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Estou grávida de um mês,
infelizmente o pai da criança é usuário de crack
Resposta: Tem havido muitas pesquisas avaliando os efeitos
indesejáveis e altamente nocivos ao feto do consumo de nicotina,
álcool, maconha, cocaína/crack, heroína e outros
opióides (dentre outras substâncias) pela mãe durante
a gravidez.
Carência de estudos
No entanto, menos estudos têm dedicado
esforços na avaliação dos efeitos nocivos sobre o
feto do consumo dessas substâncias apenas pelo pai. Mesmo porque,
em muitos casos estudados, os dois genitores fazem uso de substâncias
ao mesmo tempo.
Evidências
Embora pesquisas sobre o relacionamento entre o uso dessas substâncias
pelo pai e os efeitos sobre a cognição, comportamento e
saúde física do bebê têm sido limitadas, algumas
evidências científicas sugerem que o consumo de drogas pelo
genitor pode influenciar negativamente o feto.
Por mecanismos ainda não plenamente esclarecidos, o consumo excessivo
de bebidas alcoólicas pelo pai afeta negativamente o feto tanto
em termos comportamentais quanto cognitivos, mesmo quando a mãe
não consome bebidas alcoólicas. Prejuízos de memória,
linguagem, desempenho acadêmico e atenção têm
sido observados entre filhos de pai alcoolista.
De fato, é realmente muito difícil formular uma explicação
para esta situação. Alguns autores têm apontado que
os filhos de pai usuário de álcool e/ou outras substâncias,
durante a gestação, sofrem várias influências
ambientais e sociais negativas (estresse da mãe, exposição
da mãe às drogas e inadequado suporte do pai durante a gestação).
Realmente, o fato do genitor fazer uso de cocaína/crack frequentemente
está associado com maior desgaste físico e psicológico
da mãe, maior chance de comportamentos agressivos pelo pai, maior
risco de complicações legais pelo usuário e várias
dificuldades relacionais entre o pai e a mãe. Tudo isso, seguramente,
afeta o período da gestação.
Por outro lado, alguns autores aventam que filhos de pai com dependência
química apresentam maior chance de desenvolver quadro clínico
de dependência química no futuro e, muitas vezes, alterações
comportamentais e cognitivas discretas podem ser vislumbradas na infância.
Outros estudos têm verificado que pais usuários crônicos
de cocaína podem apresentar alguns defeitos nos espermatozóides,
como redução da mobilidade, diminuição da
produção e maior risco de anormalidades morfológicas.
Alguns estudos experimentais, realizado em ratos, têm mostrado que
ratos (machos) que fizeram uso de cocaína cronicamente podem gerar
uma prole com baixo peso e tamanho, além de aumentar o risco de
morte neonatal. Mas, repetindo, esse estudo foi experimental.
Trata-se de assunto bastante vasto, onde inúmeras variáveis
podem interagir em um resultado bastante insatisfatório. De qualquer
forma, a sua preocupação é bastante pertinente e
você deve sempre fazer seu acompanhamento pré-natal de forma
adequada. O pai da criança deve imediatamente procurar ajuda médica
e psicológica para cessar o consumo dessa substância. Isso,
seguramente, amenizará quaisquer prejuízos futuros para
o seu filho.
Abaixo, forneço interessante recomendação de leitura
sobre este assunto.
Frank, D. A., Brown, J., Johnson, S., & Cabral, H. (2002). Forgotten
fathers: an exploratory study of mothers' report of drug and alcohol problems
among fathers of urban newborns. Neurotoxicol Teratol, 24(3), 339-47.
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Atenção!
As respostas do profissional desta coluna não substituem uma
consulta ou acompanhamento de um profissional de psiquiatria e não
se caracterizam como sendo um atendimento
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