Holismo
Dicas para viver com saúde plena através de terapias naturais
21 requisitos para a prática e aprendizado do yoga
por Gilberto Coutinho



1. De acordo com a tradição indiana Parampara (linhagem de mestres), deve-se aprender (estudar) e praticar o Yoga sob a orientação e a supervisão de um professor experto (orientado por mestres experientes e idôneos), estudioso, dedicado, comprometido com os ensinamentos tradicionais e clássicos, com a prática e com os preceitos ético-filosóficos (Yama e Niyama) dessa milenar e sábia ciência.

O professor de Yoga deve ser exemplo vivo da ciência e filosofia que propõe ensinar. Mesmo os melhores livros, vídeos e DVDs sobre o assunto não são suficientes para ensinar o Yoga em toda a sua profundidade e complexidade e, de maneira alguma, substituem o ensino e o acompanhamento de um professor gabaritado. Na Índia, por milhares de anos, desde Shiva até os dias atuais, os ensinamentos do Yoga têm sido transmitidos por um mestre ao seu discípulo (sishya). Todo material didático sério e de boa qualidade deve servir de complemento, consulta, estudo e aprofundamento.

2. Deve-se optar pelo estudo e prática dos ramos clássicos do Yoga, tais como: Ashtanga Yoga ou Raja Yoga da Escola de Yoga de Patanjali; Hatha Yoga; Jnana Yoga; Karma Yoga; Bhakti Yoga; e Kriya Yoga. Também, por uma escola – Yogashala – que seja séria, idônea, ensine o Yoga clássico e tradicional e preserve a memória e os autênticos ensinamentos dos grandes mestres yogues do passado e presente. Os conhecidos ramos modernos e não clássicos nada têm a ver com os verdadeiros propósitos da Escola de Yoga de Patanjali e dos iluminados ensinamentos de Shiva; nada mais são do que meras modalidades de ginástica.

3. De início, antes da prática de qualquer técnica do Yoga, é indispensável a aquisição de conhecimentos básicos de como realizá-la corretamente, com segurança, e a conscientização de suas indicações e contra-indicações; tal posicionamento previne danos à saúde, efeitos colaterais, como também evita que todo o esforço empregado se torne inútil. Aqueles que sofrem de doenças crônicas devem apenas praticar ásanas (posições psicofísicas do Yoga) sob a orientação e a supervisão de um experto professor de Yoga.

4. A pessoa comprometida com os verdadeiros ensinamentos do Yoga deve estudar e praticar, no seu diário viver, os preceitos ético-filosóficos de Yama e Niyama (Código de Ética Yogue), sem os quais não pode ser considerada um yogue, apenas uma ginasta. Eles constituem o primeiro e o segundo passos em direção ao samadhi (iluminação da consciência ou estado de hiperconsciência).

5. Qualidades necessárias para a prática do Yoga: disciplina, observância, perseverança, determinação, interesse, amor, devoção, estudo e práticas regulares sem interrupções.

6. O melhor horário do dia para se praticar Yoga é bem cedo, ao amanhecer, com o nascer do sol, das 06h00 às 10h00 (período de predominância do dosha Kapha, que confere ao organismo maior resistência e vigor). Das 18 h às 22 h, a prática não deve ser tão vigorosa, e sim mais relaxante e meditativa.

7. Pela manhã, antes da prática do Yoga, a bexiga deve ser esvaziada, e os intestinos evacuados. Se, pela manhã, os intestinos não funcionarem, deve-se iniciar a prática com Viparita karaniásana (Posição do corpo invertido), Sarvangásana (Posição invertida sobre os ombros) e suas variações. Não se deve praticar ásanas avançados sem que o funcionamento intestinal tenha se efetivado. Em jejum, tomar um copo de água morna pode ajudar no funcionamento intestinal.

8. Sempre praticar o Yoga, preferencialmente, de estômago vazio. Se, pela manhã, isso for difícil, uma xícara de chá, leite ou chocolate quente pode ser tomada. Os ásanas podem ser praticados sem desconforto uma hora após uma leve refeição; mas, após o almoço e o jantar, deve-se esperar, pelo menos, quatro horas. Ao término da prática do Yoga, deve-se esperar de 30 a 60 minutos para a refeição.

