecem prevalecer a tudo, temos que estar atentos, pois esse sentimento pode estar ligado a medos, fracasso, falta de crença e auto-estima em si mesmo.

Nesses casos, uma ajuda psicoterapêutica pode ser importante para a pessoa superar tudo isso, e estabelecer novas metas para seu retorno.

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Joel Rennó Jr.
Doutor em Psiquiatria pela Faculdade de Medicina da USP. Coordenador do Projeto de Atenção à Saúde Mental da Mulher-Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP. Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein-SP (HIAE)
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