| 1. De acordo com
a tradição indiana Parampara (linhagem de mestres),
deve-se aprender (estudar) e praticar o Yoga sob a orientação
e a supervisão de um professor experto (orientado por
mestres experientes e idôneos), estudioso, dedicado, comprometido
com os ensinamentos tradicionais e clássicos, com a prática
e com os preceitos ético-filosóficos (Yama e Niyama) dessa
milenar e sábia ciência.
O professor de Yoga deve ser exemplo vivo da ciência e filosofia
que propõe ensinar. Mesmo os melhores livros, vídeos e DVDs
sobre o assunto não são suficientes para ensinar o Yoga
em toda a sua profundidade e complexidade e, de maneira alguma, substituem
o ensino e o acompanhamento de um professor gabaritado. Na Índia,
por milhares de anos, desde Shiva até os dias atuais, os ensinamentos
do Yoga têm sido transmitidos por um mestre ao seu discípulo
(sishya). Todo material didático sério e de boa qualidade
deve servir de complemento, consulta, estudo e aprofundamento.
2. Deve-se optar pelo estudo e prática dos ramos
clássicos do Yoga, tais como: Ashtanga Yoga ou Raja
Yoga da Escola de Yoga de Patanjali; Hatha Yoga; Jnana Yoga;
Karma Yoga; Bhakti Yoga; e Kriya Yoga. Também, por uma escola
– Yogashala – que seja séria, idônea, ensine
o Yoga clássico e tradicional e preserve a memória e os
autênticos ensinamentos dos grandes mestres yogues do passado e
presente. Os conhecidos ramos modernos e não clássicos nada
têm a ver com os verdadeiros propósitos da Escola de Yoga
de Patanjali e dos iluminados ensinamentos de Shiva; nada mais são
do que meras modalidades de ginástica.
3. De início, antes da prática de qualquer
técnica do Yoga, é indispensável a aquisição
de conhecimentos básicos de como realizá-la corretamente,
com segurança, e a conscientização de suas indicações
e contra-indicações; tal posicionamento previne danos à
saúde, efeitos colaterais, como também evita que todo o
esforço empregado se torne inútil. Aqueles que sofrem de
doenças crônicas devem apenas praticar ásanas (posições
psicofísicas do Yoga) sob a orientação e a supervisão
de um experto professor de Yoga.
4. A pessoa comprometida com os verdadeiros ensinamentos
do Yoga deve estudar e praticar, no seu diário viver, os preceitos
ético-filosóficos de Yama e Niyama (Código de Ética
Yogue), sem os quais não pode ser considerada um yogue, apenas
uma ginasta. Eles constituem o primeiro e o segundo passos em direção
ao samadhi (iluminação da consciência ou estado de
hiperconsciência).
5. Qualidades necessárias para a prática
do Yoga: disciplina, observância, perseverança, determinação,
interesse, amor, devoção, estudo e práticas regulares
sem interrupções.
6. O melhor horário do dia para se praticar Yoga
é bem cedo, ao amanhecer, com o nascer do sol, das 06h00 às
10h00 (período de predominância do dosha Kapha, que confere
ao organismo maior resistência e vigor). Das 18 h às 22 h,
a prática não deve ser tão vigorosa, e sim mais relaxante
e meditativa.
7. Pela manhã, antes da prática do Yoga,
a bexiga deve ser esvaziada, e os intestinos evacuados. Se, pela manhã,
os intestinos não funcionarem, deve-se iniciar a prática
com Viparita karaniásana (Posição do corpo invertido),
Sarvangásana (Posição invertida sobre os ombros)
e suas variações. Não se deve praticar ásanas
avançados sem que o funcionamento intestinal tenha se efetivado.
Em jejum, tomar um copo de água morna pode ajudar no funcionamento
intestinal.
8. Sempre praticar o Yoga, preferencialmente, de estômago
vazio. Se, pela manhã, isso for difícil, uma xícara
de chá, leite ou chocolate quente pode ser tomada. Os ásanas
podem ser praticados sem desconforto uma hora após uma leve refeição;
mas, após o almoço e o jantar, deve-se esperar, pelo menos,
quatro horas. Ao término da prática do Yoga, deve-se esperar
de 30 a 60 minutos para a refeição.
