| Neste texto te convido
a pensar num tema complexo e fundamental da nossa existência humana:
a espiritualidade expressa pela capacidade de transcender e ir além
de nossos limites e manifestada pela religiosidade e crenças. Pesquisas
no campo da gerontologia revelam que o aumento da espiritualidade é
fonte relevante de suporte emocional, tanto na área da saúde
física como da saúde mental, e o quanto se faz fundamental
no curso de vida.
"A
espiritualidade baseia-se em aspectos básicos da condição
humana, na necessidade de atuar, de viver a vida, dar um sentido
e uma orientação à vida e na abertura do homem
para o transcendental" |
Segundo Fowler (1981), teólogo e estudioso
do desenvolvimento humano, a fé não envolve necessariamente
os conceitos de religião. Para Goldstein e Sommerharlder (2002)
- pesquisadores nas áreas de psicologia e gerontologia - ao
estudarem religiosidade, espiritualidade e significado existencial
na vida adulta e na velhice, demonstraram que diferenças na
vivência espiritual/religiosa foram expressos por dois enfoques,
a religiosidade intrínseca e extrínseca. |
Na religiosidade intrínseca, a pessoa é genuinamente
religiosa, tem as crenças interiorizadas como parte integrante
de sua vida. Na religiosidade extrínseca, a pessoa usa a religião
para atender às necessidades pessoais de segurança e autoproteção.
As autoras também fazem a diferenciação entre a abordagem
substantiva e funcional.
Na abordagem substantiva, a religião é vivida com um fim
em si mesma, tem como foco a experiência pessoal e os esforços
para a maior proximidade para com a divindade, enquanto na abordagem funcional
a religião é um meio para atingir um fim, é um auxílio
para dar significado ao desconhecido e seus efeitos reguladores na vida
da pessoa, família e sociedade. As pessoas podem estar engajadas
em atividades religiosas sem estarem engajadas no encontro, sem terem
a abordagem substantiva ou a dimensão intrínseca.
No decorrer do curso de vida após a juventude, fase em que reina
a imagem ideal de realização, depois vem a meia-idade em
que a atenção volta-se para o desenvolvimento físico
com suas indesejáveis marcas do tempo, que são lembretes
do nosso cotidiano e por fim a velhice, sendo um processo de aceleração
das mudanças físicas. Neste ciclo normalmente nossa libido
volta-se para a introspecção, para o silêncio da mente,
para o encontro com o self. Viver em plenitude é estar “antenado”
com o self, aceitando as inspirações internas.
A espiritualidade baseia-se em aspectos básicos da condição
humana, na necessidade de atuar, de viver a vida, dar um sentido e uma
orientação à vida e na abertura do homem para o transcendental.
Transcendência é uma qualidade também do ser que envelhece,
é uma espécie de inteligência moral, porque a espiritualidade
se manifesta como experiência humana. Experiência que permite
o indivíduo indagar a sua verdade, as suas razões, seus
conhecimentos e sua forma de atuação no mundo e sobretudo
sobre sua mortalidade e finitude.
Sendo transcendende buscamos sempre formar conceitos sobre o que somos,
quem somos, de onde viemos, para onde vamos? Buscamos uma compreensão
e interpretação do mundo e como podemos viver nele. O porquê
da existência. E isso é algo sim que inquieta todos nós.
A religiosidade, a fé, a espiritualidade e a transcendência
são fenômenos de intimidade que ajudam o ser humano no curso
de vida a procurar sentido.
Nos versos de Drummont “E como ficou chato ser moderno, agora serei
eterno” podemos entender que através da nossa atuação
no mundo buscamos também um sentido até para ser eterno.
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