| Este Superguia terá mais
3 textos
1) O que é meditação yogue? Resposta:
Técnica desenvolvida pelos antigos sábios yogues da Índia,
a meditação visa a acalmar a mente, que, quando se encontra
serena e centrada, experimenta uma profunda sensação de
paz, bem-estar e contentamento. No segundo sutra (*aforismo) do terceiro
capítulo do Yoga Sutras (Aforismos do Yoga), o grande sábio
e yogue Patañjali (autor do Yoga Sutras; pesquisadores modernos
consideram que ele, provavelmente, tenha vivido no século II d.C.,
embora a tradição hindu o relacione ao gramático
que viveu no século II a.C.) conceitua o termo meditação:
Conceito de meditação
“Tatra (eis) pratyaya (do empenho ou esforço mental) ekatanata
(contínuo) dhyánam (meditação).” Ou
seja: “Do contínuo empenho ou esforço mental (referindo-se
à concentração, no sutra anterior), resulta a meditação.”
O virtuoso e grande sábio Vyasa (atribui-se a ele a autoria da
epopéia Mahábhárata; compilador de quatro hinos védicos,
de muitos Puranas e de outros trabalhos, como o Yoga-Bhâshya e comentários
sobre o Yoga Sutras de Patañjali) fez o seguinte comentário
a respeito desse sutra: “Meditação é um estado
de contínua e prolongada concentração no objeto de
contemplação, intocável por qualquer outro pensar.”
Dhyana (meditação) é
a condição sob a qual se presta ininterrupta atenção
ao objeto de contemplação.
É a concentração mais profunda (mais aprimorada)
e prolongada. Quando se vivencia o estado de profunda e prolongada concentração,
alcança-se a meditação. Durante a meditação,
o praticante pode manter a sua atenção (consciência)
voltada apenas para um objeto, durante o tempo que desejar, e a distração
não mais afeta a sua mente. Nesse estágio, entretanto, ainda
existe uma dualidade: o indivíduo (a pessoa que medita) e o objeto
de sua contemplação. Uma vez perdida a noção
da dualidade, a meditação transforma-se em samádhi
(êxtase ou estado de hiperconsciência). A meditação
apresenta um efeito calmante e revitalizante sobre o sistema nervoso (hipotálamo)
e sobre todo o organismo, desperta “insights”, a “luz”
interior e alguns siddhis (poderes psíquicos).
2) Existem outros tipos de meditação?
Resposta: Sim. A Meditação Transcendental,
criada pelo Maharishi Mahesh Yogi (em 1967, atraiu a atenção
de George Harrison e dos Beatles); a Meditação Vedanta (tradição
filosófica predominante no Hinduísmo, que ensina que a “Realidade”
é não-dual); Vipassana (antiga técnica de meditação
da Índia, praticada por Buddha Gautama); Zen (nesse tipo não
existe um ponto focal, o praticante se volta para uma parede nua, que
simboliza o vazio); da Medicina Tradicional Chinesa; dentre diversas outras.
O praticante deve optar por aquela técnica de meditação
com a qual mais se identificar, que mais lhe aprouver, que lhe seja mais
eficaz. Patañjali descreveu e conceituou de forma didática,
profunda e muito sábia um caminho efetivo e seguro (dividido em
oito partes) para se alcançarem os estados de concentração,
meditação e samadhi.
Por 21 anos, utilizo com muita efetividade a metodologia de Patañjali
e a ensino há 17 anos aos meus alunos. Aprendi a concentrar e a
meditar com a técnica desse grande sábio e mestre yogue.
Cultivo a profunda gratidão aos grandes mestres Shiva e a Shri
Maharishi Patañjali pelos preciosos ensinamentos do Yoga. A técnica
de meditação proposta por Patañjali no Yoga Sutras
é tão antiga quanto o próprio nascimento do Yoga,
considerada a mãe de todas as outras.
3) A prática regular e integral do Yoga auxilia na meditação?
Resposta: Sim. A meditação é o
sétimo passo (anga) do Yoga, é um degrau importante dessa
ciência milenar, consiste no próprio Yoga. Como foi explicado
anteriormente, Patañjali sistematizou de forma sábia e concisa,
em 194 aforismos (sutras, frases de caráter sentencioso que encerram,
de modo conciso, um profundo conhecimento ou pensamento), os mais importantes
ensinamentos do Yoga e, inclusive, o caminho para se atingir a meditação
que passa pela prática sistemática e regular de ásanas
(posições psicofísicas), pránáyámas
(exercícios respiratórios que visam o controle da respiração
e da energia vital) etc.
