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| "O verdadeiro líder
é aquele que tem a capacidade não só de usar
sua competência, sua força principal, seja ela da administração,
do comando ou da inspiração, como também sabe
lançar mão de qualquer uma das três no momento
necessário" |
Em geral quando se fala em líder,
a tendência é imaginá-lo como aquele personagem
carismático que tem ideias brilhantes e arrasta multidões.
Mas não é só isso. |
Há uma espécie de tripé de competências que
sustenta os líderes campeões. E é preciso desenvolver
cada uma dessas bases para ser um líder completo. Vamos ver cada
uma delas:
O líder tem de ser um inspirador
Aquela pessoa que, com seus sonhos, com sua força, consegue contagiar
todos aqueles que estão por perto a fazer as transformações
necessárias.
O líder tem de ser um administrador
Ter uma meta, um sonho com hora marcada para se realizar. Mas não
apenas a meta. Tem de ter também um plano para chegar ao seu objetivo
e a capacidade de administrar matematicamente esse percurso.
O líder tem de saber ser chefe
Saber usar o poder do cargo, da posição, também é
importante, em especial nos momentos de crise, nas ocasiões nas
quais existem as pressões do tempo.
Imaginemos, por exemplo, um princípio de um incêndio dentro
de um cinema. Naquele momento, não há tempo para diálogo,
para se reunir e encontrar em grupo a decisão a tomar. Nessa situação,
você precisa de uma pessoa com firmeza e coragem. Alguém
que não só tenha voz ativa para acalmar as outras pessoas,
como também tenha equilíbrio para apontar a saída,
direcionar os que estão em desespero, mesmo que isso signifique
ficar numa posição de perigo. Ou seja, o chefe tem de entrar
em cena.
Na empresa, o líder é aquele que, num momento de crise,
quando os negócios estão à beira da falência,
tem a coragem de apontar os caminhos, e a força para fazer com
que os outros o sigam, apesar do risco, apesar do incêndio.
Nós dizemos em medicina que, se o médico não tem
opção, o paciente também não tem opção.
Para um médico, que se vê sem saber o que fazer, o que está
faltando é a força de comando, característica típica
dos chefes.
Um médico quando se depara com uma mulher grávida, cujo
bebê está passando por uma situação de sofrimento
fetal, não tem tempo de ficar refletindo muito sobre a decisão
a ser tomada. O tempo espreme a possibilidade de amadurecer a decisão.
Então ele tem de ser centrado para ordenar, aos outros ou a si
mesmo: vamos fazer uma cesárea agora, porque, do contrário,
a criança poderá morrer. A mãe, depois, poderá
até ficar triste porque o sonho dela era ter o parto natural. Mas
o sofrimento fetal exige essa tomada de decisão rápida.
Às vezes, a empresa tem um plano de crescimento, de vendas, porém,
ocorre uma mudança inesperada de circunstância. Alguém
tem de ter presença de espírito para enxergar com clareza
o momento de decisão e colocar o barco na nova rota a ser tomada
para que ele não naufrague.
O que eu observo é que cada pessoa tem uma tendência para
exercer cada um desses papéis de liderança. Há aqueles
que são excelentes inspiradores, só que não sabem
administrar bem. São incapazes de estabelecer e cumprir os métodos
que realizem os objetivos que criaram.
Outras pessoas são grandes inspiradoras, mas, na hora em que é
necessário uma tomada de decisão rápida, falham porque
não sabem liderar com os instrumentos que têm de ter o chefe,
o comandante.
É por isso, que vemos tantos bons gerentes sofrendo. Porque eles
são ótimos administradores. Recebem-se uma meta, algumas
instruções e as diretrizes de como operar, se saem extraordinariamente
bem. Mas esse mesmo gerente que é um bom administrador, às
vezes não consegue inspirar sua equipe, ou não é
capaz de tomar uma decisão rápida e acertada num momento
de crise.
A experiência tem nos mostrado que é comum acontecer o contrário
também. Acompanhamos novos empresários que começam
com aquele gás, com aquela força, porque têm muita
inspiração. Mas, passado um ano ou dois, percebem que precisam
de sistemas, processos, métodos. São novos empreendedores
que têm de aprender a ser também administradores. Portanto,
é importante que as pessoas desenvolvam esses três aspectos
do seu perfil.
Infelizmente, como o Brasil foi dominado pela ditadura durante mais de
vinte anos, a maior parte dos profissionais que está no mercado
hoje foi criada para ser o chefe.
É preciso observar que sempre que ocorre uma crise, é porque
houve uma falha no sistema de gestão. O que aconteceu é
que essa pessoa, que está acostumada a liderar a equipe no grito,
não teve a capacidade de dialogar, que o inspirador tem, e não
teve a capacidade de estruturar, que o administrador tem.
Então, o verdadeiro líder é aquele que tem a capacidade
não só de usar sua competência, sua força principal,
seja ela da administração, do comando ou da inspiração,
como também sabe lançar mão de qualquer uma das três
no momento necessário.
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