| A hipertensão arterial, ou
pressão sangüínea alta, é uma doença
cardiovascular e pode ser definida como uma elevação da
pressão sangüínea acima de 150 (sistólica, máxima)
e 100 (diastólica, mínima) mm de Hg (mercúrio).
O “esfigmomanômetro”, aparelho utilizado para medir
a pressão arterial, constitui-se de uma braçadeira inflável
ligada a um manômetro. Os valores obtidos através desse aparelho
podem variar no decorrer do dia, portanto uma única leitura da
pressão arterial não é suficiente para se fazer o
diagnóstico da hipertensão.
Uma vez que esse mal se encontra relacionado a um aumento da doença
cardiovascular e ao óbito, a monitoração da pressão
sangüínea oferece um auxílio diagnóstico e prognóstico
não agressivo, praticamente sem custos e de grande valor.
São diversas as causas para o surgimento dessa doença: hereditariedade,
estresse decorrente da vida moderna, hábitos alimentares errôneos
(consumo excessivo de sal e gorduras saturadas), tabagismo, alcoolismo,
entre outras.
Para a Medicina Indiana Ayurveda, a hipertensão é uma desordem
que envolve o desequilíbrio dos três doshas (Vata, Pitta
e Kapha). Para o tipo Vata, ansiedade, preocupações, estresse
e tensão constituem os fatores principais. Para o tipo Pitta, raiva,
rancor e ciúme também contribuem para desencadear um quadro
de hipertensão.
É dividida em duas categorias principais:
• Hipertensão primária ou essencial -
(cerca de 90% dos casos diagnosticados; sua causa ainda é desconhecida).
Existe um número considerável de pesquisas que revelam que
uma variedade de fatores genéticos, nutricionais e ambientais é
responsável por essa condição. A hipertensão
momentânea, que se reduz espontaneamente, em geral, é ocasionada
por fatores emocionais (ansiedade, nervosismo e medo), estresse e, conseqüentemente,
tensão.
• Hipertensão secundária ou maligna
- (pressão alta típica e constante, cerca de 10% dos casos;
é secundária a uma outra doença; envolve afecção
(doença) dos rins (nefropatia); doenças do coração
e endocrinológicas; arteriosclerose (afecções caracterizadas
por um espessamento e um endurecimento das paredes arteriais, englobando
também o depósito de placas de colesterol sobre a parede
interna das artérias); retenção de sal e água
no organismo; obesidade; disfunção do cérebro; e
alguns tumores). Os fatores comportamentais, estresse, psicológicos
e emocionais desempenham um papel importante para ambos os tipos.
Estima-se que a população negra sofra mais de hipertensão
do que a população branca.
Alguns fatores desfavoráveis à hipertensão
• Raízes raciais negras.
• Juventude.
• Sexo masculino.
• Tabagismo.
• Alcoolismo.
• Estresse.
• Pressão sangüínea diastólica persistente
acima de 115 mm Hg.
• Obesidade.
• Diabetes mellitus.
• Níveis elevados de colesterol sangüíneo.
• Cardiomegalia (aumento do volume do coração), anormalidades
do ECG (eletrocardiograma) e insuficiência cardíaca congestiva.
Os homens com pressão diastólica normal (menos de 82 mm
Hg), mas com pressão sistólica elevada (acima de 158 mm
Hg), têm predisposição duas vezes maior de sofrer
de óbito cardiovascular em relação àqueles
que apresentam pressão sistólica normal (abaixo de 130 mm
Hg).
As medicações anti-hipertensivas encontram-se entre as drogas
mais prescritas e vendidas. O tratamento à base de medicamentos
alopáticos envolve o uso de diuréticos e/ou agentes bloqueadores
beta-adrenérgicos, no entanto apresentam diversos efeitos colaterais.
Possíveis causas da hipertensão
• Hábitos dietéticos errôneos.
• Obesidade - alcançar o peso corporal ideal é obrigatório
no combate à hipertensão. A redução do peso
corporal deve ser o primeiro objetivo terapêutico para diminuir-se
a pressão sangüínea em obesos.
• Estilo de vida - sedentarismo, estresse, tabagismo, bebidas alcoólicas
e o consumo excessivo de café.
• Cafeína - sob tensão e estresse, a ingestão
de cafeína pode ser prejudicial, contribuindo para aumentar a pressão
arterial.
• Álcool - mesmo quantidades moderadas de álcool podem
ocasionar hipertensão aguda, devido à maior secreção
de adrenalina.
• Tabagismo - a resposta hipertensiva à nicotina é
devida à estimulação da glândula adrenal, que
promove uma maior secreção de adrenalina.
• Estresse e problemas emocionais. As técnicas de relaxamento
neuropsíquico e muscular, meditação yogue, yoga,
acupuntura tradicional chinesa e abhyanga (terapia de massagem indiana
ayurveda) apresentam propriedades terapêuticas que muito podem auxiliar
na prevenção e no combate efetivo da hipertensão.
• Sedentarismo.
• Intoxicação orgânica por metais pesados (níveis
elevados de chumbo no sangue foram encontrados em um número significante
de hipertensos. Também se comprovou que o cádmio (metal
pesado presente no cigarro) provoca hipertensão. Os fumantes apresentam
níveis baixos de vitamina C no organismo, e de cádmio muito
mais elevados.
Tratamento
A automedicação é um hábito comum, mas que
pode ser muito perigoso. Segundo a “Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (ANVISA)”, estima-se que, no Brasil, essa prática
seja responsável por cerca de 30% dos casos de intoxicação.
