| FLOW- FEELING - "Ao
vivenciar o fluir facilitamos nossas realizações e o
desenvolvimento pessoal, tanto em relação às
nossas atividades (esportivas ou não!) como no intuito de melhorar
nossa qualidade de vida" |
No texto anterior (clique
aqui), definimos o fenômeno do fluir no esporte (flow-feeling)
e as três primeiras dimensões do fluir. O flow-feeling
nos ajuda a entender o porquê de atletas realizarem certas tarefas
em alto nível de concentração e motivação.
Lembramos que qualquer pessoa pode encontrar as mesmas possibilidades
de fluir em atividades diversas, embora nossa intenção
particular seja focar o esporte. |
No texto de hoje trataremos das seguintes dimensões do fluir:
concentração na tarefa e fusão entre ação
e atenção, perda da noção do tempo e controle
absoluto das ações, experiência autotélica
e alegria espontânea e experiência intrinsecamente compensadora.
1) Concentração na tarefa e fusão entre ação
e atenção
Essa dimensão significa que o atleta percebe seus movimentos como
se estivessem fundidos em si mesmo, como se cada movimento fizesse parte
de seu corpo, em uma fusão corpo e mente. O atleta quando fluir
na perspectiva dessa dimensão tem o controle interno e total de
seus movimentos. Na verdade, ele realiza seus movimentos (gestos técnicos)
e comportamentos táticos sem perder tempo em pensar como fazê-los,
simplesmente os realiza da melhor maneira possível. Além
disso, a concentração do atleta não é abalada
por ações externas (adversários, arbitragem, torcida,
etc.).
Isso explica porque atletas de alto desempenho executam movimentos e realizam
tarefas em condições extremas (ex. movimentos complexos
e perigosos na ginástica olímpica, arriscar um saque forçado
em um tie break de voleibol, correr velozmente na parte final
de uma maratona, executar uma jogada arriscada em uma final de campeonato
de futebol e outros). Parece que tudo ocorre de maneira automática
e sem esforço psicofísico. Na verdade, esse automatismo
é o reflexo dessa fusão (ação – atenção)
e um equilibrado sentido de coordenação de movimentos.
2) Perda da noção do tempo
Durante o fluir o sentido de tempo tem pouca relação com
a medida absoluta como conhecemos (marcado pelo relógio). Nesse
caso o tempo incorpora outro significado. Por exemplo, uma partida de
voleibol pode parecer muito rápida para um atleta que esteja fluindo.
O que de fato é relevante é o ritmo ditado pela tarefa e
não pelo registro do tempo propriamente dito. Para você entender
melhor, pense quando estava lendo um livro (concentrado e motivado) ou
assistindo um filme no cinema e ao fim dessa experiência você
não conseguiu perceber o tempo real em que ficou envolvido. Para
você se passaram apenas alguns minutos.
3) Controle absoluto das ações
Ao vivenciar a experiência do fluir, o atleta sente uma grande possibilidade
de controle sobre seu corpo, tornando-se confiante para realizar uma determinada
tarefa. Desta maneira, percepções de medo, fracasso e tensão
são simplesmente descartados.
A percepção de controle é típica do estado
do fluir. Esta percepção é fruto da falta de preocupação
com a perda do controle. Isto se dá pelo fato da autoconfiança
que o atleta tem de suas habilidades (boas e concretas) para a realização
da tarefa e consequentemente pela dissipação dos pensamentos
negativos que o liberta do medo do fracasso. Em consequência, surge
um sentimento de poder, confiança e calma. Ou seja, um sentimento
de poder fazer tudo com harmonia e precisão e na intensidade emocional
adequada.
4) Experiência autotélica: finalidade da experiência
está em si mesma
O que caracteriza uma experiência autotélica é a finalidade.
Ou seja, a finalidade da experiência está em si mesma. As
consequências ou resultados não são objetos da concentração
da pessoa. Toda energia psicofísica despedida é liberada
exclusivamente para a execução da atividade. Isso não
quer dizer que os objetivos a serem alcançados não sejam
importantes, acontece que o envolvimento (esforço) da pessoa com
a experiência não dá “espaço” em
sua mente para preocupações com os resultados futuros, com
isso executar a tarefa presente é o que realmente importa. As consequências
serão naturalmente o produto desse esforço.
5) Alegria espontânea e intrinsecamente compensadora
O atleta que flui interpreta o processo de treinamento (treinar e competir)
e suas consequências, vencer e perder como eventos naturais do próprio
esporte. Ele é impulsionado a absorver os fatos com serenidade
e investe no aprimoramento de suas qualidades psicofísicas Alegria
espontânea é sua característica marcante e tudo aquilo
que ele faz para seu desenvolvimento pessoal é avaliado como compensador.
O atleta não se preocupa prioritariamente com recompensas externas
(ex. elogios e prêmios). Na verdade, tudo aquilo que é externo,
é tratado como uma consequência natural de seu envolvimento
com o esporte. Por outro lado, o resultado dessa alegria é a percepção
dos acontecimentos esportivos que geram alta pressão, medo, insegurança,
raiva e outras emoções negativas como um fenômeno
a serem adaptados de maneira a não repercutirem um comportamento
indesejável. Em outras palavras, o atleta absorve e diminui o impacto
dessas emoções disfuncionais.
Para finalizar essa breve descrição sobre o fenômeno
do flow-feeling, poder-se dizer que ao vivenciar o fluir facilitamos nossas
realizações e o desenvolvimento pessoal, tanto em relação
às nossas atividades (esportivas ou não!) como no intuito
de melhorar nossa qualidade de vida.
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