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| "...respeite seu corpo e se pergunte
o que ele possui que lhe traz bem-estar, que faz sentido no processo
de envelhecer" |
No texto anterior (clique
aqui), vimos que as mudanças do corpo não
são somente modificações de origem biológica,
mas também fruto de uma construção sociocultural.
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O que fazemos com nosso corpo influencia nossa identidade e construção
de imagem (do nosso corpo) que transmitimos aos outros, bem como os ideais
de corpo que desejamos atingir.
Envelhecemos desde quando nascemos e o tempo é nosso companheiro.
Mente e corpo estão juntos, mas no desenvolvimento envelhecem em
separado. A transformação que o corpo sofre no decorrer
do desenvolvimento segue um ritual, um ritmo gradual, marcado pela individualidade,
como ação peculiar de cada um modificar-se, diferenciar-se.
Assim, parece que o próprio processo de envelhecimento nos impulsiona
para criarmos “máscaras” para o corpo e para o rosto,
que esconda a capacidade de representar o seu “eu” verdadeiro
aos outros. Essa máscara está associada às propriedades
aversivas da velhice.
O conceito de velhice vem sendo reconstruído na atualidade. Porém,
a palavra velho é difícil de se aceitar, como se a velhice
significasse uma falência de potencial.
O ser humano não quer perder o controle sobre esse corpo. A perda
desse controle é como se perdesse capacidades, habilidades, condutas,
competências, procedimentos adquiridos na juventude, envolve o medo
de perder o direito e de ser tratado como pessoa valorizada.
Na velhice confrontamos o corpo e somos obrigados a aprender a lidar com
as limitações do corpo envelhecido. Esse corpo que se modifica
ao longo da vida, dimensiona a ideia de perdas e ganhos. A pessoa idosa
se reconhece no seu envelhecimento e tem a possibilidade de se renovar
a cada momento refinando sua identidade. Fazemos ajustes e modificações
em cima de modificações que sejam pertinentes e coerentes
para atender aos interlocutores, às expectativas e padrões
valorizados pela sociedade e ao mesmo tempo idealizados por nós
seres sociais, ideal de corpo próximo ao da juventude e lutando
para manter o vigor da maturidade.
Por fim, o corpo varia suas experiências no tempo, não é
dado natural, é a nossa presença e atuação
no mundo que forma os significados deste corpo que se modifica. Não
temos como mumificar a juventude, o reconhecimento das mudanças
e diferenças dos corpos é inexorável, a natureza
ainda obedece a uma programação genética precisa.
Basta refletir fazendo uma leitura do corpo que envelhece, respeite seu
corpo e se pergunte o que ele possui que lhe traz bem-estar, que faz sentido
no processo de envelhecer.
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