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Será que sou hipocondríaco?
por Joel Rennó Jr.

Como superar isso? Existe algum perigo em ser hipocondríaco?

Resposta: Para grande parte da sociedade, a hipocondria é tema jocoso e desrespeitoso, com piadas inadequadas. Afinal, quem nunca cismou ou conhece alguém que teima estar doente, mesmo sem apresentar sinais claros de doença? O problema é que para algumas pessoas a crença de que há algo errado com elas interfere no dia-a-dia, causa angústia e até depressão. Nesses casos, a doença imaginária provoca um sofrimento verdadeiro. E há situações em que o quadro perdura por anos devido à falta de interesse dos profissionais de saúde pelas queixas do hipocondríaco. Ele anda de um consultório para outro sem encontrar um médico disposto a lhe apontar uma saída.

"A hipocondria não é considerada uma doença pela Organização Mundial de Saúde, porque não apresenta um conjunto claro de sintomas"A hipocondria é um transtorno mental se o indivíduo tem medo de padecer de uma moléstia grave, persiste nesse tormento mesmo após avaliação médica, sofre por causa disso e tem a vida social prejudicada em virtude de seu estado. A hipocondria não é considerada uma doença pela Organização Mundial de Saúde, porque não apresenta um conjunto claro de sintomas. Classificada como um transtorno, atinge mais de 1% da população mundial.

O risco de *iatrogenia é grande. Há casos insistentes de pacientes que conseguem até convencer seus médicos a fazerem determinadas cirurgias. Como médico, eu já presenciei, infelizmente, casos de pacientes que foram submetidos a várias cirurgias desnecessárias e até tiveram lesões decorrentes.

Principais sintomas do hipocondríaco

- Grande sensibilidade para identificar movimentos, sons, ruídos e outros sinais do corpo que passariam despercebidos para a maioria das pessoas.
- Dar importância demais a qualquer sinal físico ou dor, costumam ficar ansiosos e temerosos.
- Impressão de que qualquer dorzinha ou desconforto é sinal de doença grave.
- Tomar remédios com freqüência, sem prescrição médica.
- Ter necessidade de consultar vários médicos, apesar de vários deles terem feito o mesmo diagnóstico com base nos resultados dos exames. Geralmente, andam com inúmeros exames arquivados em pastas nas suas peregrinações pelos profissionais
- Viver com a suspeita constante de ser portador de alguma enfermidade grave.

A doença tem até tratamento, que consiste em psicoterapia e, às vezes, medicação (antidepressivos e ansiolíticos). É perigoso o uso de medicamentos autoprescritos, com riscos de efeitos colaterais graves e intoxicações. A associação com transtornos de humor e ansiosos também é comum.
Alguns médicos podem se irritar ao deparar com um paciente cheio de lamentações, porém sem sintomas reais. E muitos profissionais cedem às queixas. O médico deve usar toda a sua sensibilidade e conhecimento para conseguir ajudar o paciente.

Continuarei o assunto na próxima coluna.

*Iatrogenia: qualquer alteração patológica provocada no paciente por um procedimento médico errôneo ou inadvertido, isto é, feito sem reflexão

Atenção!
As respostas do profissional desta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um profissional de psiquiatria e não se caracterizam como sendo um atendimento

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Joel Rennó Jr.
Doutor em Psiquiatria pela Faculdade de Medicina da USP. Coordenador do Projeto de Atenção à Saúde Mental da Mulher-Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP. Médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein-SP (HIAE)
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