Mente na Terceira Idade
Informações sobre funcionamento da mente na terceira idade e gerontologia

Adultos são autodirigidos, práticos e objetivos no seu aprendizado

por Elisandra Vilella G. Sé
"Os adultos são autônomos e autodirigidos. Eles precisam ser livres para autodirigir. São orientados para a meta, para a relevância. Ou seja, têm de ter uma razão para aprender alguma coisa. São práticos, focalizando os aspectos de uma lição mais útil para eles em seus trabalhos" O aprendizado é o processo por meio do qual nós adquirimos conhecimentos sobre o mundo, para atuarmos de forma criativa, objetiva e subjetiva no mundo em que vivemos. Existem funções específicas envolvidas no processo de aprendizagem ao longo da vida, assim como também existem formas de aprender em diferentes faixas etárias.

Com o processo de envelhecimento podemos identificar mudanças na capacidade de aprendizado de pessoas mais velhas que podem ocorrer de modo diferente para cada pessoa.

O envelhecimento intelectual é um processo multidimensional e multidirecional, isto é, diferentes capacidades mudam ao longo da vida, em diferentes fases da vida, em pessoas diferentes, de acordo com a cultura em que se vive, conforme estilo de vida, personalidade, contextos sociais distintos e condições de saúde diversas.

No processo de ensino/aprendizagem de pessoas adultas e idosas deve-se levar em consideração os fatores que estão de fato envolvidos na capacidade de aprendizado das pessoas mais velhas, especialmente na atividade mental, no interesse em aprender, no fator emocional e no ambiente educacional. O processo de envelhecimento acarreta mudanças significativas no funcionamento das capacidades intelectuais e, a aquisição de conhecimentos numa idade mais avançada, tem sua base dirigida para as metas de vida, em realização, satisfação e em cumprimentos de papéis sociais.

Uma pessoa idosa quando procura uma escola ou instituição para aprender algo ela muitas vezes se pergunta: O que devo saber? O que eu ainda não sei? Como devo usar o que sei? Por que devo saber isso ou aquilo? Essas são questões centrais que norteiam a aquisição de conhecimentos na velhice, seja um adulto analfabeto ou já letrado.

Autoconhecimento influencia no funcionamento intelectual

O funcionamento intelectual do indivíduo adulto é altamente influenciado pelo seu autoconhecimento, ou seja, sobre o conhecimento de si, pelas crenças de suas capacidades e sobre a origem do conhecimento que já possui, pelas metas pessoais, pela motivação, interesses, pelas emoções, pelas oportunidades oferecidas pela cultura e pela experiência de vida.

Assim, um professor bem qualificado e eficaz para ensinar pessoas idosas será aquele capaz de compreender o que o adulto quer aprender e o que ele aprende melhor e como ele poderá utilizar esse conhecimento. Os adultos têm necessidades e exigências especiais no seu processo de aprendizado, não só porque as capacidades tais como atenção, memória, linguagem, percepção, tempo de reação, velocidade e raciocínio mudam ao longo do tempo, mas porque existem mecanismos sóciocognitivos (aspectos sociais, culturais, históricos e emocionais) envolvidos no processo de aprendizagem e que os mais velhos lançam mão para diferenciar seus desempenhos dos mais jovens.

Os adultos utilizam estratégias mentais para aprender e resolver problemas com base nas expericêbncias concretas de vida. Um grande filósofo e educador John Dewey já dizia em seus ensinamentos "... a educação de adulto será através de situações e não de disciplinas”.

Apesar dos estudos na área das ciências cognitivas e neurociências terem evoluído nos últimos tempos em termos de teorias e modelos, a aprendizagem do adulto é um assunto relativamente novo. O campo da educação de adultos foi pioneiro por Malcolm Knowlesm educador e filósofo, Diretor da Associação de Educação de Adultos dos Estados Unidos.

Estudo: perfil do estudante adulto

Ele identificou as seguintes características dos estudantes adultos:

Os adultos são autônomos e autodirigidos. Eles precisam ser livres para autodirigir. Os professores têm de envolver ativamente os alunos adultos no processo de aprendizagem e servir como facilitadores para eles. Especificamente, eles devem obter dos alunos suas perspectivas para elencar tópicos e deixar que trabalhem em assuntos que reflitam os seus interesses. Devem permitir que os alunos assumam responsabilidades pelo grupo e apresentações de liderança. Os professores têm de ter a certeza de agir como facilitadores, orientando seus alunos a seus próprios conhecimentos em vez de fornecê-los dando-lhes fatos e situações. Finalmente, os alunos adultos e idosos é que irão mostrar a forma como a classe poderá ajudar o professor a atingir seus objetivos.

Adultos e idosos têm sua base de aprendizado fundamentada no acúmulo de experiências de vida e de conhecimentos que pode incluir atividades relacionadas com o trabalho, responsabilidades familiares, manejo da vida prática e alternativas para resolução de problemas. Eles precisam aprender a ligar a esse conhecimento à experiência básica. Para ajudá-los a fazer isso, os professores podem dar atenção à experiência e conhecimentos dos alunos que sejam relevantes para o processo de ensino/aprendizagem. Relacionando teorias e conceitos para que os alunos reconheçam o valor da experiência de aprendizagem.

Os adultos são orientados para a meta. Após se matricular em um curso, eles geralmente sabem o que eles querem atingir. Dessa forma os adultos e idosos apreciam um programa educacional que é organizado e tem elementos claramente definidos. Os professores devem mostrar como os alunos poderão ajudar a atingir os objetivos do programa. Essa classificação de metas e objetivos deve ser feita logo no início do curso, no planejamento do programa do curso juntamente com os aprendizes adultos.

Os adultos são orientados à relevância, ou seja, têm de ter uma razão para aprender alguma coisa. A aprendizagem para os adultos e idosos tem de ser aplicável no seu trabalho, nas suas práticas culturais, sociais, isto é, ser de grande utilidade para eles. Por isso, os professores precisam identificar objetivos para os indivíduos adultos, conhecer as reais necessidades de seus alunos. Isto significa, também, que teorias e conceitos devem estar relacionados com uma configuração familiarizada com os alunos e é de fundamental importância a capacitação em gerontologia.

Os adultos são práticos, focalizando os aspectos de uma lição mais útil para eles em seus trabalhos. Eles podem não estar interessados em conhecimentos que lhe tragam benefícios para seu próprio bem-estar, mas sim em conhecimentos que lhe sejam úteis para seu dia-a-dia.

Enfim, os professores devem além de respeito ao tesouro que é um aluno mais velho, reconhecer a riqueza de experiências que trazem os alunos adultos e idosos para a sala de aula. E mesmo com tantas diferenças peculiares, os alunos adultos devem ser tratados como iguais na experiência e conhecimento e terem sempre a oportunidade para expressar as suas opiniões livremente. E o mais importante é saber o que significa para a pessoa adulta estar na sala de aula aprendendo algo nesta fase da vida.

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Elisandra Vilella G. Sé
é Fonoaudióloga, Mestre em Gerontologia e Doutoranda em Lingüística
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