| "Expressão
Não se mexe em time que está ganhando é
conservadora e pouco propícia a melhorias" |
Tempos difíceis pedem soluções
criativas. Todos sabem que o mundo enfrenta uma grave crise econômica
e financeira com repercussões que estão atingindo e
ainda vão atingir a maioria das pessoas pelo mundo afora. |
Somente através de novas soluções poderemos chegar
mais rapidamente à superação deste mau momento.
Para isto há uma grande demanda de criatividade, tanto da parte
das autoridades, quanto da população em geral. Os políticos
precisam lidar com os problemas em um nível governamental, dirigentes
de empresas enfrentam dificuldades administrativas e a população
tem de encarar a questão da sobrevivência individual e familiar.
Saber que é necessário encontrar soluções
criativas nos permite abandonar velhos recursos que não satisfazem
mais e exercitar a reflexão para buscar novas respostas. Parece
pouco, mas é um bom começo. Livrar-se da expectativa de
repetir comportamentos anteriores e, mais ainda, abandonar a crença
de que a responsabilidade pelo nosso bem-estar depende de autoridades
superiores ou de intervenções divinas nos coloca em uma
trilha adequada para o encontro com nossa própria criatividade.
Você pode começar avaliando seus projetos de vida, suas prioridades
e se perguntando o que realmente é fundamental para sua existência.
Encontrar o sentido de sua vida, perceber qual o caminho para onde aponta
seu coração, vai lhe ajudar a fazer uma seleção
das diversas exigências que estão presentes em sua vida e
escolher os aspectos que lhe são mais caros e fundamentais.
Prioridades
A partir daí, trata-se de enfrentar a questão de como suas
prioridades serão atendidas.
Pondere com clareza sua situação. Se você tem um emprego
pergunte-se até que ponto ele está em risco e que alternativa
você tem para a eventualidade de ser despedido ou de seu empregador
ir à falência. Existe alguma contribuição que
você possa fazer para evitar que tais riscos aconteçam? E,
caso aconteça o pior, qual poderá ser a sua alternativa?
Os especialistas dizem que a empregabilidade está diminuindo cada
vez mais e este fenômeno tende a continuar para o futuro. Portanto,
a idéia de trabalhar por conta própria começa a se
impor com vigor.
Se você já trabalha por conta própria, ou possui uma
pequena empresa, possivelmente já começou a sentir por onde
a crise mundial atinge seu meio de vida. É o momento de exercitar
a inteligência para buscar saídas e alternativas. Chegou
a hora de ter coragem para mudar o que estava dando certo (e não
está mais) e mexer no time que estava ganhando. Aliás, convém
frisar o equívoco da ideia contida nesta expressão popular.
Trata-se de uma postura muito conservadora e pouco propícia a melhorias.
Na verdade, quando um time continua ganhando é porque mudanças
estão sendo feitas no sentido do aprimoramento. É um erro
esperar a derrota para só então pensar sobre as alterações
que precisam ser realizadas.
Chega a hora de pôr em prática o que estiver sendo pensado
a respeito de suas necessidades fundamentais e de suas prioridades. A
pergunta é de quanto, no mínimo, você precisa para
atender o fundamental de sua existência. Vale lembrar que as melhores
coisas da vida custam muito pouco e algumas são gratuitas. Quanto
a isto, lembro as sábias palavras do filósofo grego Sócrates,
que viveu há mais de dois mil e quinhentos anos, mas cujo pensamento
permanece fascinantemente atual. Ele disse: “quanto menores
são nossas necessidades mais parecidos ficamos com os deuses”.
Finalmente, assinalo a importância da solidariedade como a postura
mais fundamental para a convivência entre as pessoas. Dar e receber
são as atitudes que permitiram o desenvolvimento das relações
humanas e da civilização. Sugiro que você mantenha
sua visão atenta às possibilidades de trabalhar em conjunto
com outros. Parentes e amigos nestas horas contam muito e lembre-se de
que você também é parente e amigo de outras pessoas.
Quero terminar com as palavras de outro grande sábio, D. Helder
Camara – que este ano, em fevereiro completaria 100 anos caso estivesse
vivo – dizia: “ninguém é tão rico que
não precisa de ajuda, nem tão pobre que não possa
ajudar a outros”.
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