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| "A forma como o corpo é decodificado
culturalmente irá determinar a maneira como iremos atuar no
mundo e com as pessoas. E essa dimensão cultural e social se
altera também com o tempo. Por isso, o tempo confundirá
os vaidosos e esclarecerá os mais velhos. No entanto, é
preciso se embelezar por dentro" |
Os aspectos corporais do envelhecimento não
podem ser reduzidos ao envelhecimento fisiológico, no âmbito
da biologia, como algo que pode ser estudado independentemente da
cultura em que vivemos. O corpo não pode ser estudado fora
do contexto social. Qualquer aspecto do curso de vida, do processo
de envelhecimento deve ser refletido pela vida social. Tudo é
uma construção social e não é diferente
com as mudanças que ocorrem com o nosso corpo. |
A maneira como operamos e atuamos no mundo com nosso corpo, o que fazemos
com o corpo é mediada pela cultura. A cultura é escrita
sobre os corpos e nós precisamos pensar os modos particulares de
como isso acontece em diferentes sociedades. Está relacionado no
modo como conceituamos o envelhecimento, o curso de vida que vai além
da separação corpo/mente, corpo/cultura, corpo/vida social.
O processo de vida como um todo em toda sua dimensão sofre marcas
que ganham representações, definições, valores.
A produção social e o significado das representações,
sem dúvida variam muito de sociedade para sociedade. Por isso não
se pode assumir uma consciência única e percepção
social única, universal da imagem do corpo. Nossos corpos são
diferentes para a visão de diferentes culturas. Diferentes imagens
do corpo com o processo de envelhecimento existem em diferentes sociedades,
em diferentes momentos da história.
Aparência e self
O assunto sobre a imagem do corpo chama atenção para um
aspecto universal da vida humana. O corpo humano é uma matéria
visível e sua visibilidade tem um importante papel na comunicação
entre as pessoas, nos relacionamentos, nos papéis sociais, nos
encontros da vida social. O curso de vida e o processo de envelhecimento
transformam essa estrutura visível, que é o corpo humano,
de muitas maneiras que podem mudar nossas percepções e valores.
Isso ocorre pelo modo no qual atribuímos o nosso self,
o eu, a identidade, a individualidade, o valor social referente à
aparência do corpo humano. Somos seres corpóreos, vivemos
num tempo e espaço. Nosso movimento através da vida depende
das vicissitudes do corpo, da voz, do gesto, do toque, dos sorrisos, dos
cumprimentos, etc...
De acordo com a biologia do envelhecimento, nós nascemos morrendo.
A vida é um constante processo de envelhecer, lógico com
fases importantes para a reprodução para dar continuidade
na vida, as fases de crescimento, maturação, reprodução
e declínio, são os ciclos da vida. Capacidade que compartilhamos
com outras espécies. Mas só o ser humano é capaz
de representar de forma simbólica e complexa as variedades dos
modos de viver com esse corpo, dar uma interpretação particular
do processo da vida.
A visibilidade do corpo, o lugar do corpo na comunicação,
na linguagem, revela ou dá indícios sobre nossas intenções
conscientes ou não. Eis a dupla capacidade de nosso corpo ver e
ser visto, sendo a base para nossos julgamentos sobre o status e o valor
dos outros, sobre as observações dos corpos dos outros e
dos nossos corpos. O nosso corpo no tempo e no espaço nos dá
a capacidade de reflexividade nas relações sociais, porque
a partir do dizemos e fazemos com o corpo, permitimos aos outros construírem
seus julgamentos e opiniões sobre nós mesmos. Por isso,
é tão difícil às vezes ver o corpo se transformar
em linhas retas, perder suas curvas, sofrer as modificações,
o desgaste da vida.
Temos que considerar que as formas que o corpo adquire ao longo da vida,
fazem diferença em todo o curso de vida. A forma como o corpo é
decodificado culturalmente irá determinar a maneira como iremos
atuar no mundo e com as pessoas. E essa dimensão cultural e social
se altera também com o tempo. Por isso, o tempo confundirá
os vaidosos e esclarecerá os mais velhos. No entanto, é
preciso se embelezar por dentro. O tempo nos espera para nos colocarmos
diante de nós mesmos.
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