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"Nossa vida é como
uma comédia: ninguém repara se foi longa, e sim se foi bem
representada" Sêneca
Constantemente hoje ouvimos as pessoas adultas e idosas dizerem:“Devemos
valorizar o tempo, valorizar os minutos, porque a vida é uma oportunidade
a ser aproveitada”. Outros ainda me dizem “Eu não me
preocupo com os padrões de beleza, porque bonito é a gente
continuar sendo a gente mesmo em quaisquer situações”.
E estão cobertos de razão, porque a tendência é
rever os estereótipos associados ao envelhecimento.
Por muito tempo o avanço da idade esteve atrelado à imagem
negativa associada à velhice, como se a velhice fosse um processo
contínuo de perdas e de dependência. Essa ideia já
algum tempo tem sido substituída pela ideia de que os estágios
mais avançados da vida são momentos propícios para
novas conquistas. O que importa é nossa idade funcional, o nosso
senso subjetivo de idade, o significado que damos à idade biológica,
isto é, como cada pessoa avalia os marcadores biológicos,
sociais e psicológicos presentes no seu curso de vida.
| "A melhor idade é
o tempo que vivemos as melhores histórias. Todo tempo é
tempo para restaurar e corrigir, começar e recomeçar" |
O limite de idade entre o indivíduo adulto
e o idoso é de 65 anos para os países desenvolvidos
e 60 anos para os países em desenvolvimento. O critério
cronológico é adotado devido à dificuldade de
estabelecer nossa idade biológica, dificuldade que a Gerontologia
Biomédica ainda tem em definir quando inicia o processo de
envelhecimento. |
O critério da idade cronológica é adotado por instituições
que procuram dar aos idosos, atenção à saúde
física, psicológica e social.
A maneira como a vida é periodizada e as interpretações
que são dadas a diferentes faixas etárias é diferente
em cada sociedade e em cada cultura que marcam tipos de organização
social e político. Cada grupo social em diferentes culturas tem
o processo biológico elaborado culturalmente e simbolicamente.
Em todas as sociedades podemos observar grades de idades para a periodização
da vida. Somos atores de uma organização social. Entretanto,
o que mais importa é como diz a famosa frase de Sêneca "Nossa
vida é como uma comédia: ninguém repara se foi longa,
e sim se foi bem representada”.
Na verdade nossa idade biológica é um referencial para o
processo de socialização. Os aniversários são
simples rituais de passagem. Fatores como sexo, classe social, saúde,
educação, fatores de personalidade, história passada
e contexto sócioeconômico mesclam com a idade cronológica.
Dessa forma, as experiências de envelhecimento e velhice podem variar
no tempo histórico de uma sociedade. Assim, temos a nossa idade
biológica e cronológica, a idade psicológica e a
idade social.
Para que tenhamos explicações significativas sobre o processo
da vida e suas consequências, existem teorias que explicam os estágios
e processos da vida adulta e velhice, assim como também existem
as que explicam o desenvolvimento infantil. Ou seja, as mudanças
comportamentais que acontecem ao longo do tempo e que caracterizam as
diferenças que existem entre os indivíduos e grupos com
relação a como e por que desenvolvem e sobre como e por
que envelhecem desta ou daquela maneira.
A idade psicológica refere-se à relação que
se estabelece entre a idade cronológica e o potencial de funcionamento
do indivíduo. A idade social tem relação com a avaliação
da capacidade de adequação de um indivíduo ao desempenho
de papéis sociais e comportamentos esperados para as pessoas de
sua idade num dado momento histórico.
Graças a grandes pesquisadores que estudaram o curso de vida, foi
possível desenvolver paradigmas sobre a extensão da vida,
uma concepção que abrangesse o desenvolvimento em toda sua
extensão e não apenas em períodos particulares. Fases
da vida ordenadas por mudanças em atitudes, propósitos,
realizações, avaliações, restaurações,
revisão, crescimento e estabilidade. Conforme algumas concepções
sobre o desenvolvimento da vida adulta e da velhice a segunda metade da
vida (depois dos 40 anos de idade) o ser humano passa por uma restauração
do equilíbrio psicológico, como aponta Jung (1933).
Para um outro autor Erik Erikson (1950), a vida adulta e a velhice são
um período que devemos dar conta de oito crises psicossociais e
das tarefas evolutivas, nas quais caminhamos para o senso de integridade
e sabedoria. Ainda temos outros autores que concebem o desenvolvimento
como uma construção de estrutura de vida, o qual passa por
períodos de transição, cujos períodos nós
nos preparamos para as mudanças e a velhice é o período
que fazemos a reestruturação do tempo de vida olhando mais
para o tempo que ainda resta para viver. Por isso é que a vida
é uma oportunidade a ser aproveitada e feliz de quem atravessa
a vida inteira tendo mil razões para viver.
O sistema de idade cronológico baseado no sistema de datação,
no qual o indivíduo tem de dar conta das capacidades e tarefas
atribuídas a cada estágio da vida é muito mais preconizado
nas sociedades ocidentais. Como por exemplo, aos 22 anos tenho que me
formar na faculdade, aos 27 casar e ter filhos, trabalhar até os
50 e depois se aposentar. Não precisamos dar conta o tempo todo
de uma norma de idade, procurando incorporar estágios de maturidade
e de status social e cultural. A melhor idade é o tempo que vivemos
as melhores histórias. Todo tempo é tempo para restaurar
e corrigir, começar e recomeçar. Quanto aos padrões
de beleza, bonito é gostar da vida.
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