| No texto anterior (clique
aqui), falei sobre os benefícios da musicoterapia na terceira
idade. Agora vou falar sobre suas principais abordagens e aplicações
na vida do idoso. | "Através
da música podemos induzir pensamentos positivos e criar situações
que nos causem bem-estar ou estresse. A música é um ingrediente
psicológico de grande força no desencadeamento de emoções.
E ssas influneciam o sistema imunológico" | Com
o envelhecimento populacional e o avanço de pesquisas na área da
gerontologia, várias modalidades de tratamento foram surgindo como complemento
para o tratamento médico convencional junto à pessoa idosa. Hoje
sabemos que a abordagem não farmacológica no tratamento de pessoas
idosas é bastante difundido e eficaz para diversos casos. E muitas vezes
essas outras formas de tratamento são indicadas como a principal terapia. |
A
musicoterapia é uma dessas formas de tratamento, que por meio de atividades
sonoro-musicais estimulam a criatividade, a capacidade física, mental e
sóciocognitiva, seja em grupo ou individual. O tratamento musicoterápico
auxilia diretamente no resgate da identidade sonora do paciente. A utilização
da música e seus elementos constitutivos (harmonia, melodia, ritmo) implicam
em musicoterapia, portanto um canal de comunicação que se estabelece
entre paciente e terapeuta. Em momentos de grande dificuldade de expressão
verbal é através da música que comunicamos nossos pensamentos
e emoções.
Na terceira idade, a musicoterapia vem se revelando
uma importante modalidade de reabilitação para os processos da memória
e da linguagem, ajudando a elaborar conteúdos verbais, a estruturar e reformular
seus conhecimentos, ajudando a manter preservadas suas funções cognitivas,
como nos tratamentos para a doença de Alzheimer, a doença de Parkinson,
e em pessoas com sequelas de AVC (acidente vascular cerebral) e nos casos de depressão
para a elevação da autoestima, autoconfiança e socialização
entre os idosos.
A pessoa ao ser estimulada musicalmente, dará
inicio a um processo de compreensão de seus sentimentos e emoções.
A música é então o elo, a ponte por onde o indivíduo
se renova, se reestrutura, se reformula e se recicla.
A música tem
uma força enorme sobre nosso organismo. O nosso corpo obedece comandos
do cérebro e, sendo a música uma integrante dos pensamentos, pode
interferir no organismo. Ao penetrar na mente de uma pessoa as frequências
desencadeiam mecanismos cerebrais capazes de projetar a nível consciente,
imagens, recordações, histórias vividas, ouvidas, sensações
táteis, gustativas, olfativas... Enfim, traz à tona a bagagem de
informações armazenadas na memória e que foi registrada juntamente
com uma frequência sonora musical do passado.
É interessante
observar que apenas uma nota musical, ou um som do ambiente pode representar para
nós a identificação de uma situação, podemos
reconhecer através de somente uma tonalidade o disparo de um rojão,
um canto de um pássaro, uma risada, o som do sino da igreja, uma buzina,
isso ocorre pela caracterização que aquela frequência representa
a nível mental. Abordagens musicoterápicas na terceira
idade
Musicoterapia preventivo-social no atendimento às pessoas
idosas É recomendado a musicoterapia individual e/ou em grupo
para vários tipos de tratamento junto à pessoa idosa no sentido
de prevenir doenças como no caso da depressão e estimular a socialização
entre outros aspectos. A musicoterapia, por exemplo, em sala de espera de hospitais
e clínicas atua como um suporte preventivo-social, visa estabelecer vínculos
entre os pacientes, compartilhar experiências e estimular a memória
episódica através de um resgate musical e socializá-los.
A participação de idosos em canto coral também é
uma modalidade importante de atividade com música e trabalha memória,
disciplina e socialização de forma prazerosa.
A atividade
de compor, bem como o aprendizado de um instrumento musical são outros
tipos de atividades que elevam a autoestima do idoso, a manutenção
da mente ativa, estimulando canais sensoriais, o ritmo, a memória, capacidade
motora, criatividade entre outras funções cognitivas. A composição
musical é acompanhada do estado emocional do indivíduo. Ela é
produto exteriorizado da criação mental, realizada com subsídios
da memória e da imaginação. A emoção para compor
uma música pode surgir de um fato, vivência, lembrança ou
imagem vista na rua. Esse estado emocional alimenta a criatividade. Musicoterapia
no processo de reabilitação de idosos Musicoterapia
na doença de Alzheimer
A doença de Alzheimer afeta primeiramente
os circuitos da memória, a linguagem e o raciocínio abstrato. As
falhas ocorrem primeiro na memória recente e de aprendizado enquanto a
memória de longo prazo, a memória remota fica mais preservada no
início da doença e vai se perdendo com a progressão da doença.
A musicoterapia com pacientes com a doença de Alzheimer pode ser
eficaz para estimular os sistemas de memória. É preciso que faça
um planejamento das atividades musicoterápicas para trabalhar com o paciente.
A programação das atividades deve levar em conta o grau de comprometimento
cognitivo, o grau de recordação musical, o conhecimento musical,
as reservas cognitivas que o paciente apresenta. O importante é que o paciente
continue sendo estimulado mesmo depois do diagnóstico. As atividades em
grupo que proporcionam a interação social e o compartilhar de resgates
musicais são importantes. O musicoterapeuta deve estar atento ao estado
de comprometimento demencial do paciente, ao estado emocional e suas preferências
musicais. Musicoterapia e depressão
Através
da música podemos induzir pensamentos positivos e criar situações
que nos causem bem-estar ou estresse. A música é um ingrediente
psicológico de grande força no desencadeamento de emoções.
A
música gera emoções, as quais influenciam o sistema imunológico.
As emoções e o sistema imunológico estão intimamente
ligados e dependentes um do outro, por exemplo, se uma pessoa estiver emocionalmente
vulnerável, fragilizada ou deprimida, ou escutando uma música triste
que traz recordações infelizes, seu sistema imunológico também
será afetado, provocando uma baixa concentração de anticorpos
no organismo e por sua vez criará uma predisposição para
o desenvolvimento de doenças.
O sistema imunológico é
influenciado em sua produção pelo estado psicológico e sendo
a música uma linguagem que se comunica com as emoções, podemos
através dela modificar a produção desses anticorpos para
mais ou para menos.
Nossas reações psicológicas de
alegria, carinho, afeto, têm o poder de estimular o psiquismo no sentido
de provocar reações positivas e, consequentemente, maior criação
de anticorpos circulares no organismo. Não é à toa que muita
gente diz: 'alegria e felicidade trazem saúde'.
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