4) Quais as oito partes que constituem o Yoga segundo a sistematização
de Patañjali?
(1). Yama (5 disciplinas) e (2). Niyama (5 deveres) constituem o chamado
“Código de Ética Yogue”; (3). Ásana (posição
psicofísica); (4). Pránáyáma (controle da
respiração); (5). Prátyahára (desligamento
dos sentidos); (6). Dharána (concentração); (7).
Dhyána (meditação) e (8). Samádhi (êxtase,
iluminação da consciência, estado de hiperconsciência).
A divisão do Yoga em oito partes ou degraus (Ashtânga-Yoga)
parece ter sido uma compreensão inovadora de Patañjali e
representa o clímax de um longo desenvolvimento da ciência
e tecnologia yogue. A maior parte do Yoga Sutras dedica-se ao estudo do
Kriya-Yoga (nome que Patañjali dá à prática
da ascese (tapas), do estudo (svâdhyâya) e da devoção
(ishvara-pranidhâna)).
5) Quais os requisitos necessários ao aprendizado da meditação?
Resposta: Disciplina, perseverança, determinação,
interesse, devoção, estudo e prática sob a orientação
de um mestre gabaritado, experiente e conhecedor do Yoga e da metodologia
de Patañjali (que tenha estudado o Yoga Clássico como é
ensinado e praticado na Índia pelas renomadas escolas, evitando-se
que a sua essência e seus preciosos ensinamentos se percam), prática
regular do Yoga e da meditação sem interrupções,
levando-se em consideração o horário mais recomendado.
6) Como praticar a meditação?
(1). Num lugar tranqüilo, sente-se numa posição
yogue que tenha dominado, ou numa cadeira, e mantenha a coluna vertebral
alinhada, preservando a curvatura natural da coluna lombar. Feche os olhos
e volte a atenção para o interior. Concentre-se na respiração
e procure acalmá-la, respirando de forma lenta, suave e profunda,
prolongando a entrada e a saída do ar dos pulmões, e relaxe
todo o corpo, removendo as tensões. Adote esse procedimento durante
toda a prática de meditação.
Após, una as palmas das mãos em Anjáli Mudrá
(“gesto de saudação”, mãos justapostas
na altura do peito; o que favorece a reflexão e a interiorização).
Sinta que de seu interior emana uma bela luz azul (acalma as emoções,
os pensamentos e auxilia no combate das tensões psíquicas
e musculares) que se expande ao redor de seu corpo, formando um campo
de energia e proteção.
Após alguns instantes visualizando o campo de luz azul ao redor
de seu corpo, repouse os antebraços sobre os joelhos, mantendo
as mãos em Jñana Mudrá (“gesto do conhecimento
superior”, as palmas das mãos voltadas para cima, com as
pontas dos dedos indicador e polegar unidas, do nascer ao início
do pôr-do-sol; ou, voltadas para baixo, após o pôr-do-sol
até o alvorecer); desligue-se, gradativamente, dos sentidos, interiorizando-se
e silenciando a mente.
Então, dirija a atenção para o espaço entre
as sobrancelhas (bhrumádhya drishti – fixação
entre as sobrancelhas –, região onde se encontra a sede da
mente e o Ájña Chakra; ao dirigir a atenção
para essa região do corpo, torna-se mais fácil de a mente
se concentrar), concentre-se, verbalizando ou mentalizando o mantra OM
(som muito positivo que simboliza o Absoluto, o nascimento do universo
e favorece a purificação da mente e a concentração).
Nas primeiras semanas, o iniciante pode repetir o procedimento durante
10 minutos; com o hábito, pelo menos durante 20 minutos diários.
(2). Siga as recomendações preliminares
do item (1). Quando o ritmo respiratório estiver calmo, regular
e a mente calma e mais centrada, passe para o passo a seguir. Concentre-se
na respiração e no espaço entre as sobrancelhas.
Ao inspirar de forma lenta, suave e profunda, pelo nariz, mentalize prolongadamente
o mantra OM (durante toda a inspiração) e, ao expirar (durante
toda a expiração), o mantra SHAM. Nenhuma outra idéia
ou pensamento deve ocupar a mente. Persista no exercício de concentração
por alguns minutos; com a prática, dedique-se pelo menos 20 minutos
diários.
