| Saiba indicação;
contra-indicação e propriedades da alcachofra e dente-de-leão
A planta medicinal cardo-mariano, também conhecida como cardo
santa-maria e cardo-leiteiro, é uma espécie nativa da região
Mediterrânea da Europa e Ásia, onde, há séculos,
é utilizada como remédio. Parente próximo da serralha
(Sonchus oleraceus), aclimatou-se bem ao sul do Brasil.
Planta herbácea, bianual, lactescente (que contém suco leitoso,
tal como a figueira), ereta, espinhosa, de 40 a 140 cm de altura, folhas
de cor verde-acinzentada (de 15 a 25 cm de comprimento), com manchas brancas
ao longo das nervuras e margens onduladas e orladas de espinhos e cílios,
com flores purpúreas reunidas em capítulos solitários
(inflorescência caracterizada por ter as flores inseridas num receptáculo
discóide protegido por brácteas ou estruturas foliáceas
associadas as inflorescências) e terminais, apresenta princípios
amargos, lipídios, proteínas (25 a 30%), flavonóides
(silimariana 1,5 a 3%, silibina), mucilagens, óleo essencial, taninos,
albumina, ácidos graxos linoléico (60%); é aperiente
(estimula o apetite), diurética, tônica, reguladora das células
hepáticas; estimula o fluxo biliar; é espasmolítica
(relaxa a musculatura lisa das vísceras, combatendo os espasmos).
A literatura etnofarmacológica recomenda o uso da tintura de suas
sementes para o combate de cólicas e problemas urinários,
biliares e uterinos. O cardo-mariano tem sido utilizado por via oral no
combate das doenças do fígado e vesícula biliar,
icterícia, cirrose hepática, intoxicações
(cogumelos não comestíveis, álcool, tabagismo, drogas
e substâncias químicas tóxicas).
Contém algumas das mais potentes substâncias protetoras do
fígado conhecidas, uma mistura de três flavolignanas que,
juntas, são chamadas de silimarina; cuja concentração
é mais elevada no fruto do que nas sementes e folhas. Resultados
de ensaios farmacológicos realizados com esta planta concluem:
efeito benéfico sobre o aparelho cardiovascular, efetiva ação
hepatoprotetora (atribuída à silimarina presente nas sementes).
O efeito mais interessante dos princípios ativos do cardo-mariano
sobre o fígado é a sua capacidade de estimular a síntese
de proteína hepática; o resultado é um aumento na
produção de novas células hepáticas que substituam
as danificadas.
Ação: tônica amarga, aperitiva, febrífuga
(previne e combate a febre), tônica vascular, hemostática
(capaz de interromper uma hemorragia), anti-hemorrágica, colagoga
(facilita a evacuação da vesícula biliar), colerética
(estimula a secreção da bile pelas células hepáticas),
protetora e restauradora do fígado, tônica estomacal, estimulante
gástrico, diurética, hipertensora e galoctagoga (favorece
a secreção do leite).
Propriedades farmacológicas: excelente digestivo;
diurética; protetora e curativa das células hepáticas,
indicada nos casos de cirrose hepática, esteatose hepática
(degeneração celular ou infiltração gordurosa)
e hepatite; anti-hepatotóxica; hipertensora (aumenta a pressão
arterial, auxiliando a normalizá-la naquelas pessoas que sofrem
de pressão baixa); antioxidante (a silimarina, uma flavolignina,
é muitas vezes mais potente do que a vitamina E); melhora a circulação
sangüínea abdominal; indicada no combate das hemorragias uterinas,
problemas menstruais, varizes e úlceras; estimula a saída
da bílis da vesícula biliar; e auxilia na fluidez do leite
materno, quando esse não é abundante.
Indicações: afecções (doenças)
do fígado e vesícula biliar (icterícea e litíase
ou cálculo biliar); alcoolismo; tabagismo; auxilia as mães
que estão amamentando e que não têm leite em abundância,
pois melhora o fluxo de leite; hipocondria; hipotensão (folha);
hipertensão (semente); dispepsias; insuficiência hepática;
cirrose hepática; menorragias; constipação e deficiência
cardio-vascular.
Contra-indicação: nos casos graves de oclusão
das vias biliares e nas diarréias (em alguns casos, observa-se
uma branda ação laxativa).
Dente-de-leão (Taraxacum officinale)
É um excelente alimento e remédio (um dos melhores para
o fígado e vesícula biliar), pode ser usado em saladas cruas
e em refogado, fonte vegetal de iodo, vitamina C, contém mais vitamina
A do que as cenouras, além de outros minerais (como potássio
e zinco) e vitaminas; apresenta também propriedades que favorecem
a digestão, depurativas, diuréticas, tônicas e anti-reumáticas.
Planta herbácea perene, também conhecida como taráxaco,
de procedência européia, contém uma roseta basilar
de folhas verdes. Cresce preferencialmente em lugares úmidos, e
com o fim da floração, os capítulos amarelos (a flor)
transformam-se numa esfera de aquênios com coroas (lembram uma bolinha
de algodão; as sementes são disseminadas pelo vento). Toda
a planta é percorrida por laticíferos (células) que
produzem e contêm um látex branco (não tóxico).
Apresenta folhas compridas e dentadas (vários dentes pontudos)
ou picotadas (as folhas novas e frescas são ricas em vitamina C,
o que permite o seu consumo em saladas).
No ocidente, os botânicos e os naturopatas passaram a reconhecê-la
como planta medicinal após o século XVI. É considerada
uma das ervas mais ativas e seguras como diurética e uma das melhores
para combater disfunções hepáticas.