9. Através de inúmeros estudos yogues e
científicos, chegou-se à conclusão de que uma dieta
rica em vegetais é uma boa opção para a saúde
e a prática do Yoga. Devem-se evitar: bebidas alcoólicas,
café, chá preto, cigarro, drogas, alimentos impuros e industrializados,
para que se possam alcançar os seus completos benefícios.
10. As roupas usadas devem ser confortáveis, de
tecido de algodão, limpas, de cores claras e flexíveis,
permitindo a realização livre dos ásanas. Óculos,
relógio e outros ornamentos devem ser removidos durante a prática.
11. As mulheres devem evitar a prática vigorosa
de ásanas e de qualquer atividade física mais intensa durante
o período menstrual. Ásanas que invertam o fluxo sanguíneo
são contra-indicados, tais como: sarvangásana, viparita
karaniásana, sirshásana (posição invertida
sobre a cabeça), halásana (posição do arado),
etc.
12. Durante toda a prática do Yoga, é importante
manter-se a mente tranquila, centrada e estável. Não
se deve permitir a dispersão e a distração. A concentração
é indispensável à prática do Yoga. No segundo
aforismo do primeiro capítulo do Yoga Sutra, um dos tratados mais
importantes do Yoga Clássico, o grande sábio e yogue Patanjali
afirma: “Yôgash chitra vrêtti nirôdhahá.”,
que, em sânscrito, significa: “Yoga é a supressão
da instabilidade da consciência”.
13. Não praticar Yoga diretamente ao chão
ou em um lugar desnivelado. Uma esteira ou um cobertor dobrado deve ser
colocado sobre o chão durante a prática. Deve-se escolher
um lugar limpo, arejado (porém sem vento), tranquilo e livre
da poluição, do barulho e da luz excessiva do sol. Sob a
luz do sol, é aconselhável a prática do Yoga apenas
ao alvorecer e ao entardecer.
14. Entre a realização de um exercício
(ásana) e outro, deve-se respirar de forma lenta e profunda (exercitando
a respiração baixa, média e alta) e relaxar todo
o corpo, removendo-se as tensões.
15. Após a exposição prolongada
à luz do sol, com o corpo aquecido, deve-se esperar cerca de 60
minutos para a prática de pranayamas e ásanas.
16. Durante a prática, não se deve tencionar
a musculatura mais do que o necessário para a realização
dos exercícios.
17. A respiração fisiológica é
nasal. Durante a realização dos ásanas, deve-se apenas
respirar pelo nariz e não pela boca.
18. Pessoas portadoras de doenças graves, como
cardiopatia, hipertensão, câncer, hérnia de disco,
glaucoma etc., jamais devem praticar Yoga sem a orientação
e a supervisão de um Yogaterapeuta gabaritado e experiente.
19. Durante os três primeiros meses de gravidez,
todos os ásanas podem ser praticados, desde que realizados com
suavidade e não comprimam intensamente o abdome. Exercícios
respiratórios (pranayamas) que não envolvam retenção
do ar nos pulmões (kúmbhaka) ou os pulmões vazios
(shúnyaka) podem ser praticados durante toda a gestação.
Certos pranayamas podem muito beneficiar a gestante e o bebê durante
o trabalho de parto, pois acalmam, ajudam no relaxamento muscular e no
combate da dor.
Durante o primeiro mês após o parto, mesmo sendo natural,
nenhum ásana ou atividade física mais intensos devem ser
praticados. A partir desse período, exercícios simples e
suaves de alongamento e flexibilidade podem ser realizados com moderação
e de forma gradativa. Três meses após o parto, todos os ásanas
podem ser, gradativamente, praticados com conforto. No caso de parto por
cesariana ou qualquer outra cirurgia, deve-se abolir a prática
dos ásanas por três a seis meses.
20. O relaxamento é um importante conceito da
ciência yogue. Sempre terminar a prática do Yoga com a realização
de um relaxamento neuropsíquico e muscular (Yoganidrá),
durante 5 a 10 minutos.
21. No verão, deve-se tomar uma ducha fresca antes
e após a prática dos ásanas; isso ajuda a refrescar
o corpo e a mente.
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