| A manutenção da mente
ativa ao longo da vida e com o avanço da idade é um tema
importante na área clínica e no contexto acadêmico,
no que diz respeito ao alcance de uma velhice com autonomia e com qualidade
de vida. Torna-se cada vez mais importante a orientação
e o incentivo às pessoas adultas e idosas a estimularem e manterem
a mente saudável.
De que forma?
Estimulando funções como a memória, o raciocínio
lógico-matemático, a linguagem, a atenção,
a concentração, os aspectos motores e as funções
executivas, para que se garanta um envelhecimento ativo, participativo,
com autonomia e independência. Isso diminui nossa vulnerabilidade,
nos protegendo de declínio que impede a realização
eficiente das tarefas cotidianas.
| Contudo, é importante
lembrar que as atividades práticas a serem realizadas para
manter e aprimorar nossa mente são influenciadas pelo nosso
estilo de vida. Uma pessoa vai ler um livro se ela tiver motivação
para a leitura, se tiver o hábito da leitura e interesse pelo
assunto, pela temática e se já estiver familiarizada
com o tipo de texto. |
Os hábitos de vida, as relações sociais, o fator
educacional e sócioeconômico, a afetividade, as crenças
sobre as capacidades, oportunidades sócioculturais e atividades
ocupacionais são fatores que determinam a qualidade do processo
de envelhecimento, sobretudo do desempenho cognitivo com o processo de
envelhecimento.
Estudos gerontológicos têm enfatizado que o estilo de vida
influencia de forma positiva ou negativa o funcionamento mental e físico
e o envolvimento com a vida. Isso significa que, embora, não se
possa controlar fatores intrínsecos como a genética, podemos
pelo menos escolher como envelhecemos, optando por um estilo de vida saudável,
incorporando no dia-a-dia hábitos que preservem nossa saúde
e aumentem a probabilidade de se viver mais e melhor.
Nesse sentido, a preservação da mente ativa, o bom desempenho
em tarefas do dia-a-dia pode ser mantido, estimulado e melhorado através
de treinos, práticas, comportamentos e ambiente estimulante ao
longo da vida. Por exemplo, a pessoa pode estimular e preservar suas habilidades
cognitivas, o uso de seu conhecimento adquirido durante a vida por meio
de atividades domésticas ou de trabalho já desempenhado
ao longo do tempo.
A profissão é uma prática ocupacional que exige uma
estimulação mental, uma flexibilidade intelectual, dependendo
da complexidade da tarefa que a pessoa executa. Trabalhos rotineiros e
monótonos acarretam perda da flexibilidade mental. No mais, toda
atividade prática requer um significado mais amplo na vida, para
que a tarefa faça sentido, por isso toda pessoa deve sempre avaliar
sua satisfação no trabalho, e o trabalho remunerado não
é a única fonte de estímulo. Idosos que freqüentemente
participam de trabalho voluntário se sentem realizados e com motivação
para continuar mantendo a preservação da saúde física
e mental.
De forma mais ampla, além de aprender coisas novas, a participação
em oficinas, em trabalho em grupo para treino da memória, a ida
a centros de convivência, o engajamento em atividades culturais
e sociais e de lazer devem ser significativos e incorporados ao estilo
de vida. Isto significa fazer “sentido“, as tarefas têm
que ter objetivo, propósito, serem funcionais para a vida. O sentido
de vida é que habilita a pessoa a manter sua saúde física
e mental de forma ativa. A busca e a descoberta de sentido, é a
principal força motivadora no ser humano.
| O envelhecimento não deve ser visto
como um processo isolado das outras fases da vida, mas sim como um
processo de desenvolvimento, contextualizado de maneira histórica
e culturalmente. Na maturidade e na velhice as pessoas lançam
mão de estratégias sóciocognitivas utilizadas
ao longo da vida. |
Os indivíduos chegam à vida adulta com recursos cognitivos
que foram investidos desde a infância e adolescência e que
são direcionados para novas aprendizagens e novos conhecimentos
na vida adulta. Dessa forma, com o avanço da idade exploramos nossas
reservas cognitivas que podem servir para compensar déficits em
vários domínios.
Estudiosos da área do envelhecimento ressaltam que o envelhecimento
bem-sucedido baseia-se também no mecanismos de seleção,
compensação e otimização. A seleção
significa ser capaz de discriminar aquilo que é essencial para
seu bem-estar. Também está relacionado a redução
da capacidade de reserva (plasticidade) cognitiva associada à idade.
Assim idosos selecionam domínios significativos para sua sobrevivência.
A compensação significa lançar mão de meios
alternativos para alcançar os objetivos na vida. E a otimização
consiste em salientar os ganhos durante a vida para manter altos níveis
de funcionalidade. Então, seguimos a vida sempre selecionando o
joio do trigo, compensando as perdas e otimizando as coisas boas.
Embora exista uma reserva da nossa capacidade de desenvolvimento atrelado
a nossa educação e cultura, existem também os fatores
genético-biológicos que também não podem ser
negligenciados, assim também como os fatores ambientais e hábitos
de vida.
Maus hábitos
Sabemos que o hábito de fumar, beber sem moderação,
a falta de controle de dieta, má alimentação, alterações
do sono, depressão, entre outros aspectos interferem no alcance
da velhice bem-sucedida.
Hábitos do bem
Hábitos saudáveis, engajamento ativo com a vida, satisfação
das realizações, ocupação significativa, práticas
cotidianas que fazem sentido, uso de conhecimento acumulado ao longo da
vida, motivação para continuar preservando suas essências
conforme seu estilo de vida fazem do processo de desenvolvimento da vida
adulta um percurso muito mais saudável, rico e com qualidade.
Assim, preserve suas reservas, esteja aberto a novas curiosidades e descobertas,
aprendendo coisas novas, se adaptando ao moderno e novo, mantendo seus
valores e ideais de vida, conforme seu estilo. Manter a mente ativa é
manter a autonomia e seu senso de bem-estar.
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