(3) Siga igualmente as recomendações preliminares
do item (1). Concentre-se na respiração e no espaço
entre as sobrancelhas. Quando o ritmo respiratório estiver calmo,
regular e a mente calma, mais centrada, e o corpo livre de tensões,
concentre-se na repetição verbal e prolongada das vogais
dos seguintes fonemas em ordem seqüencial: NA, MÁ, SHÍ,
VÁ, YÁ. Repita o procedimento durante alguns minutos. Durante
o exercício, nenhuma outra idéia ou pensamento deve distrair
a mente. Com a prática, medite nesse poderoso mantra pelo menos
durante 20 minutos diários.
(4) Quando o ritmo respiratório estiver sereno,
regular e a mente calma, centrada, e o corpo relaxado, concentre-se para
visualizar um pequeno ponto luminoso de cor violeta no espaço entre
as sobrancelhas e concentre-se nele de forma prolongada. Nenhuma outra
idéia, pensamento ou figura devem ocupar a mente.
7) Quais os benefícios que a meditação
traz à saúde?
Resposta: Modernos estudos científicos, realizados
na Índia, China, Japão e em outras partes do mundo, demonstram
inúmeros benefícios da prática regular da meditação
e comprovam o que já afirmavam, há milhares de anos, os
antigos sábios e yogues da Índia e Zen Budistas:
1º) - mente calma (desacelera as ondas cerebrais);
2º) - aumento da capacidade de concentração,
produtividade e criatividade;
3º) - combate do estresse (neutraliza a produção
de hormônios a ele relacionados) e as tensões musculares
e psíquicas; relaxa a musculatura;
4º) - promove centralidade psicológica;
5º) - apresenta efeito tônico (revitalizador)
sobre o sistema nervoso e órgãos;
6º) - diminui e regulariza os batimentos cardíacos
(combatendo arritmias e taquicardia);
7º) - normaliza a pressão arterial (combatendo
a hipertensão, pois durante o relaxamento e a meditação
ocorre uma redução na produção de hormônios
ligados ao estresse, tais como: angiotensina (de poder vasoconstritor)
e vasopressina (favorece a reabsorção da água ao
nível dos rins, contrai as arteríolas e artérias
e eleva a pressão arterial);
8º) - combate a produção de radicais
livres que predispõem o organismo ao envelhecimento precoce e a
doenças degenerativas; fortalece a imunidade;
9º) - melhora a auto-estima e a autoconfiança;
alivia as dores agudas e crônicas;
10º) - promove bem-estar e contentamento. Isso acontece
devido ao aumento da produção de endorfina, que é
um neurotransmissor e também hormônio – composto de
31 aminoácidos –, descoberto em 1975, produzido durante a
prática de exercícios físicos, do Yoga, de relaxamento
neuropsíquico e muscular – Yoganidrá – e de
atividades prazerosas, cujos efeitos principais no organismo são:
melhoria da memória e do estado de espírito – bom
humor, elemento terapêutico indispensável para melhorar a
saúde física, emocional e mental –; aumento da resistência
e da disposição física e mental; estimula a imunidade;
apresenta efeito antienvelhecimento, pois combate os radicais livres;
apresenta propriedades analgésicas; e bloqueia possíveis
lesões dos vasos sangüíneos.);
11º) - combate a irritabilidade, a agressividade,
a depressão e as doenças de natureza psicossomáticas;
12º) - muito beneficia as pessoas que sofrem de
insônia, síndrome de ansiedade e distúrbio do pânico;
13º) - promove economia da energia orgânica;
diminui os níveis do mau colesterol sangüíneo;
14º) - aumenta o fluxo sangüíneo no
coração;
15º) - auxilia na regularização da
glicose (açúcar no sangue) de diabéticos do tipo
II;
16º) - melhora o controle respiratório (o
que muito beneficia pessoas portadoras de problemas respiratórios
e asmáticos);
17º) - auxilia no combate e na reversão das
doenças coronarianas, etc.
* aforismos: frases de caráter sentencioso que encerram, de modo
conciso, um profundo conhecimento ou pensamento
Artigos relacionados - clique no título
Objetivo da meditação na Medicina
Tradicional Chinesa
Por que meditação
tem efeito oposto ao do estresse
Treinar a concentrar-se é um dos pré-requisitos
para a meditação
Aprenda
a meditar caminhando
|