| Filosofia | |||
| Dicas para quem busca seu bem-estar no movimento da vida | |||
| Podemos saber o que o outro está pensando? |
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| por Monica Aiub |
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É impressionante a quantidade de participantes e de trabalhos
apresentados, em várias temáticas e abordagens (para o leitor
interessado, o site da ANPOF www.anpof.org.br ). Como não é
possível assistir tudo, concentrei-me no Grupo de Trabalho
(GT) sobre Filosofia da Mente, cuja temática foi Mindreading,
ou lendo mentes. Mindreading Como são feitas as mensurações das regularidades? Enquanto trabalhamos com a folk psychology, os padrões de regularidade seguem padrões instituídos culturalmente, replicados de geração em geração, e variáveis, de tempos em tempos. Contudo, pesquisas desenvolvidas por neurocientistas trazem outras perspectivas à questão. Por exemplo, as pesquisas desenvolvidas por Giacomo Rizzolatti e sua equipe, na Universidade de Parma, na Itália, apontam para os denominados neurônios espelho. Segundo os pesquisadores, há grupos de neurônios que são ativados em nossos cérebros quando fazemos um movimento. O mesmo grupo de neurônios é também ativado quando observamos alguém fazendo o mesmo movimento. O que isto poderia provocar em nós? A possibilidade do espelho como imitação? A possibilidade de aprendizagem a partir da observação do outro? Via aprendizagem, poderíamos desenvolver novas possibilidades na resolução de problemas? Mas o que provocaria a ativação de um mapa neuronal: a observação do movimento do outro? O pensar sobre o movimento? As derivações de pesquisas denominadas mindreading, chegam ao limiar da ficção, apontando para a possibilidade de identificarmos, através de mapas neuronais, áreas que indicariam que a pessoa está mentindo. Ou talvez, exagerando um pouco mais, áreas que indicariam certos tipos de pensamentos. Mas o que temos de fato? Apenas estatísticas, construídas a partir de padrões de alguns poucos humanos pesquisados, que denotam áreas ativadas diante de um determinado estímulo. Um exame de neuroimagem apenas revela que uma determinada região cerebral foi ativada. Não revela o que a pessoa está pensando, lembrando, desejando, acreditando, sonhando, sentindo, etc. Não temos, ainda – e talvez nem cheguemos a ter, a possibilidade de traduzir tais imagens de mapas neuronais para seus respectivos estados mentais, ainda que nossas experiências se aproximem, cada vez mais, daquilo que vivemos em nossas interações com o ambiente. Vivemos, neste campo, o problema da tradução. O que é lido na linguagem de terceira pessoa, linguagem da ciência, como por exemplo a neuroimagem, não pode ser traduzido para uma linguagem de primeira pessoa, como sentimentos, desejos, crenças, sonhos, etc. Qual, então, a importância de pensar tais questões? Para além da ficção que já projeta máquinas capazes de ler nossos pensamentos, transmitindo-os numa tela ou até holográficamente, impedindo a qualquer um de esconder seus próprios pensamentos e sentimentos, algumas pessoas exageram na crença em determinados resultados da ciência, apostando no uso da neuroimagem como detector de mentiras, ou mesmo como capaz de ler o que as pessoas gostam ou não, ou até ao extremo de “saber o que o outro está pensando”. Alguns pesquisadores, cientes ou não disso, exageram nas apostas nos resultados de suas pesquisas. A imprensa, ciente ou não, exagera um pouquinho mais quando divulga tais pesquisas, e o público, ciente ou não, com base nas informações divulgadas, acaba por concluir algo para além do possível. Ainda não temos máquinas capazes de ler nossos pensamentos.
Ainda não temos conhecimento de neurônios capazes de ler
o que o outro pensa. Mas temos o hábito de atribuir ao outro formas
de pensar, e nos posicionamos na vida, diante do outro, a partir do que
pensamos que ele pensa. O que, muitas vezes, faz com que nos surpreendamos.
Noutras vezes, obtemos exatamente o resultado imaginado. Por que o obtemos?
Por que lemos a mente do outro, conseguimos prever sua reação,
ou porque ele reagiu a nosso posicionamento, baseado na crença
de que ele agiria de tal ou qual maneira? Eis a questão. Referências Bibliográficas:
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