| Assim como o nosso organismo físico
tem a capacidade de rearranjo funcional, de flexibilidade, de mudança
e adpatação, chamado de potencial de plasticidade, o nosso
comportamento também possui essa capacidade definida por resiliência.
Um espécie de recurso protetor que o ser humano possui para manter
e recuperar o nível de adaptação normal, isto é,
uma plasticidade comportamental que nos permite responder aos diferentes
eventos da vida. É a nossa capacidade de resiliência que
garante o equilíbrio entre ganhos e perdas ao longo da vida.
Durante todo o curso de vida experenciamos eventos de vida, ou seja, acontecimentos
significativos, normativos (esperados) e não-normativos (inesperados),
que são limitadores e facilitadores (por exemplo, estudar e passar
numa prova, conquistar um emprego, casamento, separação,
morte de um ente querido, acidentes, doenças, aposentadoria, viagem,
nascimento de um neto, problemas materiais, mudança de residência,
etc), que ocorrem num momento particular da vida, causando algum impacto
e que orientam nossa personalidade, nossas atitudes diante da vida.
A resiliência refere-se às respostas que damos aos embates
da vida, à adversidade, a algum trauma, na presença de ameaças
ou riscos. Digamos que é o que chamamos de nossa força interna,
nossa capacidade de resistir aos entraves do curso de vida. Como se fosse
uma ombreira de espuma que nos auxilia a diminir as dores do peso dos
eventos de vida nos nossos ombros. Acredita-se que a resiliência
muda nas transações da vida com circunstâncias e desafios
específicos. A resiliência sempre foi muito usada nas pesquisas
do desenvolvimento de crianças e adolescentes e mais recentemente
no desenvolvimento da vida adulta e dos idosos, focalizando o envelhecimento
bem-sucedido. Também é um termo muito utilizado hoje nos
livros de auto-ajuda.
| "A resiliência
refere-se às respostas que damos aos embates da vida, à
adversidade, a algum trauma, na presença de ameaças
ou riscos. Digamos que é o que chamamos de nossa força
interna, nossa capacidade de resistir aos entraves do curso de vida" |
Com o processo de envelhecimento torna-se necessário
o aumento na capacidade de resiliência na velhice para manter
o comportamento adaptativo. Isso porque aumenta a probabilidade de
ocorrer mais eventos inesperados na velhice relacionados à
saúde física e ao bem-estar e relacionados à
vida de ente queridos. Isso não significa que os fatores protetores
não funcionem na velhice. Mas numa velhice avançada
as chances de experenciar vários eventos ao mesmo tempo são
bem maiores do que quando jovem. |
Assim, pode ser que uma pessoa idosa acione sua capacidade de resiliência
diante de um evento estressor, mas devido ao acúmulo de necessidades,
a resiliência seja insuficiente. Os eventos
de vida podem funcionar como apoio ou amortecedor da pressão exercida
por eles. Vivenciar um evento negativo acarreta maior ou menor exigência
de recursos emocionais, sociais e intelectuais. Tudo depende do valor
que a pessoa atribui aos acontecimentos, da disponibilidade de suporte
social e do controle que exerce sobre esse evento.
Em alguns domínios do funcionamento físico e psicológico
pode acontecer de serem modificados alguns declínios (por exemplo
o aparecimento de um problema físico), e o potencial de plasticidade
para a melhoria do funcionamento manter-se mais ou menos nos níveis
anteriores, sendo possível manter o desenvolvimento apesar dos
riscos. Quanto à exposição a fatores de riscos, a
ativação de estratégias dirigidas para a otimização,
remediação e prevenção é frequentemente
possível para o alcance do nível de adptação.
A ativação ocorre freqüentemente sob condições
sociais e culturais específicas, com apoio de familiares, permitindo
que o idoso mantenha o seu nível de bem-estar.
Toda pessoa enfenta situações de estresse durante toda a
vida, desde o nascimento até a morte, as quais podem trazer implicações
diversas para a saúde física e mental. Os tipos de eventos
experimentados ao longo do curso de vida, podem variar de acordo com a
idade cronológica, com o tempo histórico, com aspectos educacionais
e em virtude de fatores individuais.
A nossa capacidade de resiliência tem a função de
nos ajudar a reformar nossos comportamentos, permitindo renovar nossas
atitudes diante das adversidades, buscando a vencer cada desafio e aprender
com cada lição. A resiliência permite enrriquecer
nossa trajetória de vida, confome nossa compreensão e recursos
disponíveis, lançando mão do nosso repertório
de estratégias de enfrentamento para o alcance da velhice bem-sucedida.
A sabedoria, as crenças positivas, a motivação, a
autoconfiança refletem esse efeito de aprendizado ao longo da vida.
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