| A qualquer sinal
de tristeza, melancolia, silêncio, mudança de comportamento,
desarranjo físico, lá vem alguém, diretamente ou
por meio de algum texto, tentando nos inserir no quadro da depressão.
E olha que a lista de sintomas é enorme, podendo nela caber a maioria
daquilo que vez ou outra qualquer um sente.
Primeiro, para se definir alguém como depressivo
deve estar ocorrendo com ele uma determinada associação
desses sintomas, considerando também a sua recorrência e
persistência, entre outros fatores. Apenas um especialista pode
avaliar. Portanto, não é bom ir acreditando, de cara, em
tudo o que se diz a respeito, ou diagnosticar-se com base na própria
interpretação de dados aleatórios.
Segundo, deprimir-se não é “ser depressivo”.
Uma situação pontual de depressão, ou de alguns de
seus sintomas, pode ter diversos motivos, entre eles os momentos de transformação
pessoal. Todos nós temos buracos, mas existe diferença entre
o deprimir-se na tomada de consciência e busca de resolução
para as questões que nos afetam, e a atitude passiva de deixar
a depressão ocupar nossos espaços dolorosos. A dor não
é menor, apenas diferente, mesmo porque esta última nos
impede de sair do lugar.
Terceiro, comportamentos diferenciados ou mudanças
de comportamento, como atitudes de recolhimento, por exemplo, que é
comum vermos relacionadas à depressão, podem significar
uma necessidade do momento, ou uma característica do sujeito. Alguns
conseguem manter o diálogo consigo mesmo, e com os outros dentro
de si, em meio aos mais diferentes tipos de barulhos, o da cidade grande,
o da animada festa, o do som espalhado pelos diversos ambientes da casa,
o do almoço de domingo com toda a grande família; enquanto
outros precisam do mais absoluto silêncio. É natural que
estes busquem mais tempo sozinhos.
Introspeção
Nesse mesmo sentido, há também aqueles que precisam falar
o tempo todo para elaborar suas questões, enquanto outros realizam
melhor esta elaboração na introspeção.
Havemos, ainda, de considerar a possibilidade de mudanças a que
todos nós, felizmente, estamos expostos: fazem-se outras escolhas,
selecionam-se coisas e assuntos; o que não quer dizer negar-se
ao contato com o mundo externo, apenas exercê-lo de outro modo.
É evidente que há parâmetros apontando o limite do
saudável. Não deve ser desprezado. Se a falta ou excesso
de apetite, a insônia, a irritabilidade, a indisposição
física, a queda ou a nulidade na produção e o desinteresse
por tudo persistirem mais que o tempo necessário para se começar
a vislumbrar saídas para as aflições, é hora,
sim, de procurar ajuda.
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