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A
partir deste domingo - 18 de outubro - e até o dia 21 de fevereiro
de 2010, estaremos acordando uma hora mais cedo.
Promover
as pazes entre o relógio e a vontade de ficar na cama costuma ser
tarefa penosa para muita gente. Tantas e tão variadas são
as queixas que acabamos acreditando que uma parcela de nós nasceu
para acordar cedo e outra para acordar tarde. Não é só
crença, é pura verdade, garantem os que estudam esse processo
que chamam de "relógio biológico" ou "ritmo
circadiano", isto é, o ritmo adequado a cada organismo e que
determina quando uns sentem mais sono e outros mais disposição.
No caso do horário de verão, os mais sensíveis a
mudanças no relógio devem estar preparados para uma transição
de dez a quinze dias. Depois disso, por se tratar de uma hora apenas,
a diferença acaba sendo absorvida.
Quando lidamos com hábitos mais arraigados, os acertos ficam mais
difíceis. Tenho amigos e amigas que levantam antes das seis horas
para deixar as crianças nos colégios. Alguns deles já
saem de casa com uniforme de jogging e vão direto da porta da escola
para a academia ou para a caminhada no parque, ou mesmo para o trabalho.
Outros dirigem o carro de pijamas disfarçados e, assim que os filhos
são entregues, voltam correndo para casa e mergulham debaixo dos
lençóis.
Os primeiros produzem muito pela manhã. Sentem-se dispostos, antenados,
comunicativos enquanto o sol lá fora está brilhando. Quando
tentam ver um programa ou filme pela TV depois das onze da noite, correm
o risco de dormir no sofá.
Os outros, melhor deixá-los dormindo uma parte da manhã,
porque não vão produzir muita coisa. Entrarão no
pique no meio da tarde e serão capazes de trabalhar horas depois
que a cidade inteira adormeceu.
É claro que essa diferença de ritmo tem a ver com algo herdado
da nossa história biológica. Mas os especialistas não
sabem dizer se o gostar de levantar cedo ou de acordar tarde tem algo
a ver com os costumes de vida da própria pessoa. Por exemplo, conheço
alguém que trabalhou durante muitos anos numa empresa que o obrigava
a acordar pelas duas da manhã, por isso só ia sentir sono
lá pelas duas da tarde. Continua acordando cedo até hoje,
mesmo podendo agora se levantar com o jornal do meio-dia. Outro conhecido
trabalhava em rádio e durante muito tempo só deixava o trabalho
pelas quatro da manhã. Seu horário mais produtivo era depois
das seis da tarde. Ele já mudou de emprego, poderia alterar seus
horários, mas diz que não consegue, continua preferindo
as madrugadas.
Mas deixando de lado esses extremos, vamos falar do que é mais
frequente: pessoas que precisam alterar hábitos que cultivaram
durante muitos anos, ou que convivem com parceiros cujo despertador toca
na hora em que o outro está com mais sono. Chico Buarque já
cantou as diferenças de fuso horário entre casais no seu
"Funcionário e a bailarina".
O
que fazer para amenizar desconforto da mudança de horário
Há
algumas sugestões que podem ajudar aqueles que estão acostumados
a dormir até mais tarde e, de repente, precisam levantar cedo.
Um truque é colocar o despertador para tocar pelo menos 15 minutos
antes da hora. O ruído e o próprio processo de despertar,
aumentam a quantidade de cortisol, um hormônio cuja produção
cresce em situações de estresse.
Quando chegar a hora de deixar a cama, 15 minutos depois, o organismo
já estará com mais energia e disposição para
aceitar a determinação de que é preciso levantar.
Não é por acaso que muitos adolescentes programam seus toca-cds
para que sejam acordados 15 minutos antes com suas músicas preferidas,
geralmente as mais barulhentas. Há estudos relacionando a música
com o aumento do cortisol e da adrenalina no organismo.
Esse tempo de "energia-musical" vai descarregar em seus organismos
uma disposição extra em hormônio, o que ajuda a explicar
porque conseguem se manter dispostos e animados já na primeira
aula, quando o natural seria que estivessem, no mínimo, mal-humorados.
