| Saúde Mental | |||||
| Dicas para a saúde mental | |||||
| Qual é o maior obstáculo à felicidade? | |||||
| por Joel Rennó Jr. | |||||
| A busca da felicidade é o sonho de consumo da sociedade atual. Todos se julgam especialistas. Não é à toa que vários livros de auto-ajuda que se propõem a auxiliar as pessoas na busca da tão almejada felicidade, sejam bem vendidos em todos os cantos do mundo. Vivemos em uma sociedade com pragmatismo fisiológico.
Ou seja, há várias receitas de bolo para o alcance da qualidade
de vida. Cada vez mais as escolhas individuais são relegadas a
um plano de inferioridade. Daí, em certas ocasiões, as pessoas
evitarem a angústia de escolha, impedindo assim o desenvolvimento
maduro e equilibrado da sua individualidade. Na prática, muitas
pessoas, imaturas psicologicamente, tentam evitar os processos de escolhas,
os quais geralmente causam conflitos. Elas se esquivam de tais responsabilidades.
Porém, esses conflitos são essenciais para o nosso crescimento
interno. Estudo publicado pela revista 'Academia Nacional de Ciências' dos Estados Unidos foi mais longe e demonstrou uma relação entre felicidade e bom funcionamento do sistema endócrino e cardiovascular. Independente de outros fatores, como o desconforto, parece haver uma associação entre biologia e felicidade. Todos já sabemos que as pessoas deprimidas ou estressadas têm maior risco de desenvolver doenças clínicas. Estressados crônicos secretam o hormônio cortisol responsável por alterações metabólicas associadas a diabetes e hipertensão. Até o mapeamento da circuitaria - circuitos integrando diversas regiões cerebrais - responsável pela felicidade, tem sido buscado pela ciência. Recentes pesquisas implicam o neurotransmissor dopamina como uma molécula da felicidade atuando na região pré-frontal do cérebro, uma das áreas cerebrais relacionadas ao circuito feliz. Porém, aspectos subjetivos são inacessíveis a tais pesquisas. Temos que ficar atentos e precavidos contra visões reducionistas e simplistas, mesmo que elas sejam oriundas de pesquisadores sérios. Portanto, sabemos dos benefícios gerados pela felicidade. Mas, então, por que temos tantas dificuldades em obtê-la? O esforço para a reflexão é grande.
Não há soluções coletivas e imediatas para
todas as pessoas. O dinheiro, tão especulado, tem valor relativo,
algumas pessoas em condições precárias de vida, por
mais incrível que pareça, conseguem ser felizes. Acima de
um determinado nível de renda, não há incremento
da felicidade, segundo pesquisas. As pessoas têm se voltado pouco à exploração dos sentimentos nos dias atuais. Ficam absortas em uma competitividade estressante e escravizante. Os rótulos envolvendo padrões de consumo, status, beleza, juventude, moradia e ambiente tornaram-se símbolos de qualidade de vida e felicidade. Por que alguns, que possuem tudo isso, ainda são infelizes? A importância da autopercepção em busca da felicidade tem um papel magnânimo. Auto-imagem e auto-estima estão atreladas a aspectos psicológicos saudáveis gerados desde os primórdios dos vínculos afetivos estabelecidos na infância. E isso extrapola, é claro, quaisquer razões materiais ou aspectos lógicos. Conceitos dúbios e levianos, socialmente impostos pela era da globalização consumista, têm deteriorado a individualidade do ser humano e se sobreposto à capacidade crítica individual das pessoas. Experiências individuais relatadas em livros têm, em suma, um valor limitado. Um processo de amadurecimento psicológico amplo e re-signifcação das experiências negativas de vida deve ser buscado. Não é aleatoriamente que técnicas milenares que propõem e auxiliam o ser humano na busca do seu equilíbrio interno ganham cada vez mais destaque na sociedade atual.
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