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Quem de nós já não tomou uma "poção"
quentinha para dores, nervosismo e insônia? Será que os chás
tomados eram os mais indicados? Convivendo com as plantas medicinais desde os
primórdios das civilizações, os homens aprenderam a reconhecer,
respeitar e usar suas propriedades curativas.
No entanto, não se deve recorrer aos produtos vegetais
como se fossem inofensivos só por serem naturais. Os produtos naturais
têm ações específicas, e por isso sua utilização
deve ser sempre acompanhada de orientação médica.
Hoje percebemos que a medicina vem confirmando, cada vez mais, as propriedades curativas das ervas. Cresce, portanto, a cada dia, o número de pessoas que encontram nas plantas medicinais um auxiliar natural, seguro e eficaz para a manutenção e restauração da sua saúde.
Mas um chazinho para uma indisposição gástrica
é completamente diferente de um tratamento intensivo apenas com chás
para uma pneumonia, por exemplo. A auto-medicação, prática
recorrente no país, precisa ser orientada.
Muita gente pensa que, por serem feitos à base de ingredientes naturais,
os medicamentos fitoterápicos apresentam menos riscos que as substâncias
químicas.
Na verdade, as ervas medicinais da mesma forma que seus correspondentes
farmacêuticos podem provocar efeitos colaterais altamente tóxicos.
Além disso, as ervas medicinais não estão sujeitas a padrões
rígidos de controle como os medicamentos sintéticos.
Embora as plantas medicinais sejam consideradas as precursoras
da moderna farmacologia, há algum tempo a comunidade científica
internacional vem ampliando gradativamente as pesquisas em relação
ao seu potencial. Ao mesmo tempo, o interesse pela Ecologia, assim como uma
procura cada vez maior pelas terapias alternativas, fazem com que a divulgação
dos resultados dessas pesquisas tenham uma repercussão muito maior do
que anteriormente.
Em 1988, foi criada a Sociedade Brasileira de Plantas Medicinais, órgão sem fins lucrativos que reúne pesquisadores, técnicos e profissionais atuantes nas áreas de botânica, agronomia, farmacologia e química, além de outros profissionais universitários ligados diretamente aos serviços públicos de saúde, empresas e instituições não governamentais que tenham a mesma finalidade.
A preocupação é catalogar e sistematizar toda e qualquer planta brasileira conhecida como "medicinal", nativa ou cultivada aqui, para orientar a utilização e garantir a sua preservação no ambiente.
Extrato de plantas é a base da medicina
tradiconal
De acordo com a Organização Mundial
da Saúde, 80% das pessoas dos países em desenvolvimento dependem
da medicina tradicional para suas necessidades básicas de saúde,
e cerca de 85% da medicina tradicional envolve o uso de extratos de plantas.
lsso significa que três, quatro a cinco bilhões de pessoas dependem
de plantas como fontes de remédios. Cerca de 80% da população
da Terra não têm condições financeiras para comprar
medicamentos.
No Brasil, estima-se que 60% dos habitantes recorram às plantas medicinais, principalmente por falta de recursos. No entanto, o país representa o sétimo mercado mundial de produtos farmacêuticos, sendo que 60% dos remédios são consumidos por apenas 23% da população.
Mesmo tendo um dos celeiros naturais mais variado
e valioso do mundo, o Brasil chega a gastar uma fortuna entre dois e três
bilhões de dólares por ano para importar as matérias-primas
de 90% dos remédios sintéticos consumidos pela população.
Avanços recentes nas pesquisas indicam que
a biodiversidade representa, também, a diversidade química do
ambiente e que os produtos naturais são ativos, desempenhando determinada
função biológica nas plantas onde ocorrem. Essas funções
tanto podem ser reguladoras, de defesa ou ainda, úteis para a preservação
da espécie, atraindo pássaros ou insetos responsáveis pela
polinização e dispersão de sementes. Tais conceitos auxiliam
na compreensão do ecossistema, na obtenção de novos fármacos
e produção sustentável das plantas medicinais.
Profª.
Titular de Vida Saudável da ESALQ/USP/Campus Piracicaba. Autora dos livros:
"Previna Doenças. Faça do Alimento o seu Medicamento"
e "Pharmácia de Alimentos. Recomendações para Prevenir
e Controlar Doenças", editora Madras.
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