| "A intolerância
à lactose é um exemplo desses transtornos que ocorre
quando uma deficiência genética afeta a capacidade do
individuo de metabolizar esse carboidrato presente no leite"
"Os sintomas de intolerância
à lactose incluem diarreia, inchaço e dor abdominal,
flatulência e náuseas"
"Bebidas como o iogurte ou leite fermentado pode ser uma boa
recomendação em comparação com outros
produtos lácteos para pessoas com intolerância à
lactose, pois esses produtos contêm bactérias com atividade
de lactase que digerem a lactose. O nível de lactase varia
de uma marca de iogurte para outra"
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O leite é um complemento dietético de grande valor nutritivo,
por conter proteínas de boa qualidade, sais minerais, gorduras
e um açúcar, a lactose, principal carboidrato presente no
leite e produtos lácteos. Não é de ocorrência
em plantas e é encontrado exclusivamente nas glândulas mamárias
de animais em estado de lactação.
Normalmente quando ingerida através do leite e de seus derivados,
a enzima lactase decompõe a lactose no intestino para formar os
açúcares glicose e galactose, que são absorvidos
facilmente através da parede intestinal para a corrente sanguínea.
Portanto, para que possamos digerir e absorver a lactose do leite é
necessário que haja essa quebra (que na ciência chamamos
de hidrólise). Se essa enzima está ausente ou seus níveis
são muitos baixos, a lactose não absorvida sofre fermentação
por ação das bactérias intestinais, produzindo sintomas
dolorosos como inflamação abdominal, cólicas, diarreia
e vômito. Esses sintomas se desenvolvem comumente na adolescência
ou na idade adulta, e é pouco comum em bebês e crianças.
Nenhum tratamento pode melhorar a capacidade do organismo para produzir
lactase, mas os sintomas podem ser controlados facilmente com a dieta.
Relata-se que uma ingestão moderada de lactose, isto é,
cerca de 5g a 12g, que corresponde a cerca de 100-200ml de leite, é
o suficiente para que se manifestem os sintomas, sendo, portanto, necessária
a restrição absoluta desse alimento, bem como das preparações
que o contenha.
A lactose não tem especial importância nutricional para os
adultos, no entanto, é a mais importante fonte de energia durante
o primeiro ano de vida de um ser humano, fornecendo quase a metade do
consumo de energia total do recomendado para crianças.
Intolerância à lactose é um transtorno metabólico
alimentar
Os transtornos alimentares envolvem deficiências metabólicas
geneticamente determinadas, que afetam a capacidade da pessoa para metabolizar
um componente alimentar ou aumentar a sensibilidade a algum produto químico
de origem alimentar através de um padrão metabólico
alterado. A intolerância à lactose é um exemplo desses
transtornos que ocorre quando uma deficiência genética afeta
a capacidade do individuo de metabolizar esse carboidrato presente no
leite. Na intolerância à lactose a deficiência da enzima
ß-galactosidase (lactase), leva a uma diminuição da
capacidade de digerir a lactose, em açúcares que a compõem,
glicose e galactose. Lactase é encontrada no jejuno (no inicio
do intestino delgado) especificamente nos enterócitos que são
as células epiteliais do intestino. Os sintomas da intolerância
à lactose se desenvolvem na infância como resultado de uma
progressiva redução na quantidade de enzima produzida. Os
sintomas de intolerância à lactose incluem a diarreia, inchaço
e dor abdominal, flatulência e náuseas.

Na imagem acima: Eventos intestinais na tolerância à lactose
comparada com a intolerância. (Fonte: Tuure & Korpela, 2004)
Na maioria dos mamíferos, como os humanos, a atividade da enzima
lactase diminui após o desmame, mas em alguns grupos étnicos
como os caucasianos da Europa ocidental, a atividade da lactase pode persistir
na vida adulta, permitindo a digestão total de grandes quantidades
de lactose na dieta. A intolerância à lactose afeta muitas
pessoas no mundo. Embora apenas cerca de 6 a 12% dos caucasianos sejam
afetados, esse transtorno metabólico é muito mais prevalente
em outros grupos étnicos e raças, afetando cerca de 60 a
90% dos gregos, árabes, judeus, afroamericanos, hispânicos
e japoneses. A intolerância à lactose pode ter seu inicio
em qualquer fase da vida, mas tende a piorar com o avanço da idade
e muitas vezes é mais comum e mais grave entre idosos.
Restringir ou evitar a lactose
Pessoas com intolerância à lactose melhoram seus sintomas
ao reduzir a quantidade de alimentos que contêm esse carboidrato,
como o leite, iogurte, queijo, creme e manteiga, e a maioria toleram pequenas
quantidades sem sintomas. Não obstante, algumas pessoas desenvolvem
sintomas com uma diminuta quantidade de lactose. Caso o individuo não
consiga tolerar a ingestão de uma pequena quantidade de lactose,
existem enzimas lactase disponíveis no mercado que podem ajudar
na digestão.