Para nós, adultos, que certamente não vamos usar o recurso
da banda mais barulhenta para nos acordar, vale lembrar alguns cuidados.
Se você não está acostumado a acordar cedo, e por
algum motivo precisa saltar da cama bem antes do horário, procure
evitar bebidas alcoólicas e comidas pesadas. O álcool pode
dar a sensação de um gostoso relaxamento, mas pode retardar
o sono. Procure não pular as refeições. Isso pode
causar queda no nível de açúcar, o que resultará
em cansaço. Também não reserve um prato pesado como
último do dia, você terá mais dificuldades para adormecer.
Mas chegou sua hora de dormir, e você não sente a menor vontade
de dormir. Tome um banho quente, de banheira ou mesmo de chuveiro. Não
tenha pressa, esqueça o relógio. Feche bem as cortinas,
escureça seu quarto, não tente ficar lendo e vendo TV ao
mesmo tempo. E não fique cobrando resultados. No primeiro dia poderá
ser um desastre, você corre o risco de passar a madrugada esperando
o despertador tocar. Considere tudo isso como natural e acredite que seu
organismo será capaz de se adaptar aos seus novos horários
em pouco tempo.
Se você, ao contrário, é dessas pessoas que dormem
e acordam prazerosamente muito cedo, e agora terá de dormir tarde
e levantar tarde, precisará fazer o processo inverso. Quando chegar
em casa para dormir, feche todas as cortinas, mantenha seu quarto escuro
como se a noite fosse apenas começar. A luz funciona como um "despertador"
na produção de alguns hormônios, mantendo o organismo
acordado. Evite bebida alcoólica, pois a tendência é
que você, já se sentindo cansado, sinta mais intensamente
os efeitos do álcool.
Se você vai passar a noite acordado e não tem esse costume,
procure comer pizza ou massa. O carboidrato vai produzir a energia que
o ajudará a enfrentar a madrugada. Não fuja da sobremesa,
mesmo que esteja preocupado com seus quilos. Uma salada de frutas, um
sorvete ou um iogurte vão ajudar a mantê-lo acordado.
Acompanhei colegas e conhecidos, médicos e enfermeiras, que enfrentavam
as variações de plantões quebrando completamente
seus horários. Não há como disciplinar ou treinar
o organismo para adaptar-se a situações que variam a cada
semana e que não têm um ciclo definido. Ainda assim, não
passando longos períodos sem alimentação, e evitando
pratos pesados em diferentes horários, essas pessoas podem se sentir
mais fortalecidas para responder às necessidades impostas pelos
horários.
A diferença entre "madrugadores" e "retardatários"
existe de fato quando se observa o horário em que seus organismos
estão em "alerta máximo". Mas outras funções
corporais, como a temperatura, não apresentam diferenças
significativas. Nos dois casos, os madrugadores e os outros, a temperatura
do corpo atinge seu ponto mais elevado entre 19h00 e 21h00, e seu ponto
mais baixo às 04h00 da madrugada.
Estudos mais recentes estão revelando que o ritmo circadiano que
regula as funções de sono, digestão e secreções
não varia muito com a idade. Até então, acreditava-se
que o período de sono ou o ritmo circadiano era reduzido com a
idade. O que se sabe agora é que os mais idosos podem ficar com
um período mais restrito de sono profundo, o que os levaria a acordar
mais cedo. O organismo de jovens e idosos conservaria o mesmo ritmo circadiano
de 24 horas.
As chaves que regulam o sono, como aquelas determinadas por proteínas
que funcionam como despertadores, vêm sendo alvo de pesquisas há
muitos anos.
O laboratório do sono ainda tem muito para revelar. Da nossa parte,
que lidamos com a alimentação, a sugestão é
que as vítimas da insônia e aqueles que sofrem com mudanças
de horário, fiquem mais atentos ao que comem e bebem. Nem é
preciso repetir que alimentos pesados, café e cigarro perturbam
o sono. Mas vale lembrar que a vida sedentária também atrapalha
nosso relógio biológico. Portanto, antes que o médico
nos receite comprimidos para dormir, vale a pena associar exercícios
e alimentação. Cabe a você descobrir a receita mais
adequada.
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