| Com o objetivo de
entender melhor a condição humana, o filósofo Rudolf
Steiner criou a antroposofia, que seria um estudo do ser humano em todas
seus aspectos: físico, fisiológico, psicológico e
espiritual. Para ele, nem tudo o que se manifestava no ser humano seria
apenas de ordem física. Haveria uma correlação entre
as várias estruturas do corpo e o espírito, relação
essa que precisa ser compreendida para uma atuação terapêutica
harmônica e equilibrada. Para tanto Steiner descreve o homem como
uma expressão da energia do universo, situado entre dois pólos,
a cabeça sede das idéias, mas onde as células não
se multiplicam, e a genitália onde há uma multiplicação
intensa, mas prevalecem os instintos.
A medicina antroposófica não se denomina uma medicina alternativa
nem se coloca como uma nova vertente, paralela às outras. Ela se
propõe a ampliar o conhecimento médico, acrescentando à
medicina convencional um saber de cunho mais esotérico, mais espiritual.
A antroposofia não busca um determinado medicamento para curar
um diagnóstico específico, ela busca a origem do que levou
ao desencadeamento de determinado problema. Nesse caso, ela pode utilizar
diversos recursos terapêuticos, desde a psicoterapia e a massagem
rítmica à terapia artística, passando pela fitoterapia
e chegando aos modernos aparatos tecnológicos para tratar os doentes.
Ao contrário da homeopatia convencional, que trabalha com potências
elevadas na fabricação dos medicamentos, a antroposofia
utiliza as mais baixas, toleradas com mais facilidade pelo ser humano,
visando interferir o mínimo possível nas naturezas física
e espiritual do paciente.
No caso de portadores da AIDS e de câncer, além de se preocupar
com o aumento da sobrevida do paciente, o especialista atua com o objetivo
de melhorar o seu estado geral e reduzir os efeitos colaterais indesejáveis
produzidos por determinados medicamentos essenciais para o tratamento
da doença em si.
Em relação ao câncer, além de tratamentos para
evitar os efeitos colaterais originários dos métodos convencionais,
Rudolf Steiner adotou o Viscum álbum, o visco, um dos pilares da
farmacotécnica antroposófica, planta é utilizada
há milhares de anos na China e Europa como tratamento popular contra
o câncer. Steiner limitou-se a transformá-la em medicamento,
que também é usado no combate à hipertensão
e outros problemas circulatórios, além de estimular o sistema
imunológico e ter atividade antiinflamatória.
A primeira clínica de antroposofia a ser fundada no Brasil foi
a Tobias e Artemísia, na década de 70, em São Paulo,
o que levou à criação do Laboratório Weleda,
único especializado na fabricação dos medicamentos
antroposóficos no país. Hoje, já há até
um curso de pós-graduação na área, pela Associação
de Medicina Antroposófica (ABMA).
Atenção!
Esse texto e esta coluna não substituem uma consulta ou acompanhamento
de um médico e não se caracterizam como sendo um atendimento
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