Medicina Complementar
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Tratamento de hidradenite é mais eficaz, se aliado à medicina complementar
por Alex Botsaris

"O emprego das estratégias da medicina complementar não invalida os tratamentos convencionais. Num problema tão complexo e de difícil manejo, todos os recursos possíveis, devem ser utilizados em combinação para que o controle definitivo da hidradenite supurativa seja alcançado" Hidradenite supurativa, ou hidrosadenite, é uma doença que acomete as glândulas sudoríparas das axilas, *regiões inguinais (virilha) e partes internas das coxas, e que ocorre a partir da adolescência acometendo principalmente os adultos jovens.

Essa doença costuma ficar crônica, ocasionando muito sofrimento e desconforto para os pacientes. Novas lesões vão surgindo, enquanto as antigas ficam eliminando secreção por longos períodos ou formam feias cicatrizes hipertróficas - é chamada de queloide: aquela que fical alta, dura e feia. O que é assustador é que a incidência dessa doença está aumentando, se tornando cada vez mais comum, sem que a medicina saiba a razão disso. Atualmente todo mundo tem pelo menos uma pessoa na família ou no seu universo de relações sofrendo com os terríveis abscessos que nunca melhoram.

Os tratamentos disponíveis ainda deixam muito a desejar e a medicina não sabe o motivo pelo qual as lesões ficam crônicas e recorrentes. Os tratamentos que têm sido propostos incluem o uso prolongado de antibióticos, uso de derivados da vitamina A, e cirurgia, onde todas as glândulas acometidas são retiradas. Recentemente, até anticorpos monoclonais (aqueles produzidos com biotecnologia para neutralizar alguma proteína do organismo) que inibem um mediador de inflamação chamado TNF alfa foram usados. Essas drogas são extremamente caras, necessitam administração venosa, e mesmo assim o resultado é parcial e limitado.

Verdade seja dita, não houve esforço significativo para entender as verdadeiras causas dessa doença. Alguns autores sugerem que possa haver um fator genético, que facilitaria o entupimento das glândulas e em seguida a formação de abscessos. Entretanto, essa doença em geral se comporta como um problema regional, afetando áreas específicas, enquanto outras áreas potenciais ficam livres do problema. Se o principal fator fosse uma secreção demasiadamente espessa geneticamente determinada, sempre todas as áreas susceptíveis seriam acometidas.

Os exames de cultura tem revelado bactérias da flora local como estafilococo e estreptococo, e às vezes germes do tubo digestivo, como o pseudomonas, sempre em associação (mais de uma bactéria por paciente), e em combinações diferentes. Como cada paciente possui um perfil de bactérias particular, os pesquisadores têm acreditado que esses agentes são apenas oportunistas e não tem importância fundamental na gênese da doença.

Na minha opinião, é preciso um olhar inovador sobre as causas desse mal, assim como empregar as armas da medicina complementar, em conjunto com os tratamentos convencionais para vencer esse enorme desafio. Quem é portador de hidradenite supurativa sabe a via crucis que é obrigado a suportar, indo de especialista em especialista sem encontrar solução definitiva, carregando o constrangimento que a doença causa, como uma cruz. O primeiro passo para montar uma estratégia que funcione é tentar entender o mecanismo que faz a hidradenite se tornar crônica e recorrente.

Mesmo que não tenha uma comprovação científica definitiva, tenho feito a hipótese que um dos fatores importantes é que haja um plasmídio – um tipo de DNA que as bactérias trocam entre si - que codifique uma enzima que, por sua vez, transforme o suor dessas glândulas, tornando-o viscoso e ocasionando o seu entupimento. Esse DNA de plasmídeo pode ser captado e utilizado por qualquer bactéria, o que explica porque os estudos bacteriológicos mostram sempre espécies de bactérias diferentes. Para neutralizar isso há uma medida muito simples, que é passar leite de magnésia nas regiões afetadas, e nas dobras do corpo, que podem funcionar como reservatórios dos germes com potencial de gerar os abscessos.