9. Através de inúmeros estudos yogues e científicos, chegou-se à conclusão de que uma dieta rica em vegetais é uma boa opção para a saúde e a prática do Yoga. Devem-se evitar: bebidas alcoólicas, café, chá preto, cigarro, drogas, alimentos impuros e industrializados, para que se possam alcançar os seus completos benefícios.

10. As roupas usadas devem ser confortáveis, de tecido de algodão, limpas, de cores claras e flexíveis, permitindo a realização livre dos ásanas. Óculos, relógio e outros ornamentos devem ser removidos durante a prática.

11. As mulheres devem evitar a prática vigorosa de ásanas e de qualquer atividade física mais intensa durante o período menstrual. Ásanas que invertam o fluxo sanguíneo são contra-indicados, tais como: sarvangásana, viparita karaniásana, sirshásana (posição invertida sobre a cabeça), halásana (posição do arado), etc.

12. Durante toda a prática do Yoga, é importante manter-se a mente tranquila, centrada e estável. Não se deve permitir a dispersão e a distração. A concentração é indispensável à prática do Yoga. No segundo aforismo do primeiro capítulo do Yoga Sutra, um dos tratados mais importantes do Yoga Clássico, o grande sábio e yogue Patanjali afirma: “Yôgash chitra vrêtti nirôdhahá.”, que, em sânscrito, significa: “Yoga é a supressão da instabilidade da consciência”.

13. Não praticar Yoga diretamente ao chão ou em um lugar desnivelado. Uma esteira ou um cobertor dobrado deve ser colocado sobre o chão durante a prática. Deve-se escolher um lugar limpo, arejado (porém sem vento), tranquilo e livre da poluição, do barulho e da luz excessiva do sol. Sob a luz do sol, é aconselhável a prática do Yoga apenas ao alvorecer e ao entardecer.

14. Entre a realização de um exercício (ásana) e outro, deve-se respirar de forma lenta e profunda (exercitando a respiração baixa, média e alta) e relaxar todo o corpo, removendo-se as tensões.

15. Após a exposição prolongada à luz do sol, com o corpo aquecido, deve-se esperar cerca de 60 minutos para a prática de pranayamas e ásanas.

16. Durante a prática, não se deve tencionar a musculatura mais do que o necessário para a realização dos exercícios.

17. A respiração fisiológica é nasal. Durante a realização dos ásanas, deve-se apenas respirar pelo nariz e não pela boca.

18. Pessoas portadoras de doenças graves, como cardiopatia, hipertensão, câncer, hérnia de disco, glaucoma etc., jamais devem praticar Yoga sem a orientação e a supervisão de um Yogaterapeuta gabaritado e experiente.

19. Durante os três primeiros meses de gravidez, todos os ásanas podem ser praticados, desde que realizados com suavidade e não comprimam intensamente o abdome. Exercícios respiratórios (pranayamas) que não envolvam retenção do ar nos pulmões (kúmbhaka) ou os pulmões vazios (shúnyaka) podem ser praticados durante toda a gestação. Certos pranayamas podem muito beneficiar a gestante e o bebê durante o trabalho de parto, pois acalmam, ajudam no relaxamento muscular e no combate da dor.

Durante o primeiro mês após o parto, mesmo sendo natural, nenhum ásana ou atividade física mais intensos devem ser praticados. A partir desse período, exercícios simples e suaves de alongamento e flexibilidade podem ser realizados com moderação e de forma gradativa. Três meses após o parto, todos os ásanas podem ser, gradativamente, praticados com conforto. No caso de parto por cesariana ou qualquer outra cirurgia, deve-se abolir a prática dos ásanas por três a seis meses.

20. O relaxamento é um importante conceito da ciência yogue. Sempre terminar a prática do Yoga com a realização de um relaxamento neuropsíquico e muscular (Yoganidrá), durante 5 a 10 minutos.

21. No verão, deve-se tomar uma ducha fresca antes e após a prática dos ásanas; isso ajuda a refrescar o corpo e a mente.

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Gilberto Coutinho
é terapeuta naturopata com formação em Medicina Tradicional Indiana
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