| "O exercício
da medicina não se resume apenas na prescrição
de medicamentos e nos procedimentos cirúrgicos, mas, sobretudo,
na prevenção das doenças e na valorosa e indispensável
pedagogia da saúde" |
Atualmente, com a disseminação de sucessivas
viroses, da gripe suína provocada por uma variante do vírus
H1N1 e de doenças infectocontagiosas, como a AIDS, a imunidade
(estado de resistência de um organismo vivo em relação
a um agente infeccioso capaz de causar doença) tem se tornado
alvo de grande interesse e de estudos de pesquisadores e cientistas
de várias partes do planeta. |
Biólogos, ambientalistas e tantos outros profissionais afirmam
que a cura das diversas doenças encontra-se nas matas e florestas.
As plantas têm sido utilizadas como remédio desde a Antiguidade.
Com o surgimento da indústria farmacêutica, a popularidade
da medicina à base de ervas declinou, embora 25% ou mais de todas
as drogas contenham ingredientes isolados de plantas. Hoje, a tecnologia
existente permite compreender mais claramente de que maneira as ervas
promovem a saúde e auxiliam na restauração do equilíbrio
na doença.
Função do sistema imunológico
A mais importante função do sistema imunológico é
a de proteger o organismo contra as doenças infecciosas (causadas
por vírus, bactérias e fungos) e o desenvolvimento do câncer.
O sistema imune talvez seja um dos sistemas mais complexos, importantes
e intrigantes do organismo humano. Apenas recentemente os cientistas compreenderam
a sua estrutura básica e as suas funções fisiológicas
de forma mais minuciosa.
As células killer (assassinas) naturais do sistema imune são
capazes de detectar e destruir as células que se tornam cancerosas
ou infectadas por vírus; elas compreendem a primeira linha de defesa
do organismo contra o seu desenvolvimento. Tais células podem ser
estimuladas através do emprego terapêutico de certas plantas
medicinais.
Naturopatia visa autocura e prevenção
A abordagem terapêutica do naturopata é basicamente
dupla: ajudar o enfermo na autocura e empregar a oportunidade para conscientizá-lo
da importância do cultivo diário de um estilo de vida mais
saudável e harmônico.
A naturopatia, que cuida da pessoa num todo (tratamento holístico),
muito tem a contribuir com a imunidade (principalmente, quando os antibióticos
alopáticos demonstram ineficazes perante uma infecção
bacteriana) e também a auxiliar no combate das doenças ocasionadas
pela sua supressão, mediante o emprego da:
- fitomedicina (remédios botânicos);
- suplementação nutricional (polivitamínica e polimeneral);
- dietoterapia (nutrição);
- recomendações específicas num processo infeccioso
agudo (o que fazer durante uma infecção?);
- terapias coadjuvantes (homeopatia, acupuntura tradicional chinesa, exercícios
terapêuticos de yoga, meditação, relaxamento neuropsíquico
e muscular, massagem, hidroterapia, etc.);
- e, também, o indispensável aconselhamento e modificação
do estilo de vida (adoção de um modo de vida saudável
e o combate do estresse e de hábitos errôneos e insalubres);
Aliás, medicina não se resume apenas em medicação
e procedimentos cirúrgicos, mas também na prevenção
e na valorosa pedagogia da saúde.
Fitomedicina
Muitas plantas ou ervas medicinais apresentam ação antibiótica
significante, como também atividade anti-inflamatória, antialérgica,
antibacteriana, antiviral, antifúngica e cicatrizante. O mais interessante
é que essas plantas não atuam apenas como antibióticos
“naturais”, mas também apresentam atividade imunoestimulatória
marcante, o que torna o seu emprego terapêutico justificável
e extremamente útil na prática clínica, principalmente
quando o assunto é imunidade.
O uso indiscriminado de antibióticos alopáticos, além
de causar resistência bacteriológica, dentre outros efeitos
colaterais, pode deprimir a imunidade. Quando o uso de antibiótico
tornou-se bastante difundido, observou-se imediatamente que as infecções
por leveduras (fungos) aumentaram. Os naturopatas recomendam o emprego
terapêutico de lactobacilos acidófilos (que podem ser facilmente
obtidos pelo consumo de coalhada e iogurte natural) após o uso
de antibióticos e corticosteroides por via oral para se refazer
a flora bacteriana intestinal (considerada benéfica e saudável,
importante para a manutenção do equilíbrio fisiológico
dos intestinos) e para o controle da "Candida albicans", cuja
proliferação pode causar candidíase.
Além de modernas pesquisas científicas, realizadas em várias
partes do mundo, que comprovam diversas propriedades terapêuticas
de inúmeras plantas, existe outra grande vantagem em se fazer o
emprego dessas plantas: elas são atestadas pelo tempo. Muitas dessas
ervas ou plantas medicinais são utilizadas há mais de 5
mil anos pela Medicina Indiana Ayurveda e Tradicional Chinesa
(e por outras medicinas, como a praticada na antiga Grécia),
um tempo considerado satisfatório para se conhecer de modo apropriado,
através de seu emprego clínico, as suas propriedades medicinais
e seus efeitos colaterais (quando administradas de forma inadequadas);
em contrapartida, muitos fármacos alopáticos, não
raro, são retirados das prateleiras, após alguns anos de
comercialização.
É comum, notadamente entre os médicos alopáticos,
a crença de que os “remédios” botânicos
não sejam verdadeiramente efetivos e o desconhecimento de que diversas
propriedades terapêuticas de inúmeras plantas medicinais
já foram comprovadas através de vários estudos químico-farmacológicos
em rigorosos ensaios clínicos, realizados principalmente no exterior.
Seria essa “desinformação” mantida pelo desinteresse
e, talvez, pela concorrência entre as indústrias farmacêuticas
alopáticas? Não é por acaso que a OMS – “Organização
Mundial da Saúde” recomenda, já há algum tempo
(desde os anos 1960), o uso da fitoterapia e das medicinas tradicionais
e alternativas aos seus países membros.
A Portaria nº 971 do “Ministério da Saúde”,
de 3 de maio de 2006, aprova a Política Nacional de Práticas
Integrativas e Complementares e inclui a fitoterapia, a homeopatia, a
acupuntura tradicional chinesa e a crenoterapia (uso terapêutico
interno ou externo das águas minerais com propriedades medicinais)
no Sistema Único de Saúde (SUS).
Este texto continua na próxima quinzena. Até lá!
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