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Metáforas são figuras de linguagem que utilizamos para significar
as coisas no mundo. Para alguns estudiosos o fato de se expressar algumas coisas
com as metáforas é para dizer o que não se pode dizer de
forma literal. No entanto, a verdade é que grande parte da nossa linguagem
cotidiana é metafórica. Muito de nosso raciocínio é
metafórico. De modo geral, sempre usamos a metáfora para exprimir
nossos pensamentos. Porque nossos conceitos abstratos fundamentais - tempo, eventos,
afetos, sentimentos e a moralidade - são na maior parte metafóricos.
Uma
boa metáfora é a que induz a pessoa a uma percepção
intuitiva da semelhança entre os diferentes, isto é, as semelhanças
nas expressões se dão por meio de comparações entre
situações. Trata-se, pois, de uma aproximação entre
idéias. Diz respeito a possibilidades de combinação entre
imagens situacionais e que, por sua vez, dão sentido à expressão.
Desde Aristóteles, um grande filósofo grego, que a metáfora
teve muita importância na Arte Poética e na Arte Retórica
(argumentação). Para Aristóteles o uso da linguagem metafórica
transporta a significação própria de um nome para outra significação,
definia como "transferência de significado". Ou seja, a metáfora
tira o significado de uma palavra numa situação comum e leva esse
significado para outra palavra em outro contexto. Mas ela é mais do que
uma simples transposição de significados, e muito mais do uma simples
comparação. Usar a metáfora é usar a capacidade criativa
de usar as palavras. Seria a criação de novos universos de conhecimentos.
Atualmente, a maioria dos autores acha a metáfora essencial à língua
e muitos deles vêem nela sua maior riqueza. Principalmente nos estudos literários
e nas composições musicais.
Quem nunca ouviu expressões
como essas: "O coração é uma bomba", expressão
muito utilizada na medicina; "O amor é o fogo que arde sem se ver",
como no Soneto de Luis de Camões e na música do compositor Renato
Russo; "O amor é um livro e sexo é esporte", como na letra
da música da Rita Lee e também na expressão "Deixa a
vida me levar...", como na música do Zeca Pagodinho. E a expressão
"O nosso cérebro é como um computador", comparando-o a
uma máquina, como se a mente humana tivesse comandos igual ao de um computador;
"Nossa memória é um labirinto"; e os provérbios:
"A esperança é a última que morre"; Águas
passadas não movem moinhos".
| "Ler
poemas, escrever crônicas e poesias, escutar música ou compô-las,
escrever detalhes criativos em uma autobiografia, significa fazer uso de recursos
metafóricos para jogar com a linguagem, exercitar a imaginação
e a abstração" | Quando
usamos expressões metafóricas temos dois pensamentos ativos. Na
expressão "O coração é uma bomba", fazemos
associações na mente para interpretar o significado da frase. Acessamos
o significado da palavra coração e associamos ao significado da
palavra bomba. Fazemos combinações de imagens visuais na mente com
as palavras abstratas. |
A imagem de algo concreto e
seu significado contido na memória nos permitem reconhecer e associar outros
sentidos abstratos para formar novos sentidos, ou seja, novas frases, novas expressões
e interpretar as metáforas. Assim, fazem os poetas.
As correlações
das nossas experiências diárias inevitavelmente adquirem-se metaforicamente,
e se ligam a julgamentos subjetivos. A razão e os conceitos são
formas dados por nossos corpos, cérebros e modos de funcionar no mundo,
ou seja, nossas experiências. Por exemplo, para interpretarmos um provérbio,
precisamos de um conhecimento de mundo, um conhecimento da língua, um conhecimento
do universo discursivo ou sistema de referências ao qual estamos inseridos,
isso é necessário para interpretar e para usar um provérbio
ou uma expressão idiomática que são expressões do
nosso dia-a-dia como "Ficou na maior sai justa"; "Caiu do cavalo";
"Tomou chá de cadeira", etc...
As expressões metafóricas
são cristalizadas pelo seu uso, pela tradição cultural e
surgem da relação simbólica entre sujeito, língua
e sociedade. O uso desses recursos expressivos e interpretativos que resultam
nos efeitos de sentido que relacionam linguagem com o que fazemos ao longo da
vida, significa entender seu enfoque social, cultural e lingüístico
e ser capaz de dizê-lo em diferentes situações e compreender
seu sentido.
Dependendo do interesse implícito no sentido, possibilita
a criatividade, a invenção, a argumentação e a compreensão.
Assim, é o que ocorre com os provérbios, com os ditos populares,
os idiomatismos (frases feitas), os poemas, os clichês, os slogans de propagandas,
as charges, etc... E todas essas expressões sempre têm a ver com
os processos de memória (memória cultural, memória sócio-histórica
e coletiva). Ligados ao entendimento e à expressão da tradição
cultural, as expressões metafóricas de uma forma ou de outra sempre
despertaram interesse dos que estudam a mente humana. Por se tratar da nossa capacidade
de lidar com a abstração. Nosso raciocínio não é
só lógico, ele também é discursivo, uma vez que todo
nosso raciocínio é abstrato.
Portanto, ler poemas, escrever
crônicas e poesias, escutar música ou compô-las, escrever detalhes
criativos em uma autobiografia, significa fazer uso de recursos metafóricos
para jogar com a linguagem, exercitar a imaginação e a abstração.
A linguagem não é um simples código, ela se caracteriza como
um sistema simbólico de grande rearranjo com o qual podemos dizer criativamente
o mundo. O significado não está em nós ou nas coisas no mundo,
mas entre nós e as coisas.
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