| "Os pré-requisitos
para gerar as condições do fluir são: autodisciplina,
autoconsciência, treinar corpo e mente, ter consciência
do fenômeno do fluir e os fatores que conduzem a ele" |
Já afirmamos (veja
aqui) que quando o atleta é capaz de ficar
totalmente absorto em suas ações de tal forma parecer
haver uma fusão entre a ação e atenção,
há uma motivação intrínseca (inconsciente)
para realização das tarefas, percepção
de equilíbrio entre a dificuldade da tarefa com as habilidades
do atleta, tudo isso são características de que o mesmo
está fluindo. |
Há outras características, como por exemplo, um sentimento
de perda da noção do tempo: o atleta não registra
a passagem do tempo como convencionalmente é feita pelos ponteiros
do relógio. Ou seja, pode-se perceber que ao praticar uma hora
de esporte essa atividade significou apenas alguns minutos. Esse estado
é que o estudioso Mihaly Csikszentmihalyi denominou de flow-feeling
(percepção ou sentimento de fluir em uma tradução
livre).
Ao saber da possibilidade de fluir e aproveitar de todos os benefícios
acima, atletas podem perguntar, mas como usufruir do controle do fluir?
A melhor resposta para essa pergunta é: procurar a incerteza do
desafio! Ou seja, quando o atleta sai da posição segura
do êxito garantido para o ambiente incerto de um grande desafio,
surge a dúvida do resultado e com isso se proporciona o exercício
do controle.
De outra maneira, quando o atleta se arrisca em alcançar resultados
superiores e deixa o conforto de lado, ele terá a consciência
que para obter progresso terá que treinar ainda mais tudo aquilo
que envolve o sistema de treinamento: preparo físico, técnico,
tático e psicológico, pois só assim poderá
ter chances de obter êxito.
Isto quer dizer que o atleta que se ocupa sempre em se manter entre os
melhores, necessita fundamentalmente treinar e competir como se fosse
a primeira vez. É como se o atleta precisasse a todo instante ter
de provar o quanto é capaz de fazer melhor ou como se dependesse
(de fato!) de cada treino para continuar em sua profissão. Esse
pensar parece demasiado, mas é exatamente isso que o atleta que
pretende estar muitas vezes no topo precisa encarar.
Em muitos casos, atletas que tentam agir dessa maneira acabam por ficarem
muitos anos com ótimos desempenhos e quando há uma queda
de rendimento, ela não é tão acentuada e logo o atleta
recupera seu nível de atuação. Mesmo em equipes de
esporte coletivos (principalmente em seleções nacionais)
a dinâmica da busca do fluir é possível.
Mas então, surge outra pergunta: É possível controlar
o estado do fluir (fluxo!) para utilizarmos como quisermos?
Resposta objetiva: Não!
Não é possível provocar fluência à vontade.
Parece desanimador. Ora, se o atleta faz tudo àquilo que foi dito
anteriormente em termos de treinamento, se dedica ao máximo e mesmo
assim ele não pode usufruir do fluxo à vontade, então
o que fazer?
O atleta não conseguir fluir à vontade, mas com dedicação
ao treinamento constante e busca de altos desafios pode perfeitamente
vencer obstáculos e gerar condições para facilitar
a fluência ao “preparar o cenário” para a mesma.
Ou seja, o atleta pode preparar todas as reais condições
para que ele possa ter grandes chances de fluir.
“A preparação do cenário” está
ligada aos elementos do treinamento que são representados pelos
condicionamentos físicos, técnicos, táticos e psicológicos,
ditos anteriormente, mas aqui há de se ter pré-requisitos
para adquirir tais condicionamentos e com isso o “cenário”.
Assim sendo, são pré-requisitos para vencer obstáculos
e gerar condição para facilitar a fluência:
Pré-requisitos para gerar o fluir:
a) Autodisciplina: é desenvolver a autoconsciência
para assimilar responsabilidades pessoais como um hábito natural
sem a necessidade de controle externo. A autodisciplina é responsável
pela tranquilidade em assumir desafios e tomar atitudes positivas.
b) Autoconsciência: é saber exatamente aquilo
que tem que ser feito e como fazê-lo;é dominar técnicas,
táticas e as emoções.
c) Treinar corpo e mente: é entender que corpo
e mente são unos e para toda ação física há
uma consequência simultânea mental e vice-versa. É
preparar as capacidades físicas e psicológicas para exigentes
demandas. Tanto no aspecto mental (cognição – por
exemplo, compreensão das táticas) propriamente dito como
emocional.
d) Ter consciência do fenômeno do fluir e os fatores
que conduzem a ele: Conhecer, gerar consciência, a respeito
daquilo que pode ser útil ao próprio atleta desenvolve e
facilita desempenhos a partir de treinamentos espontâneos. Portanto,
o atleta que deseja facilitar o fluir, de uma forma ou de outra, precisa
conhecer o fenômeno. E assim gerar uma confiança inquebrantável!
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