| "Aceitar
que perdeu um grande amor é tão difícil porque
é que nem admitir a morte"
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Conforme disse no texto anterior, (clique
aqui e leia) apresento mais alguns conselhos para aqueles que
sofreram o abandono da pessoa amada. |
É necessário aceitar a realidade
Parece fácil, mas a aceitação é que nem admitir
a morte. Leva tempo e temos que passar antes por estados sucessivos e
alternados de negação, revolta (ódio) e depressão
até chegarmos à aceitação.
A palavra aceitar tem diversos significados, mas o sentido que nos interessa
é o de admitir uma realidade, sem dela fugir, sem negá-la.
Muitas pessoas quando têm uma discordância falam em não
admitir. Mas admitir não significa concordar. Concordar e admitir
são atitudes diferentes. Ao discordar – ou concordar –
estamos estabelecendo nosso julgamento sobre um fato, uma coisa ou pessoa;
ao admitir estamos apenas reconhecendo uma realidade. Parece simples,
mas a tentação de negar a realidade quando ela é
dolorosa se torna enorme e pode lhe levar a assumir, como acontece com
muita gente, uma atitude radical de se distanciar dos fatos reais.
Suportar a dor em vez de tentar fugir dela nos ajuda a superá-la.
Não é por acaso que o treinamento de artes marciais exige
do aluno que se submeta a situações dolorosas. O atleta
australiano Derek Clayton quando bateu o recorde da maratona em 1969 falou
que a vitória tinha sido fruto de sua coragem para sofrer o que
fosse necessário. Referiu-se a um adversário dizendo que
o outro era melhor atleta, mas não tinha a mesma aptidão
para agüentar a dor. Ele vomitou ao cruzar a linha de chegada e urinou
sangue durante uma semana após a corrida. Poucas pessoas têm
tal disposição para se tornarem heróis, mas em muitos
momentos da vida temos de enfrentar dificuldades que nos trazem sofrimento
e agüentar a dor necessária sem fugir ainda é a melhor
forma de superar estas situações.
Finalmente, quero lembrar que aceitar significa admitir também
que o amor não depende apenas do comportamento do outro, mas de
algo imponderável existente dentro de cada um de nós. Por
melhor que você seja, isto pode não ser suficiente para preservar
o amor em seu parceiro.
É preciso perdoar
O perdão faz bem a quem perdoa; muito mais do que a quem é
perdoado. Melhora a raiva e deixa o coração mais leve.
Saber perdoar é uma arte. Como toda arte, pode ser aprendida
através de esforço e dedicação ou, como acontece
com alguns poucos felizardos, pode ser um dom que se recebe de nascença.
Saber perdoar significa ser capaz de estabelecer a diferença entre
a absolvição e o perdão. Absolver é admitir
que o malfeito não fosse da responsabilidade de quem o praticou,
ou que quem está sendo acusado é, de fato, inocente. Absolver
é uma questão da Comunidade, da Justiça, da Sociedade
como um todo, e não de cada um de nós independentemente.
Perdoar é um gesto individual de aceitar que um erro cometido faz
parte das fraquezas humanas e de entender aquele que errou como uma pessoa
comum capaz de se enganar e ter a nossa simpatia ou, pelo menos, a nossa
capacidade de relevar o mal praticado.
A importância de perdoar está no fato de que o perdão
faz muito mais bem a quem perdoa do que a quem é perdoado. O perdoado
pode se sentir aliviado de seus sentimentos de culpa pelo mal causado,
mas quem perdoa conquista muito mais. E por vezes o perdoado nem fica
sabendo que o foi... Através do perdão, você se livra
do ódio e do rancor que fazem mal à saúde; sua alma
se engrandece e seu espírito conquista paz e serenidade.
Humildade é importante
Muitas vezes há um grande aumento da dor da perda causado pela
vaidade. O sentimento de estar sendo visto como um fracassado e a sensação
de derrota geram um desnecessário acréscimo na dor que já
está suficientemente intensa para poder dispensar orgulhos feridos.
Além disso, convém lembrar que muita gente passa por coisas
muito piores do que perder um parceiro amoroso. A perda de um emprego
acompanhada pela dificuldade de conseguir outro, uma doença grave
ou a morte prematura de um filho são alguns dos muitos exemplos
de sofrimentos bem mais duros e difíceis de suportar do que um
parceiro que decidiu-se a nos deixar.
Dê absoluta prioridade ao bem-estar dos filhos
Nunca se esqueça de pôr seus filhos em primeiro lugar quando
estiver lidando com estas questões e com estas dores. Qualquer
decisão ou atitude a tomar, pense no que é melhor para eles.
Principalmente após a separação, é muito importante
evitar usar os filhos como arma para atacar o antigo cônjuge. Não
permita que seus filhos se tornem órfãos de pais vivos.
Além disto, temos que ter em mente que, quando o casal se separa,
os filhos suportam uma carga de sofrimento e de insegurança. Precisamos
poupá-los de ver esta carga aumentada por nosso comportamento.
Portanto, nunca perca de vista o interesse deles e procure sempre o que
for melhor para eles.
No próximo texto acrescentarei mais alguns conselhos.
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