| "Os adultos são autônomos
e autodirigidos. Eles precisam ser livres para autodirigir. São
orientados para a meta, para a relevância. Ou seja, têm
de ter uma razão para aprender alguma coisa. São práticos,
focalizando os aspectos de uma lição mais útil
para eles em seus trabalhos" |
O aprendizado é o processo por meio do qual
nós adquirimos conhecimentos sobre o mundo, para atuarmos de
forma criativa, objetiva e subjetiva no mundo em que vivemos. Existem
funções específicas envolvidas no processo de
aprendizagem ao longo da vida, assim como também existem formas
de aprender em diferentes faixas etárias. |
Com o processo de envelhecimento podemos identificar mudanças
na capacidade de aprendizado de pessoas mais velhas que podem ocorrer
de modo diferente para cada pessoa.
O envelhecimento intelectual é um processo multidimensional e
multidirecional, isto é, diferentes capacidades mudam ao longo
da vida, em diferentes fases da vida, em pessoas diferentes, de acordo
com a cultura em que se vive, conforme estilo de vida, personalidade,
contextos sociais distintos e condições de saúde
diversas.
No processo de ensino/aprendizagem de pessoas adultas e idosas deve-se
levar em consideração os fatores que estão de fato
envolvidos na capacidade de aprendizado das pessoas mais velhas, especialmente
na atividade mental, no interesse em aprender, no fator emocional e no
ambiente educacional. O processo de envelhecimento acarreta mudanças
significativas no funcionamento das capacidades intelectuais e, a aquisição
de conhecimentos numa idade mais avançada, tem sua base dirigida
para as metas de vida, em realização, satisfação
e em cumprimentos de papéis sociais.
Uma pessoa idosa quando procura uma escola ou instituição
para aprender algo ela muitas vezes se pergunta: O que devo saber? O que
eu ainda não sei? Como devo usar o que sei? Por que devo saber
isso ou aquilo? Essas são questões centrais que norteiam
a aquisição de conhecimentos na velhice, seja um adulto
analfabeto ou já letrado.
Autoconhecimento influencia no funcionamento intelectual
O funcionamento intelectual do indivíduo adulto é altamente
influenciado pelo seu autoconhecimento, ou seja, sobre o conhecimento
de si, pelas crenças de suas capacidades e sobre a origem do conhecimento
que já possui, pelas metas pessoais, pela motivação,
interesses, pelas emoções, pelas oportunidades oferecidas
pela cultura e pela experiência de vida.
Assim, um professor bem qualificado e eficaz para ensinar pessoas idosas
será aquele capaz de compreender o que o adulto quer aprender e
o que ele aprende melhor e como ele poderá utilizar esse conhecimento.
Os adultos têm necessidades e exigências especiais no seu
processo de aprendizado, não só porque as capacidades tais
como atenção, memória, linguagem, percepção,
tempo de reação, velocidade e raciocínio mudam ao
longo do tempo, mas porque existem mecanismos sóciocognitivos (aspectos
sociais, culturais, históricos e emocionais) envolvidos no processo
de aprendizagem e que os mais velhos lançam mão para diferenciar
seus desempenhos dos mais jovens.
Os adultos utilizam estratégias mentais para aprender e resolver
problemas com base nas expericêbncias concretas de vida. Um grande
filósofo e educador John Dewey já dizia em seus ensinamentos
"... a educação de adulto será através
de situações e não de disciplinas”.
Apesar dos estudos na área das ciências cognitivas e neurociências
terem evoluído nos últimos tempos em termos de teorias e
modelos, a aprendizagem do adulto é um assunto relativamente novo.
O campo da educação de adultos foi pioneiro por Malcolm
Knowlesm educador e filósofo, Diretor da Associação
de Educação de Adultos dos Estados Unidos.
Estudo: perfil do estudante adulto
Ele identificou as seguintes características dos estudantes adultos:
Os adultos são autônomos e autodirigidos. Eles precisam ser
livres para autodirigir. Os professores têm de envolver ativamente
os alunos adultos no processo de aprendizagem e servir como facilitadores
para eles. Especificamente, eles devem obter dos alunos suas perspectivas
para elencar tópicos e deixar que trabalhem em assuntos que reflitam
os seus interesses. Devem permitir que os alunos assumam responsabilidades
pelo grupo e apresentações de liderança. Os professores
têm de ter a certeza de agir como facilitadores, orientando seus
alunos a seus próprios conhecimentos em vez de fornecê-los
dando-lhes fatos e situações. Finalmente, os alunos adultos
e idosos é que irão mostrar a forma como a classe poderá
ajudar o professor a atingir seus objetivos.
Adultos e idosos têm sua base de aprendizado fundamentada no acúmulo
de experiências de vida e de conhecimentos que pode incluir atividades
relacionadas com o trabalho, responsabilidades familiares, manejo da vida
prática e alternativas para resolução de problemas.
Eles precisam aprender a ligar a esse conhecimento à experiência
básica. Para ajudá-los a fazer isso, os professores podem
dar atenção à experiência e conhecimentos dos
alunos que sejam relevantes para o processo de ensino/aprendizagem. Relacionando
teorias e conceitos para que os alunos reconheçam o valor da experiência
de aprendizagem.
Os adultos são orientados para a meta. Após se matricular
em um curso, eles geralmente sabem o que eles querem atingir. Dessa forma
os adultos e idosos apreciam um programa educacional que é organizado
e tem elementos claramente definidos. Os professores devem mostrar como
os alunos poderão ajudar a atingir os objetivos do programa. Essa
classificação de metas e objetivos deve ser feita logo no
início do curso, no planejamento do programa do curso juntamente
com os aprendizes adultos.
Os adultos são orientados à relevância, ou seja, têm
de ter uma razão para aprender alguma coisa. A aprendizagem para
os adultos e idosos tem de ser aplicável no seu trabalho, nas suas
práticas culturais, sociais, isto é, ser de grande utilidade
para eles. Por isso, os professores precisam identificar objetivos para
os indivíduos adultos, conhecer as reais necessidades de seus alunos.
Isto significa, também, que teorias e conceitos devem estar relacionados
com uma configuração familiarizada com os alunos e é
de fundamental importância a capacitação em gerontologia.
Os adultos são práticos, focalizando os aspectos de uma
lição mais útil para eles em seus trabalhos. Eles
podem não estar interessados em conhecimentos que lhe tragam benefícios
para seu próprio bem-estar, mas sim em conhecimentos que lhe sejam
úteis para seu dia-a-dia.
Enfim, os professores devem além de respeito ao tesouro que é
um aluno mais velho, reconhecer a riqueza de experiências que trazem
os alunos adultos e idosos para a sala de aula. E mesmo com tantas diferenças
peculiares, os alunos adultos devem ser tratados como iguais na experiência
e conhecimento e terem sempre a oportunidade para expressar as suas opiniões
livremente. E o mais importante é saber o que significa para a
pessoa adulta estar na sala de aula aprendendo algo nesta fase da vida.
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