Na Europa, o dente-de-leão foi utilizado no tratamento de febres,
furúnculos, problemas oculares, diarréia, retenção
de líquidos, congestão hepática, pirose (azia) e
diversos problemas cutâneos. Na China, esta planta tem sido usada
no tratamento de problemas da mama (câncer, inflamação,
falta de leite, etc.), hepatopatias, apendicite e distúrbios digestivos;
na Índia, Rússia e outras partes do mundo, no combate das
doenças do fígado. É um excelente alimento usado
em saladas cruas e em refogado, pois é fonte vegetal de iodo, além
de diversos minerais e vitaminas.
Constituintes: flavonóides; vitaminas A (o dente-de-leão
contém mais vitamina A do que as cenouras), B1, C e D; ácidos
graxos; minerais (fonte de potássio e zinco); princípio
amargo (taraxacina) etc. Contém muito mais valor nutritivo do que
muitos outros vegetais, sendo rico em vitaminas, minerais, proteína,
colina, insulina e pectinas (fibras).
Ação: estimulante digestivo; colagogo;
colerético; depurativo; diurético; tônico e antireumático.
Propriedades farmacológicas: melhora a produção
da bile e o seu fluxo para a vesícula biliar (efeito colerético);
estimula a função renal (o patássio e os flavonóides
são responsáveis pelo aumento da diurese); beneficia o tecido
conjuntivo (favorecendo o fluxo sangüíneo); auxilia na prevenção
de cálculos biliares; tônico hepático; auxilia a eliminação
de inúmeros catabólitos pela via biliar; diminui a dor reumática
por apresentar uma moderada ação antiinflamatória;
o composto amargo é responsável pela estimulação
da digestão e secreção gástrica e antioxidante.
Indicações: congestão hepática,
inflamação do ducto biliar, hepatite, litíase biliar;
oligúria (diminuição da quantidade de urina emitida
em 24 horas); problemas hepáticos; cirrose; icterícia; desordens
hepatobiliares; coadjuvante no combate da obesidade, dermatoses, hipoacidez
gástrica, dispesia (má digestão), afecções
do aparelho urinário, escorbuto, depurativo do sangue e desordens
reumáticas.
Contra-indicação: oclusão do ducto
biliar. Podem ocorrer dermatites de contato devido às lactonas.
Alcachofra (Cynara scolymus)
Além de ser um alimento muito saboroso, é rica em enzimas,
sais minerais, pró-vitamina A etc., muito benéfica ao fígado
e à vesícula biliar; apresenta ação depurativa,
diurética, laxativa, hipoglicemiante, reduz a taxa de uréia
e colesterol sangüíneo.
Planta perene, originária da região do mediterrâneo,
cultivada em todos os países de clima subtropical, de até
um metro de altura, com folhas compostas e espinhosas, sendo as superiores
bem menores do que as da base. Flores purpúreas, reunidas em um
grande capítulo envolvido por grandes brácteas que constituem
a parte comestível da inflorescência (devem ser cozidas para
se tornarem mais digestivas).
A alcachofra pode ser empregada para fins medicinais nas formas de: decocto,
tintura-mãe, vinho medicinal, extrato seco (em cápsulas)
e hidrolato (medicamento obtido por destilação).
Constituintes: cinarina, sais minerais (12 a 15%), mucilagem, pectina,
ácidos orgânicos, compostos flavônicos, cinaropicrina
(principal constituinte amargo), enzimas, pró-vitamina A (entre
outras vitaminas).
Ação: colagoga, colerética, depurativa,
diurética, laxativa (sem irritar a mucosa dos intestinos), hipoglicemiante,
reduz a taxa de uréia e colesterol sangüíneo.
Propriedades farmacológicas: o sabor amargo contribui
para aumentar a secreção gástrica e sua acidez (sendo
por isso indicada no combate da má digestão); hepatoprotetora
e regeneradora dos hepatócitos (células encontradas no fígado
capazes de sintetizar proteínas); efeito colerético (se
a bile não está sendo adequadamente transportada para a
vesícula biliar, o fígado sofre maior risco de dano); os
coleréticos são muito úteis no combate da hepatite
e de outras hepatopatias mediante o seu efeito descongestionante e diminuem
os níveis de colesterol sangüíneo e os de triglicérides;
diminui as cólicas provocadas pelos cálculos biliares; a
cinarina possui propriedades anti-hepatotóxicas; na remia, a cinarina
melhora a excreção do amônia por provocar um aumento
da produção de ácido úrico pelo rins; diurética
(auxilia na eliminação da uréia e de substâncias
tóxicas provenientes do metabolismo celular) e hipoglicemiante
(indicada no combate do diabetes).
Indicações: afecções hepatobiliares,
no aumento da uréia e do colesterol sangüíneo, distúrbios
gástricos e renais, coadjuvante no combate da obesidade, hipertensão
e hidropisia.
Contra-indicação: mães que amamentam,
por diminuir a secreção do leite (a cinarina coagula o leite
materno), e nos casos de fermentação intestinal.
A automedicação é um hábito muito perigoso.
Segundo a “Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(ANVISA)”, estima-se que, no Brasil, essa prática seja responsável
por cerca de 30% dos casos de intoxicação. Além desse
problema, utilizar medicamentos por conta própria pode causar dependência,
efeitos colaterais graves, reações alérgicas e até
morte; por isso, é preciso combater a automedicação
e somente fazer uso de remédios e medicamentos sob a orientação
e a prescrição de um profissional da área de saúde,
no consultório.
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