Medicina Complementar
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Catuaba realmente resolve problema de impotência?
por Alex Botsaris

A potência sexual é um dos aspectos da vida masculina que mais preocupa o homem, especialmente à medida que ele envelhece.  Muitos consideram uma humilhação não ter uma ereção durante um momento íntimo com uma mulher. Com a introdução de novos medicamentos para disfunção erétil - que inibem a enzima fosfodiesterase tipo 5, facilitando a vasodilatação peniana - houve uma mudança de hábitos. Boa parte dos homens, inclusive jovens, tem feito uso deles para melhorar sua potência, ou mesmo abolir qualquer chance de falhar nos momentos decisivos de seu desempenho sexual, sem uma indicação médica.

O pênis é um órgão que possui uma estrutura no centro semelhante a uma esponja,  chamada de corpo cavernoso. Para que ele fique ereto, essa estrutura precisa se encher com sangue suficiente para preencher todo seu conteúdo.  Isso é feito através de uma artéria,  que necessita estar bastante dilatada para que o aporte de sangue seja suficiente para encher  todo corpo cavernoso.  Por isso os vasodilatadores da artéria peniana, como Viagra e Cialis, melhoram a potencia masculina.

Não se sabe ainda se o uso abusivo desses medicamentos pode causar algum dano maior à saúde, mas é certo que, ao menos do ponto de vista psicológico, vai acabar se tornando uma ‘muleta’ obrigatória do indivíduo inseguro quanto a sua potência, criando dependência.  Alguns casos com esse perfil já foram detectados e ainda não está claro se a dependência é puramente psíquica ou se há também algum fundamento químico e/ou biológico para ela.  Enquanto respostas definitivas não aparecem, vale a pena ser cauteloso e sempre consultar um médico antes do uso de vasodilatadores.

Considerando esses riscos uma boa idéia é lembrar de algumas estratégias tradicionais que nossos avós usavam para melhorar sua potência, num tempo onde o uso de ativos naturais ainda sobrepujava a influência da indústria farmacêutica e a tecnologia era limitada.  Algumas dessas estratégias podem ajudar as pessoas que não têm indicação formal dos medicamentos vasodilatadores. 

Muitas plantas têm sido usadas por diferentes populações no mundo, para melhorar a potência sexual. Na África, por exemplo, uma espécie local, a “casca de ioimbe” (Pausinystalia yohimbe) tem sido usada tradicionalmente para melhorar a potência sexual por várias tribos locais.  Ela possui um alcalóide, a yoimbina, que possui potentes ações no organismo, seja estimulando o sistema simpático, seja promovendo vasodilatação, e apresentou  resultados em estudos clínicos de disfunção erétil. Contudo, o uso indiscriminado dessa planta tem causado efeitos colaterais, inclusive crises de hipertensão. 

A biodiversidade brasileira foi mais generosa e nos presenteou com plantas que também são ativas, mas cuja segurança e freqüência de efeitos indesejáveis é muito menor.  Uma é a marapuama (Ptycopetalum olacoides), um cipó que cresce na Amazônia.  Num estudo clínico, homens que usaram marapuama tiveram um número significativamente maior de relações sexuais que um outro grupo que ingeriu placebo.  Entretanto, a forma de agir da marapuama é diferente da casca de ioimbe.  Ela atua muito mais no cérebro melhorando a libido.  Estudos feitos na UFRGS mostraram que a marapuama também tem ação antidepressiva e ajuda na memória, por seus efeitos facilitadores dos estímulos cerebrais. 

Outra planta que é muito conhecida no Brasil por sua fama de melhorar a potência sexual masculina é a catuaba.  Existem mais de uma espécie chamada de catuaba no Brasil e todas com emprego como afrodisíaco.  A catuaba verdadeira é a espécie introduzida pelos índios tupis-guaranis com esse nome, cujo nome botânico é Anemopaegma arvensis.  Planta que cresce no Planalto Central do Brasil, desde o Nordeste até São Paulo, foi tão explorada na primeira metade do século passado, que quase foi extinta.  Mas como os mateiros começaram a procurar outras espécies e pararam com a coleta predatória, a espécie se recuperou e já ocorre de novo em vários estados brasileiros.

Cientistas fizeram experiências com catuaba nos anos 30 e 40, mostrando que ela tinha um forte efeito vasodilatador, além de atuar no sistema nervoso autônomo. Alcalóides semelhantes à yoimbina foram isolados.  Mas esses estudos caíram no esquecimento e atualmente a sua metodologia é considerada ultrapassada.  Aparentemente a vantagem da catuaba sobre a casca de ioimbe é que a primeira tem efeito mais suave e não costuma causar efeitos colaterais.  Mesmo assim não deve ser usada por pessoas com problemas cardíacos, glaucoma ou retenção urinária.

Segundo a tradição, a marapuama e a catuaba precisam ser usadas em associação para potencializar seu efeito.  Mateiros que fazem *garrafadas ainda acrescentam gengibre,  ginseng, fafia e outras plantas tônicas alegando que elas aumentam o efeito das plantas com atividade afrodisíaca.  Quem já foi no mercado do Ver o Peso em Belém, teve oportunidade de ser abordado por vários mateiros com suas garrafadas afrodisíacas de marapuama e catuaba.

O uso de fitoterápicos pode ajudar para melhorar a potência, mas quando o resultado não é satisfatório, a pessoa precisa consultar um médico.  É importante verificar a causa do problema e adequar para o melhor tratamento. Se ela é emocional, abordagens como programação neurolingüística  (PNL), psicoterapia, aromaterapia e terapia com florais de Bach podem ajudar.  Se for causada por um problema neurológico, talvez a acupuntura possa oferecer algum resultado, pois ela pode aumentar os reflexos nervosos causadores da  ereção. Vale destacar que é recomendável se ter bons hábitos, como alimentação saudável, mais de seis horas de sono tranqüilo, caminhadas diárias e controle do estresse.

*Garrafada e um tipo de preparação tradicional onde as plantas medicinais são colocadas dentro de uma garrafa com cachaça e deixadas por um tempo, para então tomar um peqeuno cálice dário como medicamento.

Atenção!
Esse texto e esta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento de um médico e não se caracterizam como sendo um atendimento

 

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Alex Botsaris
é médico especializado em Medicina Complementar
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