Sexo
Dicas para melhorar sua vida sexual
Consumo excessivo de pornografia pode causar distúrbios de comportamento?
por Arlete Gavranic

"Essa impulsividade em relação ao sexo via internet vem sendo motivo de muita preocupação entre especialistas do comportamento humano e da sexualidade, pois a situação vem numa grande crescente, principalmente entre o público teen que passa de 2 a 10 horas navegando em sites de relacionamento como, Facebook, Twitter... Esses acabam ficando mais vulneráveis ao assédio e à busca mais impulsiva em satisfazer sua libido e curiosidade. Tudo isso de forma rápida e anônima"

A pornografia sempre gerou polêmica, seja por afrontar valores religiosos, morais... Mas é fato, nos últimos 10-15 anos vem tomando outro rumo.

No período anterior à internet, a pornografia era disponível em filmes exibidos em poucos cinemas, na região central das cidades: lugar malvisto e frequentado com receio. Outra forma de consumo eram as fitas VHS e posteriormente DVD.

Em meados da década de 1990, a popularização da internet trouxe para homens, mulheres e, principalmente o público adolescente, um acesso ilimitado a todo tipo de site e conteúdos sexuais, dos meramente sensuais, aos mais bizarros.

Mas essa exposição em massa a conteúdos pornográficos pode causar distúrbios de comportamento?

Segundo o grupo de pesquisadores multidisciplinar do The social cost of pornography: A statement of findings and recommendations, publicado pelo Instituto Witherspoon, pode haver um impacto negativo nas relações, na produtividade e na felicidade entre consumidores desses produtos.

"Os que veem pornografia acreditam que sua vida sexual vai ser melhor, mas tem ejaculação precoce, mais disfunções e problemas para se relacionar", afirma Mary Anne Layden, coautora e diretora do programa de traumas sexuais e psicopatologia da Universidade da Pensilvânia.

Esses estudos me remetem ao cuidado de diferenciar o internauta que esporadicamente navega nesses conteúdos, daquele que navega diariamente por várias horas. A busca por excitabilidade, prazer rápido, sensação ‘perigosa’ e ‘poderosa’ de transgressão - para aqueles que fazem às escondidas de marido, esposa, pais -; a grande facilidade de no mundo virtual não existir necessidade de conhecer o outro e seduzir para chegar à intimidade: é só chegar e usufruir. Nesse sentido o risco da banalização do sexo e das relações se torna presente numa intensidade maior.

Para algumas pessoas pode significar um estímulo para aumentar o desejo sexual, para outros pode se tornar um agravante que dificulta, por exemplo, o controle de ejaculação devido à rápida e intensa excitabilidade.

A pornografia em si não é um mal, desde que utilizada como possibilidade de incrementar os relacionamentos reais, ou como busca de prazer e autoconhecimento corporal através da masturbação. O problema está em restringir a sexualidade somente ao plano virtual.

O consumo de pornografia através de sites pornográficos ou salas de bate-papo traz para quem tem um relacionamento uma sensação de traição. Essa realidade é muito presente entre casais. Vários estudos, como o Romantic Partners Use of Pornography; Its significance for Women do médico A.J. Bridges, assinalam: a mulher ao saber que o marido consome pornografia, se sente traída e perde a confiança. Os custos psicológicos disso podem até levar ao divórcio.

Nesse sentido, casais chegam num nível insuportável na relação e buscam ajuda terapêutica para resolver essa dependência excessiva de sexo via internet.

Segundo dados da Sociedade Americana de Advogados Matrimoniais, 56% dos 350 casos atendidos em 2003, tinham relação com o interesse obsessivo de um dos parceiros por sites pornográficos.

Mas a internet não é o único vilão dessa cena. A busca constante por pornografia pode denunciar que a relação do casal já estava empobrecida no aspecto erótico. Em pessoas carentes ou mais impulsivas essa dependência em relação à pornografia pode-se tornar maior.

Essa impulsividade em relação ao sexo via internet vem sendo motivo de muita preocupação entre especialistas do comportamento humano e da sexualidade, pois a situação vem numa grande crescente, principalmente entre o público teen que passa de 2 a 10 horas navegando em sites de relacionamento como orkut, facebook, twitter... Esses acabam ficando mais vulneráveis ao assédio e à busca mais impulsiva em satisfazer sua libido e curiosidade. Tudo isso de forma rápida e anônima.

Minha maior preocupação é com os jovens, pois esses ainda estão estruturando seu psiquismo para pensar e viver um relacionamento afetivo-sexual, e a banalização do sexo ou “coisificação” do corpo pode ser um entrave a uma vida saudável do ponto de vista sexual e afetivo.

É preciso orientar e tentar impedir que a internet vire referência de prazer, pois assim eles fugirão muito mais da vida real e dos relacionamentos cara a cara. O relacionamento presencial repleto de conquistas e decepções exige estratégias, resistência, superação, adequação ao outro, autoestima, sedução, discussão... Não é só dar um ‘delete’ quando a coisa não estiver de seu agrado.

Pais, tios e educadores... é preciso conversar com essa moçada para que eles não se acomodem ou pior, viciem-se nas relações fáceis, superficiais e intensamente rápidas e erotizadas possibilitadas pela internet. Só um filtro de pornografia não resolve, os jovens conhecem muito de informática e os desbloqueiam facilmente.

A internet é um recurso maravilhoso e não deve se transformar em motivo de problemas para os relacionamentos psicoafetivos.

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Arlete Gavranic
é Psicóloga, Mestre em Educação; Educadora e Terapeuta sexual
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