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| "É preciso evitar o consumo
de álcool se estiver utilizando essas medicações...
Existem relatos de reações adversas entre pacientes
que estavam fazendo uso dessas medicações e usaram loções
pós-barba e perfumes" |
Resposta:
Os recursos farmacológicos para diminuir a fissura pelo álcool
entre pacientes dependentes dessa substância são importantes
ferramentas médicas para o controle desse grave problema de
saúde pública em vários locais do mundo. |
Atualmente, existem três medicações comprovadamente
eficazes e aprovadas pelo FDA (Food and Drug Administration)
para o tratamento da Síndrome de Dependência de Álcool:
Naltrexone, Acamprosato e Dissulfiram. Existem outras medicações
também eficazes no tratamento dessa doença, mas ainda sem
a aprovação oficial desse órgão americano
para a utilização nessa condição, como o Topiramato.
Outras medicações vêm sendo investigadas, como o Baclofeno
e a Ondansetrona para o manejo clínico de dependentes de álcool.
É sempre bom frisar que os recursos farmacológicos devem
sempre ser adjuntos ao tratamento psicoterápico ou comportamental
específico para o manejo dessa doença.
| Todas as medicações têm
seus efeitos colaterais. No entanto, o rigoroso acompanhamento médico
associado com a presença de especialistas no assunto, reduz
imensamente a incidência desses efeitos colaterais, já
que o manejo clínico será adequadamente individualizado
e baseado sempre em evidências clínicas e científicas. |
Principais efeitos colaterais associados com as medicações
aprovadas:
Naltrexone (Revia): principal efeito colateral é a náusea
O principal efeito adverso da naltrexona é a náusea, que
geralmente coincide com os níveis plasmáticos atingidos
num período de até 90 minutos depois da ingestão
do medicamento. A hepatotoxicidade (toxicidade ao fígado), baseada
no aumento das transaminases hepáticas (3 a 19 vezes os valores
normais), foi observada nos pacientes tratados com doses elevadas de naltrexona
(acima de 300 mg por dia). As transaminases são enzimas do fígado.
Nas dosagens abaixo de 200 mg/dia não foi encontrado aumento das
enzimas hepáticas. Entretanto, a monitorização mensal
dos valores da bilirrubina total e suas frações e das transaminases
séricas nos três primeiros meses, e depois a cada três
meses, é importante. Monitorizações mais frequentes
devem ser indicadas quando as transaminases estiverem elevadas. A naltrexona
deve ser suspensa se as elevações das transaminases persistirem,
salvo se forem brandas e atribuídas ao consumo de álcool.
Acamprosato (Campral): pode causar náusea, diarreias, vômito,
dor de cabeça, confusão mental, sonolência, diminuição
da líbido
Essa medicação tem sido bem tolerada. Porém, náusea,
diarreias e vômitos são relatados por alguns pacientes. Em
geral, os efeitos adversos mais registrados são cefaléia
e sintomas gastrointestinais (dor abdominal, náuseas e vômitos).
Efeitos dermatológicos (prurido, rash máculo-papular e reações
bolhosas) são mais raros. Enjoos, confusão mental, sonolência
e alteração de libido também foram relatados em alguns
estudos. Monitorização de hipercalcemia (aumento dos níveis
plasmáticos de cálcio) é recomendada em pacientes
com "intoxicação" acidental ou suicida por essa
droga.
Dissulfiram (AntiEtanol): é raro, mas pode causar hepatite
após dois meses de uso. Outros sintomas são
inflamação do nervo óptico; dermatite, fadiga e disfunção
erétil
Trata-se de uma medicação com boa tolerabilidade. A hepatite
medicamentosa é um efeito adverso raro que pode ocorrer, principalmente,
após dois meses de tratamento com essa medicação.
A detecção precoce dessa condição clínica
pode ser realizada através das provas de função hepática,
inclusive as suas formas leves. Recomenda-se monitorizar a função
do fígado a cada três meses na fase de manutenção.
No primeiro mês de tratamento, esses exames laboratoriais podem
ser realizados a cada duas semanas. Embora raros, outros efeitos colaterais
têm sido descritos como: neurite óptica (inflamação
do nervo óptico), dermatite medicamentosa, fadiga e disfunção
erétil.
| É essencial que os
pacientes saibam que não podem, sob quaisquer pretextos ou
motivos, ingerir bebidas alcoólicas durante o tratamento com
essa medicação, já que reações
bastante adversas podem ocorrer, tais como: mal-estar geral, vermelhidão,
taquicardia, sudorese, sensação de morte iminente. |
Em casos graves, se o paciente ingerir álcool na vigência
do uso dessa medicação, quadros de depressão respiratória,
convulsões e morte podem infelizmente ocorrer.
Desta feita, o paciente e seus familiares devem compreender exatamente
todas as implicações desse tratamento e assinar termo que
contenha todas as explicações concernentes ao uso dessa
medicação, demonstrando pleno entendimento dos objetivos
do tratamento bem como dos efeitos adversos relacionados inerentemente
com a medicação e também com aquelas situações
onde o paciente não adere às recomendações
médicas e ingere bebidas alcoólicas.
Logo, o paciente e seus familiares deverão:
a) Avaliar os objetivos do tratamento médico;
b) Entender os objetivos desse tratamento;
c) Avaliar os efeitos positivos inerentes ao uso da medicação;
d) Entender os efeitos negativos resultantes do uso inadequado
da medicação.
Outrossim, os pacientes que forem receber essa medicação
devem ser advertidos que mesmo a menor ingestão de álcool
pode levar a sintomas desagradáveis. Logo, quaisquer preparações
contendo álcool, como tônicos, xaropes, loções
devem ser proibidas. Existem relatos de reações adversas
entre pacientes que estavam fazendo uso dessa medicação
e usaram loções pós-barba e perfumes.
Também, é importante notar que os pacientes devem estar
abstinentes de álcool pelo menos em cerca de 12 horas antes do
início da tomada da medicação. Além disso,
quando os pacientes cessarem o uso dessa medicação, as reações
desagradáveis podem ocorrer em até duas semanas, caso os
pacientes venham a consumir bebidas alcoólicas.
Apesar disso, o uso desta medicação é bastante seguro,
se o paciente não ingerir álcool ou quaisquer
outras substâncias que contenham álcool na vigência
do uso do Dissulfiram e se o paciente estiver sob adequado
e rigoroso acompanhamento médico.
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