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Dicas para seu bem-estar e saúde
Qual a diferença entre medicina complementar, alternativa e integrativa?
por Elisa Kozasa
"Muitas pessoas buscam novas possibilidades de tratamento, pelas dificuldades de conseguir um atendimento pela medicina convencional, ou por estar insatisfeito pela maneira como caminham os cuidados com sua saúde, ou simplesmente por acreditar que as práticas complementares podem trazer melhor qualidade de vida para o que já recebem dentro do tratamento convencional" Recentemente vi uma matéria na Folha de São Paulo, que era impensável há alguns anos atrás: na foto, uma empresária em tratamento oncológico, em um importante hospital privado de São Paulo, recebendo instruções de meditação. Em outra cena, em um folheto da Secretaria Municipal de Saúde também da mesma cidade, pessoas realizando práticas corporais orientais como o tai chi, através de um programa da rede pública.

Por que as pessoas leigas e até mesmo os próprios profissionais da área de saúde tem se interessado por esse tipo de intevenção?

A resposta talvez esteja na própria Organização Mundial da Saúde (OMS) que vem estimulando o uso da Medicina Tradicional/Medicina Complementar/ Alternativa nos Sistemas de Saúde de forma integrada às técnicas da medicina ocidental moderna e em seu documento “Estratégia da OMS sobre Medicina Tradicional 2002-2005” que preconiza o desenvolvimento de políticas observando os requisitos de segurança, eficácia, qualidade, uso racional e acesso.

Ou ainda no Ministério da Saúde de nosso País, que por sua vez, entende que as Práticas Integrativas e Complementares compreendem o universo de abordagens denominado pela OMS de Medicina Tradicional e Complementar/Alternativa e aprovou a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no Sistema Único de Saúde (SUS). Esta política, de caráter nacional, recomenda a adoção pelas Secretarias de Saúde dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, da implementação das ações e serviços relativos às Práticas Integrativas e Complementares.

Medicina complementar, alternativa e integrativa

De acordo com o NCCAM- National Center of Complementary and Alternative Medicine (2002), órgão participante do NIH- National Institutes of Health dos Estados Unidos, as medicinas complementares e alternativas são um grupo de sistemas médicos e de cuidados à saúde, práticas e produtos que não são considerados parte da medicina convencional. Há muitas evidências científicas sobre os efeitos das medicinas alternativas e complementares, mas ainda há questões-chave a serem respondidas por estudos científicos bem delineados.

Ainda de acordo com o mesmo centro, o termo complementar, significa que a prática é utilizada com a medicina convencional. O termo alternativa significa que a prática é utilizada no lugar da medicina convencional. Portanto, há questões éticas bastante sérias a serem consideradas quando se fala em medicina alternativa, pois pressupõe-se que ela substitui a medicina convencional. Já o termo integrativa significa que a prática combina a terapia médica convencional com métodos complementares e/ou alternativos, para as quais há alguma evidência científica de alta qualidade quanto à segurança e efetividade.

Universidades brasileiras de renome internacional como a UNIFESP e a USP têm realizado pesquisas sobre os efeitos de práticas advindas das medicinas tradicionais como a acupuntura, meditação e o yoga. Em setembro, na UNIFESP, ocorrerá o I Simpósio Internacional de Medicinas Tradicionais e Práticas Contemplativas, um importante marco para a discussão sobre essas práticas entre profissionais e pesquisadores das áreas de saúde, qualidade de vida e bem-estar.

Não é mais possível ignorar ou simplesmente discordar da utilização de práticas das Medicinas Complementares, Alternativas ou Integrativas. Há sim necessidade de pesquisas dentro dessas medicinas para que se avalie sua eficácia, compreenda os mecanismos de ação de seus tratamentos, uma vez que a população tem se utilizado das mesmas há muito tempo.

Muitas pessoas buscam novas possibilidades de tratamento, pelas dificuldades de conseguir um atendimento pela medicina convencional, ou por estar insatisfeito pela maneira como caminham os cuidados com sua saúde, ou simplesmente por acreditar que as práticas complementares podem trazer melhor qualidade de vida para o que já recebem dentro do tratamento convencional. Devemos lembrar ainda que em geral são práticas de baixo custo para a população mais carente em diversas partes do mundo.

Sugestão: Que tal, por exemplo, experimentar nos próximos dias, algumas aulas de meditação, yoga ou tai chi para desestressar? Ou até mesmo consultar um bom acupunturista?

Dicas de leitura:

1. I Simpósio Internacional de Medicinas Tradicionais e Práticas Contemplativas. http://proex.epm.br/eventos08/medicinas_tradicionais/index.html

2. Colluci C. Hospital adota terapia alternativa para ajudar a tratar câncer. Folha de São Paulo, 29 de julho de 2008. Caderno Cotidiano.

3. NCCAM. What is CAM? NCCAM Publication. No. D156 [on line] 2002 [citado 2006 Ago 18]. Disponível em: URL: http://nccam.nih.gov/health/whatiscam.

4. OMS. Estrategía de OMS sobre la medicina tradicional 2002-2005 [on line]. Disponível em: URL: http://www.opas.org.br/sistema/arquivos/trm-strat-span.pdf.

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Elisa Kozasa
é pós-graduada em psicobiologia - mestrado e doutorado - (Unifesp)
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