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Há seis anos sou viciada em anfepramona. Desejo me livrar dessa
droga, mas infelizmente não consigo. Se paro de tomar o remédio,
perco o controle da alimentação, fico irritada, só
penso em comida a qualquer hora do dia. Qual é o primeiro passo
para poder largar este vício?
| Dependência de anfetaminas
é solucionável, mas não é simples
- "Até o momento, não existem medicações
comprovadamente eficazes no manejo dessa condição médica.
Isso, entretanto, não significa que não existe tratamento
médico. Isso significa, dentre outras coisas, que cada paciente
deverá ser rigorosamente avaliado e examinado por especialistas
objetivando a individualização do tratamento" |
Resposta: As anfetaminas
e os anfetaminoides têm sido muitas vezes inadequadamente utilizados
desde a sua introdução no mercado internacional. Por
exemplo, existem relatos de que diferentes anfetaminas eram rotineiramente
utilizadas por soldados durante a II Guerra Mundial e a Guerra do
Vietnam para mantê-los alerta nas situações de
combate. |
De fato, o abuso dessas substâncias deve-se aos seus efeitos de
euforia e às suas propriedades de excitação motora
e psíquica. Além desses efeitos, a supressão do apetite
e a sensação de estar mais alerta são importantes
fatores para o início e manutenção do consumo inadequado
dessas drogas.
Também, muitos indivíduos são "apresentados"
a essas drogas por razões médicas; porém, o desenvolvimento
e a manutenção de um consumo abusivo entre esses indivíduos
acaba ocorrendo por "conta própria do paciente".
| Quando alguém
inicia o consumo de anfetaminas, frequentemente sente o aumento da
energia, melhora das habilidades para interação social
e euforia. O usuário pode sentir a necessidade de consumir
a droga para melhorar sua performance nos estudos e na vida social,
bem como aperfeiçoar sua aparência física - perder
peso. |
Com o uso prolongado e frequente, o usuário percebe que doses
maiores produzem maiores efeitos. O indivíduo consome regularmente
a droga, torna-se muito preocupado com a possibilidade da falta da substância
e com a dificuldade para consegui-la. Neste momento, quando o usuário
cessa subitamente o uso, apresenta sintomas desagradáveis.
Sintomas da síndrome de abstinência
Na fase precoce da síndrome de abstinência às anfetaminas,
o dependente pode manifestar sensação de estar deprimido,
ansioso, sem energia e com muita vontade de consumir a droga. As memórias
relacionadas ao consumo do estimulante vêm veementemente à
tona, bem como um forte impulso de buscar por ela. Nesta fase, insônia
e aumento do apetite são bastante comuns. A procura por farmácias
clandestinas e a confecção de receitas médicas falsas
também ocorrem frequentemente para a obtenção da
droga.
Em uma fase mais avançada da síndrome de abstinência
às anfetaminas, muito comumente os usuários sentem: redução
significativa da energia física necessária para o exercício
das atividades diárias, fadiga, falta de interesse nas atividades
corriqueiras do dia-a-dia. Se o usuário permanecer abstinente por
6 a 8 semanas, a sensação de falta de energia, ansiedade
e irritabilidade tende a atenuar, mas pode permanecer com flutuações
por cerca de 6 a 9 meses.
Fissura ou craving
Existe, também, uma fase mais tardia de abstinência de anfetaminas.
Aqui, o dependente pode manifestar ainda intensa fissura para consumir
a substância. Esses episódios de fissura (ou "craving")
são frequentemente desencadeados por situações ou
vivências nas quais, anteriormente, o indivíduo costumava
usar a droga.
Além de todos esses indesejáveis efeitos relacionados ao
consumo prolongado das substâncias anfetamínicas e anfetaminoides,
existe uma miríade de outras consequências físicas,
psiquiátricas e sociais altamente nocivas.
Primeiro passo
Como tenho reiterado INÚMERAS vezes aqui no Vya Estelar,
no que concerne ao PRIMEIRO PASSO no tratamento das dependências
químicas, o indivíduo deve tanto desejar tratar-se quanto
procurar um profissional especializado na matéria.
Um soma enorme de esforço tem sido direcionada para desenvolver
tratamentos médicos e psicológicos adequados e eficazes
para o tratamento de portadores de quadros de abuso/dependência
de estimulantes, como as anfetaminas.
Como essas substâncias alteram o funcionamento do Sistema Nervoso
Central de forma incisiva, as abordagens farmacológicas têm
recebido especial atenção. No entanto, até o momento,
não existem medicações comprovadamente eficazes no
manejo dessa condição médica. Isso, entretanto, não
significa que não existe tratamento médico. Isso significa,
dentre outras coisas, que cada paciente deverá ser rigorosamente
avaliado e examinado por especialistas objetivando a individualização
do tratamento médico e psicossocial.
De fato, alguns dependentes de anfetaminas necessitarão de suporte
farmacológico diante dos sintomas da síndrome de abstinência
ou mesmo de outros sintomas clínicos e psiquiátricos dos
quais possa padecer.
Dessa forma, procure urgentemente um profissional altamente especializado
na matéria. Boa sorte!
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