Além desse problema, utilizar medicamentos por conta própria
pode causar dependência, efeitos colaterais graves, reações
alérgicas e até morte.
O tratamento naturopático muito pode beneficiar as pessoas que
sofrem de hipertensão arterial. É preciso, no entanto, combater-se
a automedicação e somente fazer-se uso de remédios
e medicamentos sob a orientação e a prescrição
de um profissional da área de saúde, no consultório.
• Dieta – deve ser rica em alimentos que
contenham muito potássio (vegetais e frutas: aspargo, abacate,
cenoura crua, milho, feijão cozido, batata, espinafre cozido, tomate
cru, maçã, abricó seco, banana, melão, laranja,
pêssego, ameixa e morango) e ácidos graxos essenciais (ômega-3
e 6).
O consumo diário de potássio (poderoso metal alcalino contra
hipertensão) deve totalizar 7 gramas por dia. Deve ser pobre em
gordura saturada, açúcar e sal de cozinha. Uma dieta basicamente
vegetariana e rica em fibras (principalmente as das frutas) deve ser adotada.
O consumo excessivo de cloreto de sódio (sal de cozinha) na dieta,
associado a uma ingestão menor de potássio dietético
pode ocasionar um aumento de retenção de água no
organismo e prejudicar os mecanismos reguladores da pressão sangüínea.
É aconselhável substituir o cloreto de sódio por
cloreto de potássio. O sódio pode provocar danos nos vasos
sangüíneos cerebrais e derrames (AVC).
A dieta vegetariana contém mais potássio, carboidratos complexos,
gordura poliinsaturada (considerada saudável), fibras (farelo de
aveia, pectina da maçã, sementes de Plantago psyllium L.,
etc.), cálcio, vitamina A e C (hipertensão arterial e derrame
são mais comuns entre pessoas que consomem menor quantidade dessa
vitamina), e magnésio, que podem auxiliar no combate da hipertensão
arterial. Deve-se evitar o consumo de açúcar, pois ele promove
maior retenção de sódio no organismo e aumenta a
produção de adrenalina, o que ocasiona vasoconstrição.
• Alimentos que podem baixar a pressão arterial:
aipo (recomenda-se comer ou tomar o suco concentrado de dois talos
frescos de aipo por dia durante uma semana); alho (um estudo da “Universidade
Oeste Virgínia” – Estados Unidos, concluiu que temperar
diariamente os alimentos com alho contribui para diminuir o risco de câncer
de bexiga; segundo os pesquisadores, o alho fortalece o sistema imunológico,
levando-o a destruir as células cancerígenas), cebola (rica
em adenosina, um relaxante muscular) e cebolinha (Allium fistulosum, esses
três temperos são da família das alliaceas, gênero
Allium; apresentam compostos sulfurados – enxofre –, úteis
ao sistema imunológico; no fígado, estimulam enzimas responsáveis
pela desintoxicação do organismo; combatem microrganismos
patogênicos nos intestinos; já os metais antioxidantes neles
presentes auxiliam o sistema imunológico; e o potássio ajuda
a reduzir a pressão arterial); peixes gordos (salmão, cavalinha,
arenque, sardinha e atum, ricos em ácidos graxos ômega-3;
recomenda-se o consumo de três porções de peixe por
semana para combater a hipertensão), frutas, vegetais, azeite de
oliva, alimentos ricos em cálcio e potássio.
• Temperos que podem ser usados – alecrim,
alho, alho-poró, cebola, salsa, cebolinha, coentro, orégano,
louro, manjericão, páprica, urucum, salsão, limão
e pimentão.
• Temperos e alimentos que dever ser evitados –
sal de alho, aipo e cebola; extrato de carne; fermento em pó; ketchup;
mostarda em pó; glutamato monossódico; molhos prontos; bolachas
de água e sal; salgadinhos empacotados; carnes em conservas; embutidos;
bacalhau; carne seca; azeitonas; mostarda; enlatados (ervilhas, cenoura,
palmito, tomate, repolho, etc.); misturas prontas para bolos; pastéis;
tortas; e queijos.
• Considerações nutricionais –
cálcio (couve, brócolis, nabo, sardinha e salmão);
ácidos graxos essenciais (ômega-3; o ácido linoléico,
encontrado nos óleos vegetais, apresenta uma ação
hipotensiva; o uso de aspirina neutraliza o efeito desses óleos);
coenzima Q10; vitamina A, C e E; complexo B; bioflavonóides; zinco;
complexo enzimático (concentrado com protease, lípase, amilase
e lactase); lactobacilos acidófilos e sementes douradas de linhaça.
• Remédios botânicos – extrato
seco de alho (Allium sativum); cebola (Allium cepa L.); Taraxacum officinale
(Dente-de-leão; diurético, desintoxicante, levemente laxante
sem irritar a mucosa dos intestinos, depurativo do sangue e fonte vegetal
de iodo); Crataegus monogyna; Humulus lupulus (Lúpulo; efeito tônico
e diurético); Viscum album (em formulação homeopática
D4); Valeriana officinalis; Centella asiatica; Passiflora incarnata (Maracujá);
Sarpagandha (Rauwolfia serpentina); Jatamansi (Nardostachys jatamansi);
Salsaparrilha (Smilax spp; sudorífica, dedepurativa, diurética,
antiinflamatória e anti-reumática); Guggulu (Balsamodendron
mukul); e Arjuna (Terminalia arjuna).
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