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Fatores chamados
de não-cognitivos influenciam no desempenho de memória de
maneira significativa. Os estados afetivos, o humor ou emoção
alteram o processamento das informações. Ou seja, nossos
sistemas de memória podem estar funcionando adequadamente, mas
se estivermos em estado de tensão, estresse, depressão ou
ansiedade teremos dificuldades na recepção e registro de
informação.
Do ponto de vista biológico,
durante o momento de estresse, liberam-se grandes quantidades de corticóides
(substância química que nosso corpo produz) pela glândula supra-renal
que inibem todos os processos de produção e evocação
de todo tipo de memória, o que causa o famoso "branco".
A
atenção e a concentração são outros fatores
que se não estiverem bem alertas prejudicam o desempenho de memória.
Na dificuldade de atenção a pessoa não consegue focalizar
num ponto sua atenção, impedindo a recepção da informação.
Tal fato é comum quando estamos lendo um livro e pensando no almoço,
na namorada, no filme de ontem, etc... Essa pode ser uma dificuldade passageira
de atenção, mas que influência a memória.
A
memória é fortemente influenciada por fatores afetivos e psicológicos,
isso acontece por um mecanismo de autodefesa do ego, uma forma de proteger a pessoa
das emoções prejudiciais. Porém, em casos de transtornos
de afetos, um tratamento com profissionais especializados, psiquiatras e psicólogos
torna-se fundamental. A meditação também tem se mostrado
muito importante para o equilíbrio e estabilidade mental.
Crenças negativas e baixa autoestima também alteram o funcionamento
da memória. Muitas pessoas se titulam como esquecidas ou com uma
memória ruim. A crença negativa sobre sua capacidade impede
você de alcançar ou realizar o que realmente gostaria de
realizar.
As crenças sobre os desempenhos
de memória são importantes para saber o quanto as pessoas percebem
suas potencialidades e limitações, ou seja, é o quão
você acredita que sua memória é boa ou não. As crenças
têm um papel adaptativo. Elas contribuem para que o indivíduo forme
opiniões sobre si mesmo, sobre outrem, definições, percepções
sobre suas capacidades e como devem se posicionar frente às atividades
do dia-a-dia.
Autoeficácia
A crença da própria capacidade é definida como senso
de auto-eficácia que significa saber o quanto você é
capaz em suas habilidades. É uma espécie de autoestima da
cognição. A autoeficácia ajuda a organizar e executar
as ações necessárias para se obter os resultado que
deseja. A eficiência da memória é influenciada pelo
senso de autoeficácia. Ela ajuda a perceber o quanto mudou sua
habilidade de memória. Em determinadas situações
a pessoa fará julgamentos de sua capacidade baseados em sua crença
de auto-eficácia para a memória. Por exemplo, em tarefas
que exigem esforço e perspicácia, o indivíduo que
apresenta maior autoeficácia poderá ter bons desempenhos,
porque apresentou maior esforço e persistência. Por outro
lado, se ele tem baixa autoeficácia pode apresentar fraco desempenho.
Isto é, o baixo senso de autoeficácia pode levar a piores
resultados. Pessoas com baixa autoeficácia para a memória
percebem-se menos capazes para memorizar algo ou lembrar.
O julgamento de competência de pessoas idosas está muito
relacionada com os mitos que ainda estão presentes no senso comum.
Na nossa sociedade ainda vigora o pensamento do declínio da memória
entre outras funções cognitivas associado ao avanço
da idade e a aceitação desse mito pode interferir no senso
de auto-eficácia dos idosos. As crenças de autoeficácia
são influenciadas pelas percepções pessoais e pela
vida social.
| Emoções,
estados afetivos e de humor e as crenças pessoais alteram o processamento
de informações e influenciam a memória |
A
autoeficácia é uma função mental e faz
parte do nosso sistema de crenças pessoais que se relaciona
com fatores psicossociais e ao funcionamento da saúde física.
O funcionamento físico é importante para o desempenho
de algumas tarefas e sabemos que a capacidade física dos idosos
muda com o processo de envelhecimento. |
Porém, pessoas
motivadas e com reservas fisiológicas são altamente capazes de apresentar
bons desempenhos em suas atividades. Existem pessoas que desenvolveram na infância
habilidades e estratégias que facilitam a boa memorização,
mas qualquer pessoa pode conhecer essas estratégias e praticá-las.
As experiências acumuladas ao longo da vida também podem
influenciar nos desempenhos de memória. O conhecimento que a pessoa tem
de sua memória, de suas condições, a utilização
dela, as emoções relacionadas com situações *mnêmicas
e a confiança em sua memória aumenta a eficiência da memória.
Outro fator que também faz parte do nosso sistema de crenças
é a crença de controle pessoal ou senso de controle, trata-se
de outro mecanismo de auto-regulação que também é
importante para os desempenhos de memória. O senso de controle
ou controle percebido significa atribuir a causa de um determinado comportamento
a um controle interno ou externo. Quando a pessoa percebe que a consequência
de seu comportamento dependeu somente dela, o controle é interno
e quando ela atribui as consequências a algo fora dela, que ela
não teve o controle chama-se de controle externo.
A pouca percepção
do seu controle interno sobre suas capacidades e baixo nível de
autoeficácia podem levar as pessoas ao estado de ansiedade e tensão,
o que resulta em fracos desempenhos.
O convívio
social, as regras do grupo, circunstâncias históricas e sociais têm
influência direta sobre a construção e a manutenção
das nossas crenças. As crenças que temos sobre nossas capacidades
servem para entender melhor nossos desempenhos em diversas tarefas do dia-a-dia,
em especial a memória. Crenças positivas sobre suas capacidades
são fundamentais para o desempenho bem-sucedido em uma atividade.
Fatores como motivação, humor, estados afetivos, níveis
sociais, educação, condições de saúde
física, relações familiares e com amigos, atividade
física e suporte afetivo são fundamentais para o senso de
autoeficácia e bem-estar que conduz aos bons desempenhos melhorando
a qualidade de vida dos idosos.
Algumas
teorias psicológicas consideram o esquecimento um mecanismo de defesa do
ego, como se atuasse como um protetor para situações e emoções
difíceis de serem sentidas por uma pessoa. Desta forma, um agente psíquico
seleciona o que deve permanecer armazenado ou não.
Outro fator psicológico
importante para o bom funcionamento da memória é a motivação.
Sem motivação a comunicação entre os neurônios
não tem vida própria. Tem que existir um motivo para o indivíduo
ficar atento e receber determinada informação. Todo aprendizado
e toda atividade devem ter um propósito. As atividades que são orientadas
à meta, realizamos com mais entusiasmo e motivação. Como
podemos constatar a memória é fortemente influenciada por fatores
afetivos e psicológicos.
*mnêmicas: Segundo a literatura sobre
a Epistemologia da memória, a palavra mnemônica vem do grego mnese
que significa memorizar e capacidade de lembrar. Portanto técnicas mnmônicas
ou mnemotécnicas significa sistema de educação da memória.
São técnicas ou estratégias para melhorar a retenção
da informação.
Fonte: Gleitman,
H. (1999). Psicologia (4ª ed.). Lisboa: Fundação Calouste
Gulbenkian.
Goof, L. J. (1990)
História e Memória. Campinas: Editora da Unicamp.
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