| "Adquirir
a consciência de que não tem a capacidade de proteger
sua cria de todos os obstáculos e predadores é uma das
tarefas mais árduas da maternidade" |
Quando penso no processo social da pressão
em que a mulher se colocou, penso no reflexo social provocado. Os
filhos desta mulher dividida, pressionada e mutilada estão
solitários e carentes, sem religião, sem filosofia e
sem sentido de vida. |
A mulher queimou os sutiãs, deixou os seios à mostra,
e esqueceu que assim ficou sem sustentação. Afinal, eles
são os símbolos, antes de tudo, da maternidade e do acolhimento.
Os seios saíram desse lugar simbólico e foram expostos nas
revistas masculinas, nas propagandas de televisão, cheios de silicone,
inchados, alienados e artificiais, com um único significado: a
sedução sexual. Esvaziaram-nos.
Que mensagem é esta que está sendo transmitida às
próximas gerações?
A mulher não queria mais o lugar da colheita, da esposa e da mãe.
Sentindo-se incompleta, e inferior ao homem, rebelou-se contra sua própria
natureza, não atentando para o fato de que esta faz parte de sua
essência feminina.
A busca de um novo lugar a remeteu ao lugar do outro. Ela deveria buscar
um novo lugar na sociedade, um novo lugar dentro do feminino, e não
um lugar competitivo com o masculino.
Não nego que a mulher sofreu e sofre ainda, em muitas sociedades,
discriminação e subordinação a um mundo machista.
Todavia, não podemos esquecer que a mulher tem uma enorme participação
na transmissão dos conceitos na cabeça de seus filhos homens
e mulheres.
O tempo afetivo não caminha junto ao tempo cronológico.
Talvez, por isso, *Cronos tenha engolido seus filhos. As mães perdem
a noção do tempo percorrido ao cuidarem de sua prole. Talvez
porque o tempo afetivo dedicado seja tanto e tão intenso que se
torne imensurável.
E, de repente, não mais que de repente, os filhos crescem e desprendem-se
delas. Mas quem as prepara para isso?
Quando eles nascem, o cordão umbilical é cortado pelo médico,
que as avisa que, a partir daquele instante, o bebê terá
um corpo próprio, mas ainda muito dependente delas. As mães
cuidam da pequena criatura durante anos a fio, e enquanto sua psique acostuma-se
a essa ligação intrínseca, o cordão imaginário
mantém-se ali, unindo-os.
O tempo não para e a cria continua crescendo. O cordão
torna-se um fio cada dia mais fino. Os fatos e o mundo não cansam
de invadir essa relação, lembrando-lhes de que estão
perdendo o controle e que, na verdade, nunca o tiveram, pois a vida do
filho independe da mãe.
Quando essa ficha cai é uma questão de desespero. Cadê
o cordão umbilical? Cadê o fio imaginário? Cadê
a minha outra parte? A mãe percebe-se fraca porque não pode
manter a cria intacta e livre do mal que há no mundo.
Além disso, a perda do poder é uma das piores vertigens
que uma mãe pode sentir.
Adquirir a consciência de que não tem a capacidade de proteger
sua cria de todos os obstáculos e predadores é uma das tarefas
mais árduas da maternidade.
E assim segue a mulher da atualidade, forte, frágil, insegura,
esposa e mãe, por um caminho tortuoso e incerto. Mas segue sem
medo em busca do seu verdadeiro lugar. Feliz dia das Mães!
1 Cronos, titã da mitologia grega que, por medo
de ser destronado por um de seus filhos, engolia-os ao nascerem.
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