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Acordava cansada. Talvez pelas exigências do cotidiano;
talvez pelas preocupações que levava para a cama; talvez
pelo trabalho noturno do inconsciente. Doente não estava, conforme
asseguravam os exames que Marcela, impreterivelmente, realizava uma vez
por ano.
| "...se sentirmos que
cada ato realizado ou a realizar é parte de nossas escolhas
e estão a serviço de nossos projetos de curto, médio
ou longo prazo, o prazer será, com certeza, maior que o cansaço" |
Embora a persistência do cansaço possa
nos remeter a diferentes causas; observar como despendemos nossa energia
nas atividades do dia-a-dia poderá nos ajudar a amenizá-lo.
Comecemos pelos primeiros pensamentos, assim que despertamos. |
Algumas pessoas se dizem cansadas só em lembrar
o que as espera pela frente. As várias e diversificadas tarefas
aparecem em desordem, fazendo com que pareçam ainda mais difíceis
e pesadas. Nesse caso, a primeira providência é colocá-las
em seqüência por prioridade, dando-se, se necessário,
um tempo para escrevê-las. Além de favorecer a organização
do pensamento, dispor de algo concreto nos deixa mais seguros.
A qualidade dos pensamentos é outro fator a ser considerado. Quando
negativos, minam a energia; o corpo reage com sintomas de indisposição
ao que achamos que não vai dar certo, comprometendo as ações
seguintes. Por outro lado, mentalizar essas ações, procurando
antecipar as agradáveis sensações de seus bons resultados,
tem o poder de nos manter alertas e ágeis. Esse estado de prontidão
nos permite aproveitar melhor o tempo, corrigir lapsos, ou criar soluções
para transpor possíveis obstáculos.
Além disso, com os canais da percepção abertos, conseguimos
identificar com mais clareza cada passo a ser dado para ao cumprimento
das metas estabelecidas; assim como avaliar a real importância de
cada uma e mudar, durante o percurso do dia, aquilo que considerarmos
inútil. Não apenas a força mental ou emocional, mas
também a física deve ser devidamente direcionada: cuidar
da respiração, do nível de tensão muscular,
das posições do corpo, durante as atividades. Essa prática
salutar, com o tempo, vai renovando nossa energia.
Nada disso, porém, fará sentido se, nesse processo, não
for dada a atenção necessária aos nossos desejos.
A pergunta a ser feita por Marcela, então, deveria investigar o
quanto suas ações diárias estariam de fato colaborando
com eles. Se as conduzirmos de modo a nos revelarem o que há de
melhor em nós, se sentirmos que cada ato realizado ou a realizar
é parte de nossas escolhas e estão a serviço de nossos
projetos de curto, médio ou longo prazo, o prazer será,
com certeza, maior que o cansaço.
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