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Durante anos, o grande drama nacional no Brasil era a falta de comida,
que conduzia a um quadro de desnutrição infantil. Contudo,
hoje a situação está se invertendo. O Brasil está
deixando de ser um país de desnutridos para ser um país
de obesos. Quando o Brasil enfrentava a desnutrição, o problema
era de política pública.
Hoje, tirando os bolsões de miséria, o maior responsável
pelas deficiências alimentares não é o Estado, mas
os pais, já que cabe a eles a tarefa de decidir o que as crianças
vão comer. Entretanto, pesquisas que estudam os hábitos
alimentares das crianças mostram que essa missão está
sendo desempenhada com displicência. Os pais acham natural que seus
filhos prefiram batata frita, salgadinhos, hambúrguer, sorvete,
etc. do que comer uma salada de cenoura, agrião ou um pedaço
de peito de frango grelhado. O problema é que a grande maioria
das pessoas se esquece de que as crianças nascem sem saber qual
é a exata diferença entre esses alimentos.
Impor disciplina alimentar aos nossos filhos é uma missão
que parece quase impossível, mas sem dúvida nenhuma tem
que ser encarada como um desafio. Há, no entanto, alguns pequenos
truques que poderão ajudar os pais nessa difícil, mais gratificante,
missão.
1) 1º passo: cardápio balanceado
O primeiro deles é tratar de definir um cardápio balanceado
e variado para todas as refeições e, se o seu filho ou filha
não quiser comer, o problema é dele (a). Mas deixe bem claro
que não haverá dinheiro para lanches ou sorvete ou chocolate
e que só haverá alimentação na próxima
refeição. Nunca devemos nos esquecer que é natural
que a criança goste mais de um alimento do que de outro, mas temos
que ter em mente que a cozinha da nossa casa não é um restaurante.
A criança pode ter opção, porém quem tem que
montar o cardápio são os pais.
2) Dê bons exemplos
Se o pai bebe refrigerante durante as refeições, não
adianta recomendar aos filhos que tomem sucos naturais de frutas. Da mesma
forma os pais devem consumir verduras, legumes, etc. com satisfação
para que os filhos sigam o modelo. Todo pai e toda mãe também
já devem ter passado pela situação em que a criança
recusa a comer cenoura ou brócolis. Mas ceder facilmente a um "não
quero!!" é o primeiro passo para criar um pequeno ditador
em casa.
3) Na hora de preparar as refeições, vale camuflar o
alimento que a criança rejeita em outro que ela gosta
Por exemplo, a criança precisa de uma alimentação
rica em ferro, mas ela detesta fígado. Pode "camuflar"
cozinhando o fígado de boi e depois empregar esse caldo para o
preparo de macarrão. Após isso adicionar o molho de tomate,
e sem que a criança perceba, ela estará agregando ferro
em sua alimentação. Outro fato que deve ser destacado é
que a forma de apresentação do alimento pode influenciar
a criança a comê-lo mesmo sem gostar.
4) É importante que os pratos oferecidos às crianças
sejam coloridos
Por exemplo: saladas com cenouras, brócolis, vagens, etc. Cortados
de maneira homogênea, temperados com iogurte natural, etc. É
importante lembrar que comemos antes com "os olhos".
5) Integre as crianças em algumas fases do preparo da refeição
É importante que a criança tanto na escola como em casa
participem do preparo de uma alimentação saudável.
Isso pode fazer com que elas percam o preconceito por alguns alimentos
e até mudem de opinião sobre alimentos que antes não
gostavam. Os pais devem ter um conhecimento mínimo para informar
aquela criança das vantagens do consumo de uma salada, de uma fruta,
em vez da batata frita e do salgadinho encharcado de gordura.
6) Sempre que possível leve as crianças à feira,
por exemplo, para que elas tenham contato com os alimentos e participem
da compra
Mostrar as diferentes frutas, estimular as crianças a experimentarem
todos os tipos de frutas encontradas na feira e sempre enfatizar a elas
a importância de seu consumo. O mesmo é valido para verduras,
peixes, etc.
7) Quando os filhos não aceitam algum alimento as mães
devem agir impondo disciplina
Se já se tem um cardápio balanecado definido, deixe bem
claro que não haverá dinheiro para lanches ou sorvete ou
chocolate e que só haverá alimentação na próxima
refeição.
8) Não ameace a criança que não quer comer com
castigo
Isso aumenta sua repulsa à comida. Aja como dissemos anteriormente,
sem pressão e com calma. Não ofereça recompensas
em troca de prato vazio (dá ideia à criança de que
comer não é bom).
Existe um conceito que "tudo o que você quiser fazer para o
seu filho em termos de alimentação, faça-o enquanto
ele estiver em seu ventre e nos primeiros anos de vida". Ensinando
bons hábitos alimentares a seu filho nessa idade, com certeza você
estará contribuindo para que ele seja um adulto saudável,
livre da anemia e sem problemas com a balança.
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