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Da Redação
Fobia escolar é um medo exacerbado que a criança
sente em ir para a escola. Ela se revela primeiramente com a recusa da
criança em se deslocar para o ambiente escolar, inventando desculpas,
o que culmina por evitá-lo. Como a própria criança
ainda não sabe que está com medo, geralmente, o quadro se
manifesta com mal-estar, podendo apresentar vômitos, dor de cabeça,
dor de estômago, náuseas e tonturas na sala de aula. Muitas
vezes, esses sintomas podem iniciar antes mesmo da criança sair
de casa.
Na escola, é muito comum que ela se afaste dos coleguinhas, já
que se sente muito mal lá dentro. É importante observar
que, se estes sintomas se manifestam apenas um dia ou outro pode, de fato,
tratar-se de um mal físico. No caso de crianças que vomitam
ao despertarem, ficam pálidas ou sentem suor frio, podemos pensar
na possibilidade de outros problemas, que não tem nada a ver com
a fobia escolar, muito embora os sintomas físicos sejam muito parecidos.
Por isso, é sempre bom investigar!
Na fobia escolar, a criança foca o assunto da escola sempre com
medo, negativismo e pode chorar para não ir. Fobia escolar é
um transtorno de ansiedade e tem tratamento.
É essencial que a equipe da escola saiba o que está acontecendo,
pois, muitas vezes, uma figura de confiança do aluno deve acompanhá-lo
e permanecer por um determinado período no ambiente escolar, até
que ele desenvolva autoconfiança. Os próprios coordenadores
podem, por vezes, desempenhar este papel, ao ficarem mais próximos
deste aluno, encorajando-o a ponto de se sentir bem na sala de aula.
A fobia escolar cursa também com o que chamamos de ansiedade de
separação (outro transtorno que também acomete crianças),
que se configura no medo de se separar dos pais ou pessoas de importante
vínculo, em preocupações constantes de que algo de
ruim possa lhes acontecer ou até mesmo no medo de perdê-los.
Via de regra, crianças que apresentam também ansiedade de
separação, além do medo de irem para a escola, têm
dificuldades em dormir sozinhas, medo de ir para casa de amigos, entre
outras relutâncias em se distanciar das pessoas com as quais passa
a maior parte do tempo.
Assim, uma maneira da criança ficar menos insegura em se separar
dos pais, é oferecer o máximo de sinceridade possível
a ela, ou seja, desejar e demonstrar, de fato, que estão felizes
ao seu lado, enquanto há tempo disponível para isso. Duplas
mensagens por parte dos pais fazem com que a criança fique insegura,
já que ela perde a referência com quem e com o que exatamente
pode contar. É essa insegurança que a deixa mais "grudenta"
e chorosa, pois ela passa a ter um sentimento de que pode ser abandonada
a qualquer instante, o que traz grande sofrimento.
No momento de ir para escola os pais devem ser firmes, mas respeitar
a limitação de seus filhos, pois para eles já é
muito difícil estar com estes transtornos.
Crianças com fracassos escolares ou com transtorno de aprendizado,
mas que são disciplinadas, podem também desenvolver fobia
escolar, pois não querem expor os seus insucessos (aliás,
como a maioria dos seres humanos). Nestes casos, vale a pena investigar
a causa do fracasso escolar, por meio de profissionais especializados
na área.
Causas da fobia escolar
Os motivos que levam a criança a desenvolver fobia escolar
podem ser vários ou uma associação deles. Dentre
eles estão a predisposição biológica (genética),
o temperamento e a vulnerabilidade à ação do ambiente
familiar, o qual pode ser estressante ou até mesmo os próprios
pais demonstrarem preocupação excessiva com a separação
dos seus filhos. É interessante salientar que duas ou mais crianças
que recebem a mesma educação, tanto escolar quanto familiar,
(filhas dos mesmos pais), não significa necessariamente que todas
irão desenvolver fobia escolar.
Uma das formas de tratamento para este transtorno é a terapia cognitivo-comportamental
(TCC), cuja abordagem ajudará a criança pensar e agir de
forma diferente, por meio de técnicas específicas aplicadas
para as dificuldades de cada uma. Caso a fobia seja muito grave, vale
a pena consultar um psiquiatra, pois poderá fazer uma avaliação
do quadro clínico e, se for necessário, prescrever medicações
adequadas. Este profissional também poderá descartar todas
as possibilidades de outras doenças estarem causando tanta ansiedade.
É fundamental que os pais fiquem atentos quanto à procura
de profissionais especializados, já que a demora no tratamento
pode ocasionar afastamento da escola, fracasso e repetência escolar,
vergonha de enfrentar novamente os coleguinhas, entre outros fatores.
Todos eles são indutores da baixa autoestima da criança,
que poderá lhe trazer prejuízos para o resto de sua vida.
Além disso, é muito comum que a fobia escolar esteja associada
a outros medos como, por exemplo, de elevador, animais, escuro, etc. Enfim,
os danos são grandes quando se adia o tratamento.
Papais e mamães, a culpa não é de ninguém
quando a criança apresenta fobia escolar. Os pais, na maioria das
vezes, estão dispostos a acertar na educação dos
seus filhos, mas se começarem a se culpar, provavelmente errarão
muito mais. Pais culpados não colaboram em nada na melhora dos
seus próprios filhos! Contudo, existem responsabilidades que sempre
são de quem cuida e isso implica em identificar o problema, buscar
tratamento, seguir as orientações no sentido de trazer alívio
à criança que está sofrendo. Procurar ajuda, ouvir
as diretrizes dos profissionais envolvidos e poder dividir as dificuldades
que possam encontrar no tratamento de seu filho, contribuirá efetivamente
na maravilhosa tarefa de ser pai e mãe.
Fontes: Dra.
Ana Beatriz Silva (psiquiatra) e Dra. Cecília Gross médica
psiquiatra
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