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Saiba lidar com a lipofobia: o medo de alimentos gordurosos | |||||
| por Adriana Kachani | |||||
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Vivemos uma LIPOFOBIA. Lipo significa gordura. Fobia, significa medo. Os médicos aconselham evitá-la, a mídia divulga. Os educadores físicos orientam, as pessoas se desesperam. É muito difícil comer alguma coisa sem gordura!!! Mas será que a gordura é tão perigosa assim? Quem não se preocupa com excesso de colesterol? De triglicérides? Não bastasse tudo isso, como novidade, temos agora as gorduras trans! Sabemos que as gorduras "entopem" veias e artérias, causam obesidade, distúrbios hormonais, esteatose hepática... a lista é infindável. Mas alguém já parou para pensar em todos os benefícios que a gordura traz para nosso organismo?
É que sem gordura não se menstrua, pois a gordura faz parte da estrutura de vários hormônios, entre eles, os femininos. Aliás, a amenorréia ou falta da menstruação é um dos primeiros indícios de desnutrição. A gordura forma, ainda, a bainha de mielina, responsável pela condução de nossos neurotransmissores, que por sua vez são responsáveis para que a mensagem de uma célula nervosa seja transmitida a outra. Se levarmos em consideração que o sistema nervoso central controla e coordena as funções corporais e permite que nosso corpo responda e aja sobre o meio ambiente, encontramos aí outro papel fundamental da gordura. A gordura protege nosso corpo contra quedas, contra batidas. Ela nos aquece no inverno. É também uma "poupança" de energia, para aqueles momentos que nossos estoques de glicose estão baixos. Ela ajuda, ainda, a absorvermos certas vitaminas - A, D, E, K - uma vez que serve de transporte para elas. Não bastasse isso, quem gosta de abraçar um corpo que seja somente "pele e osso"? A gordura é fundamental para dar aquele toque a mais que o brasileiro tanto gosta no visual de suas mulheres. Mas se ela é tão necessária, por que vivemos numa luta contra a gordura? Podemos - e devemos comer gordura. Ela está prevista na nossa dieta em todos os consensos de nutrição, seja da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN), seja da American Heart Association ou ainda da American Dietetic Association. Aliás, devemos consumir mais gordura do que proteína, vocês sabiam? A questão toda é qual tipo de gordura devemos consumir. O importante é evitar gorduras saturadas e trans. Para evitá-las é fundamental aprendermos a examinar tabelas nutricionais. O teor de gordura pode ser encontrado em todas as embalagens, é obrigatório por lei. Em locais que compramos alimentos não embalados - um doce, um pão e outros - é dever do local disponibilizar estas informações de alguma forma. Mesmo alimentos cheios de gordura podem ser consumidos de vez em quando. O IMPORTANTE É TER BOM SENSO. Algumas pessoas chegam ao meu consultório se vangloriando de terem ido numa festa e não terem comido nada. Para sua surpresa, levam bronca. Fazer dieta não é ser um indivíduo anti-social, que não pode pertencer ao grupo, pois o nutricionista/ médico proíbem ir à pizzaria, tomar um sorvete ou comer o bolo da festa de aniversário do filho. Não somos sádicos. Queremos que nossos pacientes façam a dieta de forma indolor. Sabemos que comportamentos restritivos fazem com que o indivíduo se sinta excluído, com muita raiva da dieta. Assim, o fracasso é certo. Doses homeopáticas funcionam muito bem. Comer certos alimentos proibidos - às vezes, em poucas quantidades - é normal e não faz mal a ninguém. O problema é quando isso vira rotina. Problema maior é quando a dieta vira uma obsessão. Só se fala nela, só se vive em função dela. O problema é a dieta dominar nossas vidas. Algumas pessoas
encontram na dieta a única forma de viver, não percebem o quão
tirânica esta pode ser. O quão apavorante ela pode ser. Toda fobia
deve ser tratada. Por que não a lipofobia? | |||||
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