| Minha filha e o marido têm
uma vida normal. São muito trabalhadores, têm uma vida financeira
equilibrada, são alegres e comunicativos. Porém, sei que
eles fumam maconha discretamente. Meu netinho tem 18 meses, é uma
criança saudável, amada e bem cuidada por eles. Mas vivo
numa eterna angústia com relação ao futuro dessa
criança. Ela poderá ser viciada? Como posso contribuir de
forma positiva na prevenção?
Resposta: Certamente, é uma situação
bastante preocupante. O uso de maconha pelos pais pode produzir efeitos
altamente nocivos sobre as crianças e os adolescentes em várias
etapas da vida: quando estão crescendo, aprendendo, desenvolvendo-se
física e psicologicamente e formando conceitos sobre o certo e
o errado. Enquanto pai ou mãe, seu filho olhará para os
pais como fonte de ajuda e orientação para a resolução
de problemas e tomada de decisões, incluindo a decisão futura
de usar ou não substâncias psicoativas. Como uma pessoa-modelo
para seus filhos, a decisão dos pais de não utilizar ou
fazer uso de drogas reforçará mensagens diferentes para
os filhos.
Filhos de pais usuários de maconha
tendem a mostrar-se mais agressivos e apresentar comportamentos mais regredidos.
Além disso, tanto por fatores genéticos quanto ambientais,
filhos de pais dependentes de cannábis têm maior chance de
abuso/dependência futura.
Ainda reitero que baixas doses de cannábis podem provocar:
a) Sensação de bem-estar e relaxamento;
b) Sensação de que os sentidos estão
mais aguçados;
c) Leve ou discreta alteração do pensamento
e julgamento;
d) Prejuízo da coordenação motora;
e) Perturbação da percepção
do tempo e espaço;
f) Acidentes de trabalho e domésticos;
g) Crises de ansiedade/pânico.
Notando alguns destes efeitos, podemos reiterar que há razões
mais do que suficientes para os pais procurarem auxílio de profissional
da saúde especializado para cessar o consumo desta substância
imediatamente. Trabalhar, estudar ou mesmo cuidar de uma criança
sob a influência de quaisquer substâncias pode ser um grave
risco presente e futuro para todos.
Atenção!
As respostas do profissional desta coluna não substituem uma
consulta ou acompanhamento de um profissional de psiquiatria e não
se caracterizam como sendo um atendimento
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