| Ao longo da vida fazemos balanços
de tudo que vivemos, dos ganhos e das perdas, mas na maturidade e na velhice
é a fase que exercitamos mais o autoconhecimento e a auto-aceitação,
realizamos a atividade reflexiva de rever experiências significativas,
dos propósitos de vida, das metas alcançadas, o que dificultou
ou facilitou o alcance de uma meta, etc.
| "A relação
do indivíduo com seu próprio desenvolvimento pode ser
comparado à metáfora da lagarta e da borboleta, você
pode escolher ser lagarta a vida toda e não passar pela transformação
de lagarta para borboleta. A borboleta possui quatro fases de seu
desenvolvimento e carregam consigo a ousadia de voar e pousar em vários
jardins" |
Fazer revisão de vida é uma atividade
reflexiva bastante importante que ajuda o ser humano a discernir seu
interior, a se autoconhecer, a avaliar suas estratégias de
enfrentamento diante dos eventos vividos. A revisão de vida
é diferente de reminiscência, é uma forma de lembrança
intencional e estruturada em torno dos eventos de vida. |
A pessoa tem plena consciência e intenção de lembrar
suas vivências significativas, trata-se de um verdadeiro mergulho
interior para avaliar o sentido de vida. É a busca da compreensão
do sentido pessoal, do senso de significado, da consciência da auto-realização
e crescimento pessoal e da auto-aceitação.
O que é reviver a vida?
Rever a vida é entrar em contato com sua historia, é “rebobinar
a fita do seu filme”, é retrospecção com introspecção.
É analisar como o ator desse filme atuou na história e foram
feitas as cenas ao longo de toda a vida. É uma viagem através
do tempo que permite o indivíduo rever seus propósitos,
seus engajamentos, suas oportunidades significativas, projetos que lhe
deram valor, relações profundas com pessoas, entusiasmos
e interesses. Quando você revê o filme de sua vida, que são
os seus quadros mentais, você vê aqueles agentes culturais
comuns aos humanos: a família, os amigos, a escola, a faculdade,
a religião, a espiritualidade, os grupos sociais, o trabalho...
Enfim, tudo que envolve transmissão de valores, idéias e
ideais. Toda essa avaliação contribui para o alcance do
bem-estar psicológico na velhice. É assim que construímos
nosso senso de significado e crescimento pessoal que dão dignidade
e significado à existência diária do ser humano.
A revisão de vida inclui muita riqueza, muito valor, muitos estados
afetivos positivos, frutos de muitos anos dedicados às metas de
vida. Por meio dela descobrimos sentimentos de alegria, gratidão,
justiça, conquistas, tensões, aborrecimentos, ansiedades,
angústias, mas que ajudam o indivíduo a buscar o equilíbrio
interno. Quando uma pessoa passou a vida exposta a fatores de risco, tais
como álcool, drogas, doenças transmissíveis, dificuldades
financeiras, problemas de saúde, a revisão de vida, leva
o indivíduo a se perguntar por que foi assim e por que se expôs
a tais riscos. Quando a pessoa se dá conta do caminho percorrido,
dos marcos em suas vidas, das conquistas, esse processo de reconhecimento
contribui para a busca da verdade, do sentido de vida, e estimula a criação
de novas metas.
Esse trabalho reflexivo não é fácil, é muitas
vezes árduo, mas é importante para negar as angústias
e saber mesclar as alegrias e tristezas, fazer as boas colheitas dos resultados
conquistados. É igual a fazer balanço de um ano que acabou
e rever metas de ano novo. Mas aqui se trata de toda a extensão
de uma vida.
Nesse processo de conscientização das experiências
acumuladas, “passar a limpo” seus quadros mentais é
vital para o bem-estar psicológico e alcançar saúde
mental positiva, uma vez que os recortes das experiências vividas,
as compensações, as seleções das escolhas,
ajudam o indivíduo a tomar fôlego e sair mais fortalecido
delas.
Na revisão de vida é preciso aceitar suas características,
saber lidar com os acidentes, reconhecer os momentos de imprevistos, considerar
os limites impostos, se os limites não forem respeitados, você
pode se machucar, tentar achar novos caminhos, criar novas metas, encontrar
novos propósitos, seguir o fluxo que a experiência lhe impôs
e por fim se transformar. A revisão e a recriação
é uma transformação.
Metáfora da lagarta e da borboleta
A relação do indivíduo com seu próprio desenvolvimento
pode ser comparado à metáfora da lagarta e da borboleta,
você pode escolher ser lagarta a vida toda e não passar pela
transformação de lagarta para borboleta. A borboleta possui
quatro fases de seu desenvolvimento e carregam consigo a ousadia de voar
e pousar em vários jardins. O corpo é leve e mesmo assim
ela consegue pousar na flor aberta de onde suga o néctar adocicado
e na fase adulta elas preferem os lugares abertos com flores, bosques,
prados, jardins e florestas pouco densas, sem muito frio e sem muito calor,
o ambiente perfeito para sua sobrevivência.
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