| Tanto
no esporte, como na vida cotidiana, ao considerarmos a motivação
como energia psicofísica que dá intensidade a nosso esforço
para atingirmos nossos objetivos, podemos dizer que este é o fator
de nossas vidas que dá início, dirige e integra nosso comportamento.
Portanto, tudo aquilo que fazemos, com menos ou mais intensidade, do início
ao fim da atividade depende do nosso nível de motivação.
A qualidade dessa energia – motivação - tem duas origens:
intrínseca e extrínseca.
Motivação intrínseca
A primeira, motivação intrínseca é chamada
também de pessoal ou inconsciente visto que essa representa o desejo
interior para atingir algum objetivo ou satisfazer determinada necessidade.
É a força psíquica que todos nós possuímos
que nos leva empenharmos em uma atividade por vontade própria sem
termos exata consciência daquilo que acontecerá na prática.
Isso explica o motivo de escolhermos praticar um esporte, por exemplo,
sem sabermos exatamente o porquê dessa escolha, mas não resistimos
à atração e vamos em busca de algo que nem imaginamos
direito o que é. Pergunte a um garoto futebolista, por que ele
gosta de futebol, possivelmente você terá uma resposta lacônica
do tipo: “Por que eu gosto!”.
Motivação extrínseca
A motivação extrínseca, por outro lado, é
caracterizada por fatores externos, e é reconhecida também
como motivação ambiental ou consciente. São fatores
com conteúdos objetivos representados no esporte, por exemplo,
por troféus, elogios, bolsas de estudo, equipamentos adequados,
bom programa de treinamento e salários. Para todos esses fatores
terem seus efeitos motivacionais pretendidos é necessário
considerar a avaliação subjetiva daquele que está
envolvido na atividade. Assim, aquilo que pode ser muito motivante para
uma pessoa para uma segunda pode não ter o mesmo impacto. É
por isso que não existe música ou equipamento motivador,
o que existe é uma tendência motivadora.
Ao avaliarmos a tipologia da motivação descrita acima, é
notório que a interação dos fatores pessoais (motivação
intrínseca) e fatores ambientais (motivação extrínseca)
é que compõem um bom nível de comportamento motivado.
Como “matéria-prima” ou base da motivação,
a parte intrínseca é pré-requisito para qualquer
ação, no entanto a parte extrínseca é fundamental
no sentido de auxiliar a manter o comportamento motivado.
Dessa forma, na prática de exercícios físicos e esportes,
os fatores da motivação extrínseca necessitam ser
valorizados e utilizados adequadamente pelas pessoas envolvidas como treinadores,
pais e dirigentes, pois podem colaborar na manutenção e
na modificação positiva do comportamento dos atletas. Esses,
portanto, não podem depender unicamente de fatores internos para
se motivarem a treinar durante longas horas.
Nesse pensar, imaginemos um atleta de natação que se submete
a várias sessões de treinamento diariamente. Além
de estar intrinsecamente motivado, fatores externos como o reconhecimento
da família, da escola, estrutura de treinos e auxílio ou
patrocínio financeiro o auxiliariam a manter o comportamento motivado
para o rendimento. Por outro lado, quando alguém é submetido
a um programa de exercício físico e/ou esportivo um bom
nível de motivação está associado diretamente
com a compatibilidade entre a dificuldade da tarefa com a capacidade pessoal
do praticante.
Em conseqüência, quando o desempenho é demasiadamente
fácil, produzirá tédio nos praticantes. Quando o
nível de exigência é muito alto, teremos como resultado
um comportamento ansioso. No entanto, quando o desempenho é determinado
por um ritmo compatível (equacionado!) de complexidade, há
um caráter de novidade presente em questão que estimula
a melhoria do rendimento. É desejado então, buscar uma complexidade
facilitadora das tarefas nas atividades para produzir motivação.
Em resumo:
Tarefa fácil: tédio
Tarefa difícil: ansiedade
Tarefa equacionada: motivação
Um dos fatores responsáveis pela manutenção de um
nível ótimo de motivação é a capacidade
psíquica das pessoas para a realização da tarefa
ou do treinamento proposto (atletas, no caso do esporte e demais pessoas
no caso do exercício físico). A capacidade para a execução
de uma tarefa é verificada na medida em que a atividade a ser realizada
é mantida por um determinado período de tempo. Nessa capacidade
psíquica para a tarefa, há os fatores intervenientes externos
(estrutura informativa das tarefas a serem realizadas e as características
do meio de convivência) e internos (nível de desempenho,
estabilidade emocional e características individuais).
Outro fator que deve ser considerado fundamental é o nível
de prazer que a pessoa usufrui praticando determinada atividade. O desenvolvimento
do prazer certamente levará a pessoa (atleta ou praticante de exercícios
físicos) a melhor suportar o processo de treinamentos, conseqüentemente
um melhor rendimento será observado. A melhoria constante desse
rendimento aumenta a percepção do nível de conquistas
pessoais e leva o atleta a obter um maior nível de fatores intrínsecos
e extrínsecos da motivação.
Para uma ótima motivação a fim de melhorar o rendimento
nos programas de treinamento esportivo e exercícios físicos
aconselho seguir os seguintes passos:
1) Ter a clara percepção que seu esforço é
produtivo. Ou seja, sua dedicação à atividade vale
a pena;
2) Manter sempre uma ótima concentração na tarefa.
Quanto melhor concentrado maior é a tendência de se manter
motivado;
3) Estabelecer objetivos claros de desafios e compatíveis com a
capacidade psicofísica pessoal;
4) Desenvolver autocontrole. Tanto no aspecto de controle da excitação
emocional como no controle de execução da tarefa, em outras
palavras dominar a exigência motora com calma.
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