Evitar a lactose contida em produtos lácteos depende do grau de
tolerância a esse carboidrato, que é usualmente diagnosticado
clinicamente mediante o teste de tolerância à lactose (LTT,
Lactose Tolerance Test). Alguns indivíduos intolerantes
à lactose podem ser capazes de tolerar alguns produtos lácteos.
Existem no mercado alternativas alimentares como o leite deslactosado,
sendo um produto eficaz, mas o seu sabor doce tem limitado sua aceitação.
Esses produtos deslactosados são geralmente obtidos mediante processos
enzimáticos, onde a lactose é decomposta à glicose
e galactose, como resultado se reduz a concentração de lactose
nos produtos lácteos, permitindo o consumo de leite por pessoas
intolerantes a esse carboidrato.
Estudos têm indicado que a tolerância à lactose aumenta
quando esse carboidrato é consumido com uma refeição.
Bebidas como o iogurte ou leite fermentado pode ser uma boa recomendação
em comparação com outros produtos lácteos para pessoas
com intolerância à lactose, pois esses produtos contêm
bactérias com atividade de lactase que digerem a lactose. O nível
de lactase varia de uma marca de iogurte para outra.
Alimentos sem lactose
Existem formas deslactosadas de leite, queijo e iogurte, mas caso você
não as tolere, é melhor provar os produtos de leite de soja
que não tem lactose, mas fornecem muitos dos nutrientes presentes
no leite de vaca.
Cuide da sua ingestão de cálcio
Os lácteos são nossa principal fonte de cálcio,
o qual é importante para manter a saúde dos ossos. É
importante determinar a incorporação máxima dos níveis
tolerados de produtos lácteos na dieta de indivíduos intolerantes
à lactose mediante o LTT. Estudos têm demonstrado que a osteoporose
pode resultar da ingestão inadequada de cálcio associada
ao não consumo de produtos lácteos na dieta de indivíduos
intolerantes à lactose.
O objetivo principal do LTT deve ser o de determinar o nível de
tolerância para cada indivíduo com esses transtornos e construir
uma dieta que permita um máximo benefício e usufruto de
produtos lácteos.
Quando existe um alto grau de intolerância à lactose, uma
opção seria procurar incluir na dieta diária produtos
de leite de soja sem lactose. Outros alimentos ricos em cálcio
incluem brócolis, salmão e folhas verdes como rúcula
e couve. Caso a alimentação habitual do individuo seja pobre
em cálcio, um suplemento de 800 a 1200 mg ao dia é aconselhável
para manter os níveis de cálcio recomendados.
Cuidados nutricionais
Alimentos não permitidos
Todos os leites in natura ou em pó de qualquer espécie
e todos os produtos contendo leite (exceto o leite sem lactose), tais
como sorvete, iogurte, leite condensado, queijo, leite maltado, ovomaltine,
alguns cafés instantâneos e bebidas de cacau, manteiga, requeijão,
etc.
Sobremesas preparadas com leite; bolos, biscoitos e misturas comerciais,
maioneses com lactose, creme de leite, margarinas e molhos contendo leite,
embutidos contendo sólidos de leite, sopas comerciais contendo
lactose, chocolate e goma de mascar.
Observando todos os alimentos não permitidos, fica clara a importância
da leitura dos rótulos dos produtos comerciais, pois muitas vezes,
um produto pode parecer inofensivo para o intolerante à lactose
por não ser derivado do leite, mas pode conter em sua composição
a lactose. É o caso, por exemplo, de certos antibióticos,
vitaminas e preparações de sais minerais, que contém
em sua composição lactose.
Últimas considerações
A maioria dos adultos com intolerância à lactose pode consumir
pequenas quantidades de lactose sem apresentar os sintomas, sendo que
ela é mais bem tolerada quando ingerida como parte de uma refeição
do que separadamente. Entretanto, em crianças recomenda-se a exclusão
total de alimentos que a contenham.
Como já citado anteriormente leite e derivados tratados com enzima
lactase estão disponíveis no mercado, bem como a própria
enzima que pode ser adicionada ou ingerida oralmente antes de uma refeição
contendo leite ou produtos lácteos.
Dependendo da extensão na qual o leite e derivados devem ser evitados,
a dieta deve ser avaliada para o conteúdo de cálcio, vitamina
D e riboflavina (nutrientes importantes presentes no leite). Isto é
válido especialmente para crianças e mulheres.
Mais informações: www.jocelemsalgado.com.br
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