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19) O que é concentração?
Resposta: Dhárana é a técnica
de concentração do yogue. No primeiro *aforismo do capítulo
III do “**Yoga Sutras”, ***Patañjali, o conceitua da
seguinte forma: “Desha-bandhah (fixação em um único
lugar) chittasya (da mente) dhárana (concentração).”
Ou seja: “Concentração é a fixação
da mente em um único lugar ou objeto.” A concentração
é a focalização da mente (da atenção)
sobre um único objeto ou ideia; pode ser em um objeto externo ou
interno. A concentração é uma forma ou um método
de acalmar e estabilizar a mente, uma vez que ela é inconstante,
oscilante, dispersa, muito facilmente influenciável (pelos sentidos,
pensamentos, desejos e pelas informações) e, muitas vezes,
distraída.
A princípio, pode ser mais fácil concentrar-se em objetos
externos e concretos. Após um período de treinamento regular
da concentração em um objeto concreto e externo, o praticante
deve treinar a concentração interna e abstrata. A concentração
pode conferir ao praticante disciplinado uma experiência única
e muito interessante. Sua prática regular, disciplinada e perseverante
pode conferir ao yogue o poder de conquistar uma mente disciplinada, serena,
estável (sem muitas oscilações) e capaz de se concentrar
profundamente. Nessas condições, o poder do pensamento torna-se
extremamente poderoso. O perfeito domínio do controle respiratório
(pránáyáma) e da concentração (dhárana)
pode conferir certos siddhis.
20) Por que a concentração é indispensável
para se alcançar o estado de meditação?
Resposta: Não se pode alcançar o estado
de meditação se a mente não for capaz de se concentrar
em um único objeto de contemplação de forma profunda
e prolongada.
21) Cite uma técnica de concentração externa
e interna.
Resposta:
Concentração externa
Sente-se num lugar tranquilo com as pernas cruzadas (posição
de meditação yogue) e coluna vertebral alinhada, ou então
numa cadeira. Durante o exercício, respire de forma lenta, suave,
profunda e relaxe todo o corpo. Olhe atentamente, sem piscar os olhos,
para um ponto ou objeto pequeno externo e concreto, durante um ou dois
minutos, ou pelo maior tempo possível, sem tensionar os olhos e
os músculos oculares. Quando sentir os olhos cansados, pisque-os
algumas vezes (para lubrificá-los) e, depois, feche-os por alguns
instantes para descansá-los.
Com a prática, a duração de cada período de
contemplação pode ser aumentada gradativamente. Pode-se
olhar também fixamente para a ponta do nariz (naságra drishti
– fixação nasal), antigo método do yoga que
fortalece os músculos dos olhos e beneficia a visão. Tal
envesgamento temporário não prejudica a visão. Ou,
então, olhar fixamente para o espaço entre as sobrancelhas
(de frente para uma parede branca).
Como esse exercício, no início, pode ser incômodo
e cansativo para os músculos oculares, deve-se descansar os olhos
logo que se fizer necessário. Ou, ainda, concentrar-se numa chama
de vela (não muito próxima e nem muito distante, e num ambiente
sem corrente de ar, para que a chama tenha uma forma mais uniforme e estável),
tomando-se todos os cuidados preventivos contra incêndio.
No final do exercício, para descansar os olhos, pode-se friccionar
as palmas das mãos durante alguns instantes até aquecê-las;
quando estiverem quentes, feche os olhos e cubra-os rapidamente com as
palmas das mãos, transferindo a energia calorífica para
os olhos. Esse procedimento ajuda a relaxar a musculatura, descansa, nutre
(pois aumenta a circulação sangüínea na região)
e revitaliza os olhos.
Concentração interna
Siga as recomendações iniciais do item anterior. Sente-se
num lugar tranqüilo, com as pernas cruzadas na posição
de meditação yogue e mantenha a coluna vertebral alinhada,
ou então numa cadeira. Respire de forma lenta, suave, profunda
e relaxe todo o corpo. Olhe fixa e atentamente para a chama da vela, sem
piscar os olhos, por um ou dois minutos. Observe atentamente o formato
da chama, a cor e o seu tamanho. Tente extrair o máximo de detalhes
a respeito da chama da vela (não pensando em mais nada, somente
nela); depois, feche os olhos, concentre-se e tente reproduzir a chama
da vela em sua mente, no espaço entre as sobrancelhas. À
medida que a imagem da vela for desaparecendo de sua mente, volte abrir
os olhos e, mais uma vez, concentre-se na chama da vela, repetindo o procedimento
anterior.
Faça isso inúmeras vezes até conseguir reproduzir
nitidamente a chama da vela em sua mente. Quando isso acontecer, ocorrerá
um fenômeno muito interessante. Não se assuste, não
interrompa o exercício e prossiga na concentração.
Quando for capaz de reproduzir mentalmente a chama da vela em sua fronte,
estará bem próximo de conquistar uma poderosa concentração.
Após conquistar completamente essa técnica, o próximo
passo é desenvolver a concentração interior num objeto
abstrato. Volte a atenção para o espaço entre as
sobrancelhas e visualize um ponto pequeno luminoso de cor violeta (é
a cor do referido centro de energia ou chakra). Quando visualizar mentalmente
esse ponto, não desvie a atenção e prossiga firmemente
na concentração. A profunda concentração abre
uma porta para uma nova dimensão e percepção da consciência.
22) O que é samádhi e quais os passos para alcançá-lo?
Resposta: Sutra 3, do capítulo III – “Tad
(o mesmo) eva (o mesmo) artha (objeto, a luz do objeto) matra (sozinho/exclusivamente)
nirbhasam (bilhar com) svarupa (si mesmo) sunyam (desprovido de) iva (de
como era) samádhih (êxtase, contemplação).”
Ou seja: “Aquele que brilha com a luz do objeto de contemplação
e perde a noção de si próprio alcança o samádhi.”
Comentário de Vyasa: “Quando o objeto de contemplação
assume completa posse da mente, a contemplação revela adiante
apenas a luz da forma do objeto contemplado; desprovido de sua própria
cognição; então, isso é chamado de êxtase
(iluminação da consciência ou hiperconsciência).
Samádhi
Samádhi é a condição na qual apenas há
consciência do objeto da meditação e nenhuma consciência
da mente (do eu) em si. É a concentração no mais
elevado grau. Nesse estágio, não existe mais distração,
e a mente perde a noção de sua própria natureza e
torna-se consciente apenas do objeto de contemplação. Samádhi
ocorre quando a mente assume a natureza do objeto sobre o qual se medita,
esvaziando-se de sua própria natureza. É um fenômeno
único; quando ele ocorre, transforma a vida do praticante. O item
4 desta entrevista descreve os 7 passos para se alcançar o samádhi.
*Aforismo: máxima ou sentença que, em poucas palavras,
explicita regra ou princípio de alcance moral;
**Os Yoga Sutras (Aforismos do Yoga) são o texto clássico
que codificou o conhecimento tradicional sobre o Yoga
***Patañjali foi o compilador do Yoga Sutras, um grande trabalho
contendo aforismos sobre a sua prática e da sua filosofia, definindo
a prática do Raja Yoga
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