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por Roberto Santos
É fato o grande sucesso de livros de autoajuda
voltados para o meio profissional, mais especificamente para gestão
e liderança. Um bom exemplo é o "Monge e o executivo"
como livro de cabeceira de muitos gestores e estudantes de MBA, que dá
ênfase à liderança educadora, humildade, transparência,
autoridade, etc. Porém, noto que na prática, as empresas
têm valorizado e promovido gestores que não possuem essas
qualidades, pelo contrário: arrogantes, utilizam do poder para
"convencer" seu subordinados, falta de transparência nas
ações ... Você saberia dizer por que isso ocorre?
| "Há uma década,
não se imaginaria um movimento de protesto do tipo "Occupy
Wall Street" (Ocupar Wall Street -- o centro financeiro mais
importante dos Estados Unidos e do mundo). A pressão absurda
pelos resultados de curtíssimo prazo geradas pelo modelo financeiro
que impera no planeta faz com que a rotatividade atual de presidentes
de empresa seja cada vez maior -- em média, esses executivos
sobrevivem menos de 5 anos em seus cargos e logo são trocados
e juntos com eles, uma cascata de dominós cadentes de trocas
nos cargos de confiança" |
Resposta: Excelente
sua pergunta! Vivemos um momento de transformação dos
valores organizacionais e do que é admirado nas empresas e
nos gestores, mas ainda, o que predomina nas empresas é muito
mais a incompetência gerencial do que sua competência.
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Sobre este tema, escrevi uma série dos "11
Descarriladores de Carreira" (clique aqui
e leia) no Vya Estelar, em que apelido os gestores
que você cita como os "chefes mala-sem-alça". O
Dr. Robert Hogan, ilustre psicólogo organizacional e fundador/presidente
da Hogan Assessment Systems (que minha empresa representa no
Brasil) afirmou anos atrás, para revolta de muitos, que o índice
de incompetência gerencial girava em torno de 65%. Quando eu fiz
a a conta da minha própria experiência com gestores incompetentes,
minha avaliação bateu com aquela previsão -- vide
artigo do Vya Estelar "Incompetência Gerencial
em Minha Vida" (clique aqui e leia).
Desde que ele fez aquela afirmação, várias pesquisas,
relacionadas com rotatividade e perda de talentos pelas organizações
e outras -- a têm confirmado. Há uma máxima consagrada
sobre isso: "As pessoas não deixam as organizações,
elas deixam os chefes" -- arrogantes, ardilosos, puxa-sacos, temperamentais
e outros descritos nos artigos mencionados.
Resta ainda responder a outra parte de sua indagação e por
que não completar, indignação com as incongruências
entre o que se prega e o que pratica. Em momentos de transformação,
convivemos com opostos que, esperamos no tema citado, passem a se tornar
menos marcantes e possam adotar uma direção e sentido diferentes:
da autocracia para a democracia, da "esperteza" para a integridade,
da arrogância para a humildade e assim por diante.
Não sei sua idade, mas há 30 anos, no começo de minha
carreira, apenas se começava a se criticar o estilo "manda
quem pode, obedece quem tem juízo" -- sinônimo de autoritarismo
que respirávamos na negra fase de nossa história dos ditadores
militares. Claro que ainda hoje esses dinossauros corporativos ainda circulam
pelos organogramas, mas principalmente, as empresas globais de porte,
de grande visibilidade no cenário da responsabilidade social, passam
a dar prioridade a um estilo de liderança participativo e princípios
éticos em todas suas vertentes da responsabilidade social. Esses
gestores são avaliados não apenas pelo fechamento das quotas
de vendas do mês, mas pelos resultados nas pesquisas de clima, de
engajamento, e de gestão, segundo seus subordinados.
Há uma década, não se imaginaria um movimento de
protesto do tipo "Occupy Wall Street" (Ocupar Wall Street --
o centro financeiro mais importante dos Estados Unidos e do mundo). A
pressão absurda pelos resultados de curtíssimo prazo geradas
pelo modelo financeiro que impera no planeta faz com que a rotatividade
atual de presidentes de empresa seja cada vez maior -- em média,
esses executivos sobrevivem menos de 5 anos em seus cargos e logo são
trocados e juntos com eles, uma cascata de dominós cadentes de
trocas nos "cargos de confiança".
O sentido original das corporações de se beneficiar as comunidades
onde nasceram, se perdeu diante de uma ganância individual e disparidades
sociais crescentes, onde o "resultado a qualquer custo" é
a palavra de ordem. Entretanto, meu histórico profissional de 35
anos no meio empresarial, aliado a meu otimismo, me permite acreditar
que vivemos uma transição para valores mais humanizados
e de relacionamentos sustentáveis também nas Organizações
lucrativas e torcer para que você e outros jovens possam viver dias
melhores.
Feliz Mundo Novo!
Esta coluna trata exclusivamente de ASSUNTOS PROFISSIONAIS,
pedimos a gentileza de enviar somente perguntas pertinentes a esse tema.
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