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Pode-se tomar antidepressivos durante a gravidez? |
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| por Joel Rennó Jr. | |||||
| Esta é uma questão muito frequente e que gera várias dúvidas aos internautas. Recebo muitas perguntas sobre o tema. Na prática clínica, todos os riscos e benefícios do tratamento versus não-tratamento devem ser avaliados. Somente o médico, após ampla avaliação, em conjunto com a paciente, é que pode tomar uma decisão adequada individualizada, após a averiguação dos diversos fatores envolvidos. Os antidepressivos devem ser avaliados em relação aos riscos de teratogênese (má formação do feto que ocorre no primeiro trimestre de gestação), hipertensão pulmonar do recém-nascido, má adaptação neonatal aguda (bebê nasce com dificuldades de respiração, alterações de reflexos, irritabilidade e contrações musculares entre outros sinais e sintomas). Outro aspecto que deve ser avaliado é se o antidepressivo pode ou não levar a alguma alteração do desenvolvimento neurocognitivo e da linguagem do bebê. Não há embasamento científico sólido que evidencie tais alterações de desenvolvimento da criança até o presente. Há uma classificação da Agência Americana que regula medicamentos, o FDA (Food and Drug Administration), dos riscos dos vários tipos de medicamentos durante a gravidez em 5 categorias (categorias A, B, C, D e X). Quanto aos antidepressivos, embora não haja nenhum medicamento isento de riscos, a grande parte deles é classificada nas categorias B e C. A categoria B é assim definida: 1. Estudos em animais não demonstraram risco teratogênico, enquanto não se dispõe de estudos controlados na gravidez humana; ou 2. Estudos em animais têm demonstrado efeitos teratogênicos que não foram confirmados em grávidas humanas durante o primeiro trimestre da gestação, e não existem evidências de riscos em trimestres posteriores. Já a categoria C é assim definida: 1. Estudos em animais têm demonstrado efeitos teratogênicos sobre o feto e não existem estudos em mulheres; ou 2. Não existem estudos disponíveis em mulheres, nem em animais. São medicamentos que só devem ser administrados se o benefício esperado para a mãe justificar o risco potencial para o feto. Entre as questões que devem ser consideradas com medicações
serotoninérgicas (que aumentam a concentração de
serotonina como a fluoxetina, sertralina, citalopram) estão os
efeitos teratogênicos e comportamentais agudos e de longo prazo
nas crianças. Por outro lado, sabe-se também que a ansiedade da mãe durante a gravidez afeta adversamente o bem-estar materno e fetal. Vários estudos concluem que as mulheres grávidas com ansiedade e depressão devem ser vigorosamente examinadas e tratadas para reduzir o risco da mãe e do bebê. A depressão ou transtorno de ansiedade não tratados podem levar a retardo do crescimento intrauterino, baixo peso ao nascer, parto prematuro e até risco de abortamento. Poucos profissionais, infelizmente, acabam levando isso em consideração. Preferem ser radicalmente contrários a quaisquer abordagens medicamentosas na gravidez, quase de forma doutrinária. Quanto à hipertensão pulmonar do recém-nascido
(que ocorre no terceiro trimestre de gestação) os dados
até o momento são contraditórios e controversos
entre alguns estudos. Porém, tais cuidados devem ser analisados
na administração de antidepressivos. Artigos relacionados - clique no título Leia entrevista: Fatores que atuam na saúde mental da mulher aliados ao ciclo reprodutivo Como tratar e lidar com a ansiedade na gravidez Estou grávida e com síndrome do pânico. O que devo fazer? Yoga
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