O uso de leite de magnésia para tratar esse problema é um recurso que brotou de forma espontânea através do saber popular, mas faz todo sentido. O magnésio é muito alcalino e com isso eleva o pH da pele dessas áreas que é bem ácido. Com a mudança de pH, o crescimento das bactérias que causam o problema pode ficar muito comprometido, e elas podem até desaparecer, pois costumam ter exigência de pH ácido para sobreviver. Além disso o pH alcalino também poderia impedir que essa enzima que eu suponho que exista, cause o entupimento das glândulas (enzimas possuem exigência de pH para funcionar), ou ainda o magnésio interferiria com qualquer outro mecanismo químico que cause obstrução das glândulas, melhorando o quadro.

Ainda focado em modificar a flora local, recomendo que meus pacientes ingiram um suplemento diário de lactobacilos, e ainda os apliquem, misturados ao polvilho antisséptico, nas regiões afetadas. Também emprego o óleo de melaleuca (tea tree), extraído de uma árvore australiana, e que tem uma potente atividade antisséptica local, uma vez por semana, naqueles que não responderam apenas ao leite de magnésia.

Outro fator, esse mapeado pela medicina, que pode estar envolvido na sua gênese é o estímulo das glândulas sudoríparas das áreas afetadas pelos hormônios esteroides sexuais, motivo pelo qual a maior incidência de início dessa doença é entre adolescentes e adultos jovens. Nessas faixas etárias há um aumento dos esteroides sexuais endógenos, o que leva a modificações na natureza do suor das axilas e regiões inguinais. Sabemos, por outro lado, que há um aumento de muitas doenças como câncer ginecológico e de próstata, atribuídos aos xenoesteroides, substâncias sintéticas com atividade hormonal que contaminam os alimentos. É possível que o aumento de incidência da hidradenite supurativa esteja relacionado também a maior exposição das pessoas aos xenoesteroides. Por isso é uma é uma boa recomendação mudar para uma alimentação orgânica, evitar excesso de carnes e derivados de leite, e colocar muita fibra vegetal na dieta. Em alguns pacientes foi possível notar que a modificação na alimentação foi a medida que mais causou impacto positivo na redução da atividade de doença.

Por fim, algumas pesquisas mais recentes têm sugerido que as células das glândulas afetadas nessa doença, expressam mais receptores para inflamação, gerando uma resposta inflamatória excessiva e aumentando a quantidade de secreção; o que pode criar um ambiente mais favorável para as bactérias persistirem de forma crônica no seu interior. Foi isso que motivou o uso de drogas modernas com grande potência anti-inflamatória, como os anticorpos monoclonais, que já expliquei acima. Na minha modesta opinião as plantas medicinais com atividade imunomoduladora têm um efeito semelhante aos MABs (anticorpos monoclonais), com um custo, risco e desconforto para administração muito menores. Eu associo o astrágalo (Astragalus membranaceus), a unha de gato (Uncaria tomentosa) e a equinácea (Echinacea purpurea), entre outras, em uso prolongado, adequando as particularidades de cada caso.

O emprego das estratégias da medicina complementar não invalida os tratamentos convencionais. Num problema tão complexo e de difícil manejo, todos os recursos possíveis, devem ser utilizados em combinação para que o controle definitivo da hidradenite supurativa seja alcançado. Assim em casos com fistulas, cicatrizes hipertróficas muito extensas, ou abscessos que não resolvem, a extração cirúrgica pode ser a melhor opção, assim como indico antibióticos quando os sinais de inflamação e infecção são intensos.

Usando os recursos da medicina complementar em associação com a medicina convencional de uma maneira inteligente e racional, tenho conseguido melhora em vários casos com um curso desfavorável, mas ainda existem aqueles indivíduos onde os esforços não são suficientes para resolver definitivamente o problema. Vamos torcer para que nos próximos anos novas armas estejam disponíveis para acabar de vez com essa fonte de sofrimento para tantas pessoas.

Anat. Ref. ou pertencente à virilha (gânglios inguinais). Fonte: iDicionário Aulete

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Atenção! Esse texto e esta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um médico e não se caracterizam como sendo um atendimento

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Alex Botsaris
é médico especializado em Medicina Complementar
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